O halftime de Lady Gaga no Super Bowl serviu para nos lembrar do quanto ela é foda

Nossa Lady Gaga do pop está mais viva do que nunca.

Se todo o processo por trás do álbum “Joanne” nos fez distanciar a Lady Gaga atual do que conhecíamos por seus antigos trabalhos, sua apresentação no halftime do Super Bowl teve a intenção exatamente contrária: nos recordando da grande estrela pop que ela é e a quantidade de hits que já nos entregou desde o início de sua carreira.

Album Review: o outro lado de Lady Gaga também é pop no disco “Joanne”

Foi neste domingo (05) que Gaga finalmente realizou a performance planejada desde os seus quatro anos e, no palco de um dos maiores eventos dos Estados Unidos, poupou exageros, na mesma medida em que entregou um show verdadeiramente grandioso.

De uma forma que até foge do que estamos habituados com a cantora, o halftime de Lady Gaga foi pensado para agradar o seu público e, numa seleção bem amarrada de seus maiores sucessos, sequer teve espaço para o disco “ARTPOP” e as faixas do recente “Joanne”, representado apenas pela baladinha “Million Reasons”. Essa foi, inclusive, a única oportunidade da cantora relembrar seus bons momentos ao piano, já que também não apresentou “Yoü and I”, “Speechless”, entre outras lentas.

Recusando grandes alegorias, o ponto alto da performance foram as coreografias e visuais resgatados de eras anteriores, de forma que, para tudo funcionar bem, dependeria apenas no desempenho dela e seus dançarinos. E deu certo.



Diante do atual cenário político americano e seu recém-eleito presidente, muitos esperavam algum posicionamento da cantora dentro da performance, e isso aconteceu de maneira sutil. Lady Gaga abriu a apresentação, sob um céu estrelado por drones, com um medley de “God Bless America” e “This Land Is Your Land”, tendo essa última se tornado um grito de guerra nos protestos contra Donald Trump.

Os primeiros hits de sua carreira, “Just Dance” e “Poker Face”, também foram lembrados, com a cantora nos causando certo receio e ansiedade ao começar “Telephone”, pela dúvida sobre Beyoncé dar as caras ou não. E não deu. Gaga segurou o Super Bowl inteiro por conta própria – e se tornou a oitava artista da história do evento sem convidados especiais.

“Born This Way”, do disco de mesmo nome, entrega outro momento que sutilmente pôde cutucar Trump, por conta de sua letra, com ênfase para os versos a seguir: “Não importa se você é gay, hétero ou bissexual. Lésbica ou transexual. (...) Não importa se é negro, branco ou amarelo, latino ou oriental. Estou no caminho certo, baby, eu nasci para ser corajoso”.



O final da performance, com a icônica “Bad Romance”, foi a prova de que a cantora realmente queria nos deixar no chão. Desde o sucesso da faixa, do álbum “The Fame”, Gaga buscou ir além trabalho após trabalho e, ainda assim, lidou com as cobranças em superar esse material, tanto visual quanto musicalmente. Terminar a apresentação com essa música só reforçou a sua grandiosidade, nos lembrando da razão de ainda a acharmos tão insuperável.

Passando por um dos momentos mais minimalistas de toda sua carreira, a performance de Lady Gaga nesse halftime serviu não só para nos lembrar da grande artista pop que ela é, como para avisar-nos que está tudo sob controle e, quando quiser, ela pode entregar esse puta espetáculo, grandioso como sempre.

Com uma turnê recém-anunciada, fica a dúvida quanto ao caminho que a cantora seguirá daqui em diante, visto que a performance fugiu de tudo o que ela apresentou com o disco “Joanne” até aqui e pouco se envolveu com os novos trabalhos, nem mesmo para uma possível divulgação de novos singles em potencial. Seja como for, é muito bom tê-la de volta.