Representatividade e emoção marcam o Globo de Ouro 2017

A edição deste ano buscou celebrar a arte e a diversidade com ótimas escolhas.

Hollywood se juntou mais uma vez no último domingo (08) para a 74ª edição do Globo de Ouro (Golden Globes), tradicional premiação que contempla os principais lançamentos recentes do cinema e da televisão. Organizada pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA), a festa é conhecida por seu formato mais descontraído e irreverente, trazendo os comediantes Ricky Gervais, Tina Fey e Amy Poehler na apresentação das últimas edições desta década, e tendo Jimmy Fallon como principal (e esquecível) host na edição de 2017.

Geralmente marcada por surpresas e até algumas polêmicas, a edição deste ano da premiação surpreendeu por fugir destes moldes, buscando ao máximo celebrar a arte e a diversidade com ótimas escolhas. Na categoria de seriados de comédia ou musical, por exemplo, tivemos Tracee Ellis Ross, da série "Black-ish" ganhando como Melhor Atriz, e "Atlanta", nova produção do canal FX sobre a cena musical rap, conquistando os prêmios de Melhor Série e Melhor Ator (para Donald Glover)   trazendo assim visibilidade aos talentosíssimos artistas negros. 


No campo dos seriados de drama, a ótima "The Crown", série bem executada da Netflix que traz recortes históricos do reinado da Rainha Elizabeth II, desbancou as hypadas "Westworld", "This Is Us", "Game of Thrones" e "Stranger Things" na categoria de melhor série, e coroou (sem trocadilhos!) Claire Foy ao estrelato com o prêmio de Melhor Atriz por sua interpretação da poderosa e querida monarca. O prêmio de Melhor Ator foi entregue à Billy Bob Thornton por "Goliath", produção de oito episódios da Amazon Studios. 

A comentada minissérie "The People v. O.J. Simpson: American Crime Story", que abocanhou diversos prêmios na última edição do Emmy Awards, tornou a ser destaque com a vitória nas categorias de Melhor Minissérie ou Telefilme Para TV e Melhor Atriz, para Sarah Paulson, querida pelo público. O galã Tom Hiddleston pode até ter garantido o prêmio de Melhor Ator pela produção  da BBC "The Night Manager", onde interpreta um espião, mas deixou os espectadores bem confusos com seu discurso sobre a Unicef (Fundação das Nações Unidas Para a Infância).

Com "La La Land: Cantando Estações", podemos comprovar a força e o fôlego dos musicais. O filme de Damien Chazelle, estrelado por Emma Stone e Ryan Gosling, se tornou recordista ao levar todos os sete prêmios em que foi indicado para casa: Melhor Filme (Comédia ou Musical); Melhor Atriz (Comédia ou Musical); Melhor Ator (Comédia ou Musical); Melhor Diretor; Melhor Roteiro; Melhor Trilha Musical e Melhor Canção Original (sim, a fabulosa "City of Stars"). A repercussão positiva está tão grande que o filme foi o principal parodiado no número de abertura do evento!


Nas demais categorias de cinema, tivemos a rainha Viola Davis conquistando o merecidíssmo prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante pelo drama "Cercas", em que contracena com Denzel Washington e acaba roubando todos os holofotes. O emocionante "Moonlight", filme dirigido por Barry Jenkins e que traz o amadurecimento de um protagonista negro e gay, foi agraciado com o prêmio de Melhor Filme (Drama). Já "Manchester À Beira-Mar", de Kenneth Lonergan, rendeu o prêmio de Melhor Ator (Drama) para Casey Affleck, e "Animais Noturnos", de Tom Ford, o de Melhor Ator Coadjuvante para Aaron Taylor-Johnson.

O longa-metragem francês "Elle" chamou atenção não por ter ganhado o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, e sim por ter premiado a atriz Isabelle Huppert na categoria de Melhor Atriz (Drama). Com esta vitória, é importante destacar a presença (ainda pequena, porém significante) de estrangeiros na premiação (Diego Luna, de "Rogue One: Uma Aventura Star Wars", apresentou parte de uma categoria em espanhol, por exemplo). Como salientado pela suprema Meryl Streep, principal estrela da noite, em seu discurso de recepção ao prêmio Cecil B. DeMille (que a homenageia por seu conjunto da obra), o cinema que habita em Hollywood é composto por "intrusos", sonhadores, pessoas que nasceram e cresceram em diferentes locais do mundo, e que hoje unem-se e compactuam juntos por amor em produzir sétima arte.

Ainda em seu brilhante e emocionante discurso, Meryl destacou a indispensável função do ator de exercer e estimular a empatia, o "sentir algo com alguém diferente". A atriz também criticou elegantemente as atitudes desrespeitosas de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, fazendo um apelo à diminuição de violência e de ódio, e à proteção e cumplicidade entre imprensa e artistas. 


Não podemos esquecer de citar a homenagem curta, porém cheia de sentimento, às falecidas Debbie Reynolds e Carrie Fisher, mãe e filha, que deixaram os fãs na última semana de 2016. Homenagens póstumas geralmente não ocorrem no Globo de Ouro, que não conta com um bloco "In Memorian" em seu script tradicional. No entanto, a ocorrência de algo do tipo nesta edição só comprova a mudança de posicionamento em seus moldes. 

Parece que, com toda a representatividade, o respeito e a paixão pelas produções de cinema e TV, os realizadores do Globo de Ouro finalmente entenderam o que realmente importa para o público. Confira aqui a lista completa de vencedores e indicados.