Os 15 melhores videoclipes brasileiros de 2016

O saldo foi positivo para os videoclipes nacionais.

Se uma música é boa, nada melhor do que um ótimo videoclipe para torná-la ainda mais interessante, mas o que define a qualidade desse vídeo? Um bom roteiro? Aquela coreografia de tirar o fôlego? Pênis e vaginas coloridos e simpáticos que balançam para quem quiser ver?

Descubra com a nossa seleção abaixo. Esses são os 15 melhores videoclipes nacionais de 2016:

15. Karol Conka, “É O Poder”

A ascensão de Karol Conka a transformou em mais um nome para o pop nacional e, apesar de suas rimas tê-la tornado um tanto quanto narcisista, seu visual ainda demonstra ter muito o que ser explorado, como é o caso de “É O Poder”. Seu desfile, com alguns dos figurinos mais espalhafatosos que já vestiu até aqui, vai de encontro com tudo aquilo que ela se tornou desde o sucesso e, nesta chuva de referências, começa nas divindades africanas e acaba no fashionismo pop americano. – Guilherme Tintel



14. Lia Clark, “Clark Boom”

Uma vez preparado o trava trava, a drag queen Lia Clark agora chama suas bad guels para o confronto. No meio de sets “acessíveis”, a funkeira mostra que a festa acontece onde ela estiver. Quem nunca mandou uma coreografia depois do rolê em frente a uma oficina fechada, um galpão cheio de pallets ou uma piscina infantil de plástico? Rainha é pouco. – Sebastião Mota



13. Tiago Iorc, “Bang”

Bang! É aquele tiro que não estávamos esperando levar em 2016. O hit de Anitta aqui fica mais lento e ganha acordes de violão e violoncelo. A performance com luz negra e muita tinta neon do músico ainda aumenta o jogo de sedução evocado pelos versos. – Sebastião Mota



12. Céu, “Perfume do Invisível”

De uma atmosfera bem intimista, Céu logo cai em uma viagem psicodélica com técnicas de iluminação que lembram "O Inferno", de Henri-Georges Clouzot, e o uso de "glitches" constantes. Tudo bem sincronizado com a trilha e os movimentos da intérprete. –  Sebastião Mota



11. Banda Uó, “Cremosa”

Desde o primeiro videoclipe de sua carreira, o forte da Banda Uó sempre foi seu catálogo de referências. Em “Cremosa”, a banda aproveita a sonoridade resgatada do álbum “Veneno” para explorar o obscuramente colorido passado da TV brasileira, com ícones que vão da ‘Banheira do Gugu’ ao sucesso do É O Tchan, amarrando todas essas ideias dentro de um contexto que promove um creme que promete verdadeiros milagres, como conta a letra da música. Uma produção crítica, humorada e muito bem executada. – Guilherme Tintel



10. Braza, “Embrasa”

Formada por membros remanescentes da Forfun, a banda BRAZA surge com uma proposta tão diferenciada quanto seu projeto anterior no tempo em que fora lançado. O clipe de “Embrasa”, por sua vez, exalta a cultura jamaicana, das danças aos rituais religiosos, numa forma de apresentar a mensagem da banda no seu primeiro contato com o público e, levando seu conceito ao ápice visual, pintado por cores que remetem ao calor do fogo. – Guilherme Tintel



09. Gloria Groove, “Império”

Prova de que a revolução queer já começou, a rapper carrega em “Império” a luta de todo LGBTQ marginalizado no Brasil. Além de várias drag queens já conhecidas no cenário, a diva reúne em seu império um time de dançarinos fora do padrão cis e heteronormativo em looks impecáveis para que juntos tomem seus lugares de direito na sociedade e mídia.  – Sebastião Mota



08. Mahmundi,  “Eterno Verão”

Quem disse que precisa ser verão pra estar de frente pro mar? Através de um jogo de imagens onde nunca é mostrado o óbvio do que o verso aponta, Mahmundi subverte o significado da estação e define que verão mesmo é um estado de espírito que você pode atingir em qualquer período do ano. Sentando numa cadeira, olhando para o céu, numa piscina de apartamento… tudo é um lugar pra descansar. – Sebastião Mota



07. Baleia, “Volta”

É difícil tirar os olhos da tela quando começa “Volta”, da banda Baleia, e os motivos são muitos. Enigmático do início ao fim, o clipe é ilustrado por um ritual de purificação, protagonizado pelo ator Igor Angelkorte, e em meio aos devaneios de seu personagem, criam uma áurea grandiosamente singular, que nos prende pelos detalhes, bem como necessidade de compreender o discurso por trás de todos os elementos. – Guilherme Tintel



06. O Terno, “Ai Ai, Como Eu Me Iludo”

Se a evolução d’O Terno foi enorme em seu novo disco, “Melhor do que parece”, o mesmo se estende aos videoclipes, como é o caso de “Ai Ai, Como Eu Me Iludo”. Com uma estética fria, combinando com a temática de solidão, o vídeo começa com um anúncio retrô, sobre uma nova linha de “bonecos-assistentes”, que te ajudam em tarefas simples na cozinha, mas quando um cozinheiro se arrisca com a nova tecnologia, ele não contara com a possibilidade do seu boneco ser cheio de sentimentos, se apaixonando por todas as mulheres que vê pela frente, das reais às capas de revistas, além de outras que também são bonecas como ele. Tudo se desenrola entre essas paixões platônicas, com um fim que nos faz sentir pelo pequeno, que até tem uma chance de ser feliz. – Guilherme Tintel



05. Clarice Falcão, “Eu Escolhi Você”

Entre suas muitas definições, a arte se encontra na posição de nos causar reações, indo além da admiração ao que é belo, mas, também, podendo gerar repulsa, agonia, medo e outras sensações. Tudo isso, entretanto, é discussão demais para o que realmente temos em “Eu Escolhi Você”: um monte de pintos e vaginas comuns e engraçadinhos. A maneira como Clarice despretensiosamente soube narrar sua canção de uma forma tão fora dos trilhos, numa produção que vai na contramão da mania brasileira de lançar vídeos sempre tão explicados do pé a cabeça, é o que torna algo tão banal, interessante demais para ser só divertido. – Guilherme Tintel



04. Rico Dalasam, “Esse Close Eu Dei”

Sente esse calafrio, bee! O CEO na empresa Close S.A. abraça todas as suas conquistas até aqui, criando um paralelo de sua trajetória - da simplicidade das favelas de São Paulo até se tornar uma das maiores referências de moda do mundo. Cenários bem desenhados, figurinos dignos de capa da Vogue… não teria como começar os trabalhos do primeiro álbum com close melhor. – Sebastião Mota



03. Anitta, “Essa Mina É Louca”

Essa mina é louca, mas também é muito inteligente. No segundo registro de “Bang” e primeiro hit de 2016, Anitta e Jhama vivem um casal fora do convencional, cercados por uma plástica colorida e doce. Seguindo aquela direção cartunesca já apresentada, o ponto máximo se dá com a participação da atriz Ísis Valverde e a referência ao single anterior. Para um país que até então não tinha muitas referências de videoclipe no meio mainstream, a dona do mundo tem feito um trabalho grandioso e a brasilidade de “Essa Mina é Louca” só evidencia isso. – Sebastião Mota



02. Emicida, “Mandume”

Os videoclipes de Emicida serão verdadeiros marcos na história audiovisual nacional e, quando se juntou com Drik Barbosa, Rico Dalasam, Raphão Alaafin, Amiri e Muzzike em “Mandume”, o rapper não decepcionou mais uma vez, acompanhado de uma crítica que apoia do feminismo negro à resistência das religiões de origem africana, dando o tom e imagem para a revolução que assistimos levantar aos poucos. – Guilherme Tintel



01. MC Linn da Quebrada, “Talento”

Se representatividade e empoderamento foram teclas insistidas ao longo do ano, MC Linn da Quebrada foi quem melhor explorou as duas expressões, dentro de uma produção independente e de grandiosidade absurda, na qual critica a LGBTfobia dando espaço pra que as próprias mulheres trans se manifestem sobre a violência sofrida, por meio de depoimentos e performances, que se tornam uma de suas formas de resistir, visto que, para os intolerantes, elas incomodam só pelo fato de existirem. “Talento” alcança todas essas pontas dentro de uma produção impecavelmente completa, tocando na ferida e, muito provavelmente, te causando arrepios do início ao fim. – Guilherme Tintel