Os 50 melhores clipes de 2016

É claro que tem “Work”, da Rihanna. E explicamos o porquê.

Beyoncé fez os videoclipes parecerem sem graça demais, quando explorou dentro do mainstream a possibilidade de lançar todo um álbum visual, mas, ainda assim, tiveram artistas que lançaram trabalhos bons o suficiente pra que fizéssemos questão de relembrá-los neste final de ano.

Assim como os discos e singles, esse é o momento que escolhemos os melhores videoclipes de 2016. As razões deles estarem aqui podem ser muitas, do impacto causado pela produção às qualidades visuais, mas se existe algo em comum entre eles, é o fato de todos serem realmente muito bons, independente da posição aqui colocada.

Eis o nosso veredito:

50. DJ Snake, “Middle”

Quando foge das obviedades da música eletrônica, DJ Snake consegue entregar canções como “Middle” e, se não bastasse sua sonoridade, a música do cara com Bipolar Sunshine também acerta no seu videoclipe, estrelado por Josh Hutcherson (“Jogos Vorazes”) e Kiersey Clemons (“Dope”), nos papéis de heróis solitários que parecem ter fugidos de uma história em quadrinho, mas encontram a felicidade na companhia um do outro pelo mundo real. – Guilherme Tintel



49. Panic! At The Disco, “Don’t Threaten Me With A Good Time”

Se você acha que já perdeu a cabeça numa dessas noites de bebedeira, ainda não viu do que Brendon Urie é capaz de fazer. O vocalista do Panic! At The Disco te convida para uma saideira com o clipe de “Don’t Threaten Me With A Good Time” e o resultado é um inusitado encontro com vômitos, tentáculos e alguns chamados para o Uber. – Guilherme Tintel



48. AURORA, “I Went Too Far”

Em “I Went Too Far”, a norueguesa AURORA está desesperada, enquanto procura e implora por amor, pra que possa se sentir completa outra vez. Com direção da dupla Arni & Kinski (Florence + The Machine, Sigur Rós), a produção nos faz perder o fôlego por cenas como da escada que vai do mar ao céu. – Luccas Almeida



47. Birdy, “Wild Horses”

A história do amor impossível, contada por Birdy no clipe de “Wild Horses”, poderia facilmente ser descrita como tristemente bela. Com uma impecável direção de arte e incríveis takes submersos, a talentosa britânica vive uma sereia que encanta um mergulhador, que se torna cada vez mais obcecado por sua presença. O desfecho, entretanto, é poeticamente trágico, ilustrando as consequências de um amor não-correspondido. – Maicon Alex



46. Taylor Swift, “Out Of The Woods”

As pessoas podem listar muitos motivos para não gostarem de Taylor Swift, mas sua música nunca será um deles. Como o trailer de um grande filme, o clipe de “Out Of The Woods” coloca a cantora dentro de uma aventura numa floresta, na qual suas inseguranças com um relacionamento são ilustradas por meio dos perigos do obscuro ambiente. – Guilherme Tintel


45. Banks, “Gemini Feed”

Como sugere seu título, dualidade é o tema abordado por Banks no videoclipe de “Gemini Feed”, onde somos introduzidos ao combate entre dois opostos, lados seus que sequer conhecíamos até então. O vídeo é uma produção conturbada, complexa e, obviamente, muito bem executada. – Guilherme Tintel


44. ZAYN, “Pillowtalk”

No primeiro videoclipe de sua empreitada solo, o cantor Zayn nos entrega um sci-fi sexy e dramático protagonizado por ele e sua até então namorada, a modelo Gigi Hadid, com uma verdadeira explosão de efeitos e aparentemente exaltação da beleza feminina. – Guilherme Tintel


43. Vic Mensa, “16 Shots”

De Beyoncé ao Frank Ocean, foram muitos os artistas negros que usaram sua voz para denunciar o racismo e abuso das autoridades americanas e, no clipe de “16 Shots”, é exatamente isso o que ilustra o rapper Vic Mensa, numa lembrança ao jovem Laquan McDonald, assassinado com 16 tiros por um policial de Chicago, em 2014. O visual angustiante traz poderosas reflexões, sob uma das principais faixas de seu EP. – Guilherme Tintel


42. Fifth Harmony, “Work From Home”

O que mais encontramos na música pop é a utilização da palavra “work” significando tudo, menos trabalho. Mas que tal fazer um videoclipe que ignora o duplo sentido e brinca com a ideia literal da palavra? Foi pensando nisso que as meninas do Fifth Harmony – e Camila Cabello – foram “trabalhar” e, claro, dançar muito, no meio de tratores, furadeiras e muito concreto. Fizeram a lição de casa. – Nathalia Accioly


41. Carly Rae Jepsen, “Boy Problems”

Parece uma série clichê adolescente dos anos 90, mas é só o videoclipe de uma das artistas pop mais interessantes da atualidade. – Guilherme Tintel


40. Massive Attack, “Voodoo In My Blood”

Existe um senso de agonia e urgência presente de forma ágil e precisa no videoclipe de “Voodoo In My Blood”, da banda Massive Attack, em parceria com Young Fathers. No vídeo, a protagonista, interpretada por Rosamund Pike, caminha por uma estação de metrô, até que se depara com uma misteriosa esfera repleta de poderes especiais. – Guilherme Tintel


39. DJ Shadow, “Nobody Speak (feat. Run The Jewels)”

Para um ano em que a política estadunidense elegeu como um dos seus líderes Donald Trump, o caos ilustrado pelo videoclipe de “Nobody Speak”, do DJ Shadow com a dupla de rappers Run The Jewels, soa como uma previsão mais do que precisa. – Guilherme Tintel


38. Zara Larsson, “Ain’t My Fault”

“Ain’t My Fault” é o momento em que a persona pop de Zara Larsson finalmente acontece e faz valer todo o hype ao redor do seu nome. Ao lado de suas amigas, no clipe a sueca assume o controle de uma mansão e, em meio a muito jogo de luz, os quadros se movem e até as esculturas soltam glitters. Tudo isso acompanhado, obviamente, do que mais amamos em bons videoclipes pop: uma ótima e icônica coreografia. – Nathalia Accioly


37. Cappa, “I’m Good”

São muitos os elementos que nos fazem reconhecer um bom videoclipe pop e, sem dúvidas, televisões com efeito estática são um deles. “I’m Good” é um dos primeiros videoclipes da cantora em ascensão Cappa e, num visual que exalta a cultura pop dos anos 80, nos prende e encanta do início ao fim. – Guilherme Tintel


36. Ariana Grande, “Side to Side”

Coincidentemente lançado no mesmo dia de “Fade”, do Kanye West, o vídeo também veio num cenário de academia, com as bicicletinhas que renderam nossas danças nas festas por aí. Se pudéssemos mudar algo, apenas trocaríamos os tons azuis e rosas, incansavelmente utilizado por clipes de “What Do You Mean”, do Bieber, a segunda versão de “Work”, da Rihanna. – Vitor Fernandes


35. Flume, “Never Be Like You”

Protagonizado pela atriz e cantora Sophie Lowe, o clipe de Flume para “Never Be Like You” capta o torpor de quando você se entrega aos sentimentos e sensações momentâneas, ciente de que aquilo poderá te trazer dores no futuro. Nas palavras do seu próprio diretor, Clemens Habitch, “é a história de um estado emocional”. – Guilherme Tintel


34. Twenty One Pilots, “Heathens”

Quando você tem o cenário e contexto de um filme como “Esquadrão Suicida” para usar como inspiração, fica difícil errar na tentativa de parecer legal, mas as chances disso dar errado são praticamente nulas se, além de tudo isso, estivermos falando do duo twenty one pilots. Obscuro, agressivo e divertido na mesma medida. – Guilherme Tintel


33. Brooke Candy, “Paper or Plastic”

Não é a primeira vez que Brooke Candy nos mostra entender sobre o poder da mulher e, no clipe de “Paper or Plastic”, a história não foi diferente, no que arriscamos dizer ser um dos melhores visuais de toda sua carreira. A história se passa numa fazenda comandada por um homem extremamente religioso e opressor, com mulheres que vivem sob sua tirania e, em fotografia e figurinos espetaculares, se rebelam contra o patriarcado. – Luccas Almeida


32. Years & Years, “Worship”

Sem grandes filosofias, Years & Years entrega na beleza da interpretação de seu vocalista, Olly Alexander, uma narrativa de empoderamento, autodescoberta e representatividade LGBTQ, com passos de dança assinados pelo coreógrafo Ryan Heffington, conhecido por seus trabalhos com artistas como Sia e Florence + The Machine. – Guilherme Tintel


31. MØ, “Final Song”

Bastou MØ e um grande cenário pra fazerem valer o clipe de “Final Song”. Se isso não parecer o suficiente, precisamos lembrar que ela flutua e ainda dança no ar, coisa para poucos. – Guilherme Tintel


30. Noonie Bao, “Reminds Me”

Atualmente fazendo seu nome como compositora, Noonie Bao despontou como uma das grandes apostas de 2016 e, apesar de não ter conquistado o espaço esperado, realizou alguns dos melhores trabalhos do ano, incluindo o vídeo de “Reminds Me”, no qual lembranças em recortes fotográficos se perdem entre seu rosto e outras paisagens. – Guilherme Tintel


29. Kings of Leon, “Waste a Moment”

Parecendo, em um primeiro momento, uma mistura de “Twin Peaks”, “As Virgens Suicidas” e “Stranger Things”, a narrativa do primeiro single desse novo álbum dá indícios de que haverá continuações. A montagem possui um ritmo ágil, bem como a trilha que a acompanha. A teoria até aqui é que a cidade se vê meio a duas forças desconhecidas: as líderes de torcida que aparecem em cenas de sequestro e o homem mais velho, com um “sabre” que, uma vez ativado, parece atingir as pessoas por sua visão. Simbolismos a parte, o vídeo possui uma plástica linda, como tudo o que a banda faz. – Sebastião Mota


28. OK GO, “The One Moment”

Todo ano, eles lançam um vídeo que seja completamente fora da caixa e, em 2016, não foi diferente. Dirigido por Kulash e trazendo como tema “a importância de cada momento”, temos outro show de criatividade, ao filmarem em tempo real, num estúdio branco, mais de 300 eventos distintos acontecendo simultaneamente em apenas 4,2 segundos, só que desacelerando-os em 20,000%, dando uma percepção dos mínimos detalhes sobre todo o cenário, enquanto a música é tocada. Um dos trabalhos tecnológicos mais espetaculares da temporada. – Maicon Alex


27. Die Antwoord, “Banana Brain”

Um vídeo bem ‘Die Antwoord’. – Guilherme Tintel


26. Mykki Blanco, “High School Never Ends”

Quando descobriu que a Europa não era uma alternativa tão segura à supremacia americana, o rapper Mikky Blanco encontrou uma oportunidade de transformar sua dor em arte e o fez no clipe de “High School Never Ends”, no qual repensa o clássico Shakespeariano “Romeu e Julieta”, contando uma história que vai de encontro com o racismo e homofobia. – Guilherme Tintel


25. The Kills, “Doing It To Death”

Você nunca mais verá um velório com os mesmos olhos após assistir esse videoclipe. – Guilherme Tintel


24. ANOHNI, “Drone Bomb Me”

Não bastasse o peso de sua letra, cantada na perspectiva de uma criança que perdeu os pais após um ataque de drone, a cantora Anohni escalou ninguém menos que Naomi Campbell para ilustrar seu videoclipe, sob a quase cirúrgica direção de Nabil. Simples e tocante. – Guilherme Tintel


23. Frank Ocean, “Nikes”

Em “Nikes”, Frank Ocean oficializa seu retorno com um vídeo singular e repleto de simbolismos, talvez não tão fáceis de explicar, justamente por representarem o que se passa na geniosa mente do cantor. Há modelos, atores, nudez, cavalo, água, fogo, claustrofobia, festas, demônios, performances e, falando assim, nada parece se encaixar, mas, graças a fantástica edição, com transições desconcertantes, o resultado não é menos do que exuberante. – Maicon Alex


22. Sia, “The Greatest”

A vulnerabilidade de pessoas inocentes, que usufruem de um ambiente de descontração, no qual estão livres para serem seu melhor, foi o tom escolhido por Sia numa tragicamente poética homenagem para as vidas perdidas no atentado homofóbico da boate Pulse, em Orlando. “The Greatest”, como seus destaques anteriores, traz a participação da dançarina Maddie Ziegler e, com uma coreografia bastante interpretativa, carrega em cada um dos seus movimentos a dor por aqueles que se foram. – Guilherme Tintel


21. Britney Spears, “Slumber Party (feat. Tinashe)”

Uma edição é uma edição. Britney não só lançou um dos clipes mais legais de 2016, como também de sua carreira. Para o segundo registro visual de “Glory”, a cantora mergulhou na temática que o próprio título sugere. Uma montagem bem ritmada com textura enevoada, tons frios e muitos efeitos visuais. Na festa do pijama à la “De Olhos Bem Fechados” (1999), a princesa do pop desfila entre personas até encontrar Tinashe, com quem manda uma coreografia que você não vê a hora de arriscar na balada. – Sebastião Mota


20. Grimes, “Kill V Maim”

Um conto cyberpunk sobre vampiros, lotado de referências à cultura pop. Quem não conhece Grimes, pelo título de abertura baseado na série americana “Law & Order”, jamais poderia imaginar que veria uma rave sangrenta a seguir (como aquelas de “Blade”), vestes de um “Mad Max” futurista e um encerramento “you died”, retirado direto do game “Dark Souls”. Não dá para não lembrar também de “Cisne Negro”, né? E então concluímos que maravilhoso seria pouco para definir esse clipe. – Sebastião Mota


19. Radiohead, “Burn The Witch”

Todo em stop-motion, sob a direção de Chris Hopewell e inspirado no programa “Camberwick Green” e no clássico de terror “The Wicker Man” (1973), o clipe acompanha um inspetor enviado para investigar uma série de acontecimentos perturbadores numa cidade. Entretanto, ele termina sendo alvo de uma sádica ação da população, que o assiste ser incendiado dentro de uma grande escultura. Esteticamente interessante e com uma puta crítica político-social incorporada. – Maicon Alex


18. Coldplay, “Up & Up”

Em sua vasta videografia, são pouquíssimos erros atribuídos à banda Coldplay. Sempre inovando, reinventando-se e deixando os fãs boquiabertos a cada novo clipe, eles elevaram isso tudo ao máximo que podiam, com a genialidade surrealista de “Up&Up”. Dirigido pela dupla Vania Heymann e Gal Mugya, o clipe tem algumas das cenas mais bonitas do ano, cheio de imagens sobrepostas (e impossíveis!) sobre alusões contemporâneas, criando uma verdadeira obra de arte em movimento. Épico! – Maicon Alex


17. Francis and The Lights, “Friends”

Do cenário neutro e tímidos jogos de câmera à inusitada coreografia, o clipe de Francis and The Lights e Bon Iver, “Friends”, vai na contramão de tudo o que assistimos em 2016 com seu outro parceiro na produção, Kanye West, e acerta ao nos conquistar pelos pequenos detalhes. – Guilherme Tintel


16. Capital Cities, “Vowels”

Uma versão alternativa e ainda mais cool dos videoclipes da Sia, que nos leva pela letra da canção por meio de uma divertida interpretação baseada na língua americana de sinais, enquanto o duo se permite ser mero coadjuvante de toda a produção. – Guilherme Tintel


15. AlunaGeorge, “Mean What I Mean”

Sem George, Aluna Francis transformou o videoclipe de “Mean What I Mean” num descolado hino de representatividade negra e feminina, enquanto curte o momento acompanhada de suas garotas, se é que você nos entende. – Guilherme Tintel


14. Phantogram, “You Don’t Get Me High Anymore”

Sob a direção de Grant Singer, que já esteve por trás dos videoclipes de Sky Ferreira e The Weeknd, “You Don’t Get Me High Anymore” está o tempo todo atingindo limites, com cortes ágeis, cenas urgentes e ares apoteóticos que parecem estarem pertos de explodir, exatamente como sua canção. – Guilherme Tintel


13. Sigma, “Find Me (feat. Birdy)”

Chega a ser irônico que Millie Bobby Brown passe uma temporada inteira de “Stranger Things” em busca de um amigo, para depois protagonizar um clipe chamado “Find Me”. É daqueles vídeos que tem cara de clássico no primeiro refrão e, apesar disso, não é nada muito pretensioso, com uma produção ou efeitos visuais de tirarem o ar. O que dá vida – e muita – é a interpretação explosiva de nossa Eleven, casada com o poderoso vocal de Birdy. Não tem como não emular a futura Natalie Portman sempre que o piano começa a tocar no fone de ouvido. – Sebastião Mota


12. Chance The Rapper, “Angels”

Antes mesmo de lançar a mixtape “Coloring Book”, Chance The Rapper já havia aceitado o papel de super-herói dos dias modernos com o clipe de “Angels”. O vídeo o acompanha voando por sua cidade natal, Chicago, até que faz uma pausa em cima de um vagão que carrega uma festa levada por muito hip-hop e descontração. – Guilherme Tintel


11. The Weeknd, “Starboy”

Em um dos retornos mais gloriosos do último ano, o canadense The Weeknd se sacrifica para dar vida ao Starboy, seu alterego que colhe os frutos que a fama de seu último trabalho trouxe. No clipe da sua parceria com Daft Punk, o cara bota para foder, ostentando carrões e vivendo a vibe mais bad boy possível, enquanto destrói tudo o que remeta a sua antiga persona, pra seguir recriando a si próprio. –Vitor Fernandes


10. Rihanna, “Work (feat. Drake)”

O rebolado de Rihanna talvez tenha garantido uma das cenas mais hipnóticas do ano, mas o clipe de “Work”, em parceria com o rapper Drake, significa mais do que isso. Numa grande festa, a barbadiana resgata e exalta a cultura jamaicana com grande naturalidade, enquanto nos convida para toda a comemoração, com um espetáculo de representatividade que fez um belo contraste com a apropriação bastante refletida nas paradas do mesmo ano. – Guilherme Tintel


09. Blood Orange, “Augustine”

A simplicidade presente neste videoclipe capta bem a essência do trabalho de Blood Orange, do single “Augustine” ao seu novo álbum, “Freetown Sound”, indo além do hype em torno do seu nome enquanto produtor, Dev Hynes, enquanto o justifica por sua bela performance. – Guilherme Tintel


08. Jamie xx, “Gosh”

Sempre que falarmos sobre um videoclipe grandioso daqui em diante, teremos em mente “Gosh”, do Jamie xx, e o fato de que essa produção contou com mais de 400 atores em movimentos sincronizados, sem a contribuição de truques por computadores para serem executados. Ao assistir esse clipe dirigido por Romain Gavras, fica difícil dizer qualquer outra coisa que já não esteja em sua letra: Oh. Meu. Deus. – Guilherme Tintel


07. Solange, “Cranes In The Sky”

“Cranes In The Sky” é uma obra de arte minimalista e de beleza etérea, que aposta numa performance crua de Solange, mas preenche a tela com todas as nuances que compõem a narrativa do single, uma tentativa de aliviar as dores através do álcool, sexo e depressão, ilustrada numa muito-bem-executada fuga da realidade, por seus figurinos simples contrastados com cenários de tirar o fôlego e até algumas coreografias. A prova de que menos sempre pode ser mais. – Maicon Alex


06. Pussy Riot, “CHAIKA”

Embora muitos artistas se vejam como tal, são poucos os que realmente assumem desafios tão revolucionários quanto as mulheres da banda Pussy Riot, um coletivo protestante e feminista em plena conservadora Rússia, que usa a música para disseminar seus ideais de forma tão inteligente quanto ácida, com críticas banalmente objetivas, dentro de um visual inegavelmente pop. O clipe de “Chaika” sintetiza bem tudo isso. – Guilherme Tintel


05. Florence + The Machine, “Third Eye”

Dividida em capítulos, a obra máxima de Florence + The Machine abre espaço para muita interpretação. A narrativa pessoal parte de estórias e sentimentos da vocalista sobre cada música e é transformada em movimento pelos brilhantes Vincent Haycock e Ryan Heffington. Rodado como um “plano sequência”, “Third Eye” não poderia encerrar melhor essa épica poesia, com um ritmo que ascenda na repetição final do seu mantra e transcende com o vocal isolado de Welch. Um dos projetos mais ambiciosos desde os primórdios da linguagem do videoclipe. – Sebastião Mota


04. Fergie, “M.I.LF. $”

Para abrir os trabalhos de seu novo álbum solo, Fergie reuniu um time de amigas que define seu squad goals e lançou uma crítica pontual e bem-humorada sobre a objetificação da mulher. Bem sucedidas e empoderadas, as mães que protagonizam o vídeo dão um novo significado ao termo machista “milf” (agora traduzido como “mães que gostaríamos de seguir”), com um clipe que se aproxima visualmente da linguagem utilizada no pop coreano, por seus grandes cenários, coreografia e movimentos de câmera, além das óbvias referências aos vídeos de hip-hop, onde mulheres e carros são acessórios dos “reis”. – Sebastião Mota


03. Kanye West, “Fade”

A comparação com a icônica cena de “Flashdance” é inevitável, mas, aqui, os movimentos brilhantemente executados por Teyana Taylor parecem carregar um histórico de luta. Cada gota do seu suor é uma afirmação de empoderamento feminino e negro, e existe uma verdade por trás disso. A atriz e cantora, desconhecida pela grande mídia, transparece essa luta através de cada giro e chute, até que se torna uma leoa feroz, que cuida de sua prole, sem desaparecer no meio das ovelhas. – Sebastião Mota


02. David Bowie, “Lazarus”

Iconicidade é a palavra que define a carreira de David Bowie e, em seu videoclipe de despedida, o cantor não poderia ter feito diferente. “Lazarus” soa como uma tragicamente poética carta de adeus de um dos maiores artistas de todos os tempos, retratando sua agonia em estar vivo, contrastada com a sensação de alívio ao se encontrar com a liberdade. – Guilherme Tintel e Vitor Fernandes


01. Beyoncé, “Lemonade”

São poucos os artistas que, na indústria atual, se preocupam tanto quanto Beyoncé com a construção de uma iconicidade que resista ao tempo. Passado o álbum visual autointitulado, era difícil esperar que a cantora se superasse e, ultrapassando nossas expectativas, “Lemonade” chegou para ocupar o título de melhor trabalho de toda sua carreira – e em todos os sentidos. Uma narrativa impactante, dançante e certeira sobre a sua vida enquanto mulher e negra. Ficamos em formação. – Guilherme Tintel