Rebecca Ferguson quer cantar um clássico contra o racismo em cerimônia de Donald Trump

Originalmente lançada por Billie Holiday nos anos 30, “Strange Fruits” foi eternizada nos vocais de Nina Simone e, mais tarde, sampleada pelo rapper Kanye West.

Sem a popularidade de Hillary Clinton entre as cantoras de música pop, Donald Trump está com bastante dificuldade para encontrar alguém que aceite cantar na sua cerimônia de posse, marcada para o dia 20 de janeiro.

O último convite do presidente eleito pelos Estados Unidos foi para a cantora revelada pelo X-Factor britânico, Rebecca Ferguson, e por seu Twitter, a cantora afirmou que até aceita o convite de Trump, mas sob uma condição.

Me convidaram e essa é a minha resposta. Eu aceito se vocês me deixarem cantar ‘Strange Fruit’, uma música de grande importância histórica, que foi boicotada nos Estados Unidos por ser muito controversa. Uma música que fala com todos os negros ignorados e oprimidos nos Estados Unidos. Uma música que é um lembrete de como o amor é a única coisa que superará todo o ódio neste mundo, aí sim, eu graciosamente aceitarei seu convite e verei vocês em Washington.
Com tantos artistas fugindo dessa possibilidade, ela encontrou uma forma bastante corajosa de sair por cima, né?

Originalmente lançada no final dos anos 30 por Billie Holliday, “Strange Fruit” ficou famosa pela interpretação de Nina Simone e, anos mais tarde, também foi sampleada pelo rapper Kanye West na faixa “Blood On The Leaves” (2013). Sua letra poeticamente lamenta a vida perdida de negros que eram linchados e pendurados em árvores nos anos 20, daí o título “frutas estranhas”.


Até hoje resistentes quanto ao racismo presente no país, os americanos baniram a música na época em que foi lançada, mas isso não impediu que ela fosse utilizada como uma canção-protesto pelos movimentos negros daquele período. Resgatá-la, dentro da cerimônia de posse de um candidato como Trump, seria uma resposta significativa ao preconceito e conservadorismo que vem avançando por todo o mundo.