Os 35 melhores álbuns brasileiros de 2016

Como dizem os caras d’O Terno em um dos nossos discos favoritos de 2016, “tudo está melhor do que parece”.

Como dizem os caras d’O Terno em um dos nossos discos favoritos de 2016, “tudo está melhor do que parece”. Assim como passamos o ano divulgando e enaltecendo os muitos hinários internacionais, também precisamos abrir espaço para os artistas brasileiros que, sem dúvidas, nos representaram da melhor forma possível, e do pop ao rap, o que não faltaram foram opções.

Elza Soares fez o melhor álbum de sua carreira e, sob o título de Mulher do Fim do Mundo, entregou o melhor que a música nacional poderia ser, acompanhada de outras mulheres que fizeram nossa trilha sonora valer a pena, da MC Carol às estreantes do duo Anavitória.

Para um ano em que assuntos como racismo, homofobia e feminismo foram intensamente discutidos, o disco de estreia do Rico Dalasam, “Orgunga”, foi uma pedida e tanto, colado em “Outra Esfera”, da Tássia Reis, e o ousado projeto que resultou em “Sabotage”, álbum póstumo e autointitulado do melhor rapper que o Brasil já conheceu.

Esses são os 35 melhores discos nacionais de 2016:

35. Mayam, “8”



Apesar da inspiração científica para o título do álbum, “8” é bem terrestre e pé no chão. Voltamos ao passado, época dos primeiros amores e arrependimentos, em busca de amadurecimento. Sempre olhando para a frente. Mayam passeia entre o rock e a MPB, mas o uso de elementos eletrônicos é bem presente nas oito excelentes composições. – Sebastião Mota

Pra testar: “De Nós Dois (part. Maria Gadú)”, “As Cordas” e “As Horas Passam”.

34. Luísa Maita, “Fio da Memória”



A influência do samba e bossa nova continua tão presente neste álbum de Luísa Maita quanto em seu antecessor, o disco de estreia “Lero-Lero” (2010), com a diferença de que, neste trabalho, a cantora se permite reexplorar essas inspirações, enquanto brinca de misturá-las com outros gêneros e estilos. O resultado é um disco inventivo, diverso e, mesmo com toda sua variedade, bastante coeso. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Na Asa”, “Porão” e “Música Popular”.

33. Felix Robatto, “Belemgue Banger”



Félix é o tipo de artista que torna a música brasileira ainda mais rica. Em “Belemgue Banger” o músico reafirma a importância histórica da cultura paraense no cenário nacional. Por trás de 12 faixas leves, bem humoradas e descontraídas, existe uma pesquisa sobre os gêneros musicais que deram origem ao que conhecemos hoje por lambada e guitarrada, contando ainda com uma regravação do rei do carimbó, Pinduca. Difícil é segurar a pélvis depois de apertar o play. – Sebastião Mota

Pra testar: “Vamos Farrear”, “Sereia Elétrica” e “Hoje Vai Ter Fritação”.

32. Rashid, “A Coragem da Luz”



Se a principal influência de Emicida em seu último álbum foi Kanye West, é Kendrick Lamar quem notavelmente inspirou o disco de estreia do rapper Rashid. “A Coragem da Luz” remete a revelação do hip-hop principalmente por sua sonoridade, que abraça do jazz ao samba, mas também traz muito de Lamar na maneira como o brasileiro aborda tantos assuntos de uma forma sutil e que, ainda assim, toca na ferida, indo do racismo às desigualdades sociais. Com um repertório que nos atrai por sua vastidão, não só musicalmente, o rapper discute com referências à clássicos como “Pulp Fiction”, “Laranja Mecânica” e “1984”, excepcionalmente bem aplicados à sociedade atual. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Homem do Mundo”, “Laranja Mecânica” e “A Cena”.


31. Carne Doce, “Princesa”



A carne é doce, mas é dura. Contrastando com o titulo do álbum, “Princesa” é um grito de luta pró-feminista. Banhado pelo rock psicodélico e experimental, por vezes soa como recordações da cantora, mas sem fugir do discurso principal do disco. A coroa pela qual a princesa de Carne Doce luta para colocar na cabeça é a da igualdade, da luta pelo fim da cultura machista e do falocentrismo. – Sebastião Mota

Pra testar: “Cetapensâno”, “Amiga” e “Artemísia”.


30. Sarina, “Ela”



Em seu segundo disco, o trio multicultural reúne em 10 canções românticas temas do cotidiano, costurando o indie rock aos elementos regionalistas. Concebido inteiramente de maneira independente, o ponto forte são os vocais leves, mas poderosos, brilhantemente casados com a música nordestina. – Sebastião Mota

Pra testar: “Nova”, “Traiçoeira” e “Colheita”.

29. Baleia, “Atlas”



Denso. Essa é uma definição adequada para o segundo álbum do sexteto carioca. “Atlas” é sobre o mundo contemporâneo, a vida urbana, a ruptura de modelos e o bombardeamento de informações às quais somos submetidos diariamente. É sobre a relação com a cidade, as escolhas e como lidar com suas consequências. Tal qual o titã condenado por Zeus, na mitologia grega, estamos fadados a carregar esse mundo caótico. Se no debut “Quebra Azul” (2013), Baleia era 8, em “Atlas” é 80. Tudo é pensado, é coeso. Cada instrumento, cada ruído, cada distorção no vocal. Tudo. Daqueles álbuns que revelam algo novo a cada vez que você o escuta. Sem dúvidas, Baleia é uma das bandas mais interessantes da história da música brasileira. – Sebastião Mota

Pra testar: “Hiato”, “Volta” e “Estrangeiro”.

28. Monza, “Hoje Foi Um Dia Fantástico”



Se ainda existem barreiras entre o rock e a música pop, a banda Monza encontrou formas de burlá-las em alguma época entre o final dos anos 80 e metade da década seguinte. “Hoje Foi Um Dia Fantástico” é um disco homogêneo e, em sua essência, carrega guitarras cansadas, contrastadas com versos bem-humorados, quase como aquele sorriso esgotado depois de um dia puxado. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Helena”, “De Manhã” e “Pedido de Casamento”.

27. Raphão Alaafin, “Eu Gosto”



Embora seja esse seu disco de estreia, Raphão Alaafin transparece muita confiança no seu taco em “Eu Gosto”. De Marcelo D2 aos Racionais, são muitas as influências da música brasileira no seu som, que invoca ainda muitas doses de soul, jazz, rock e até funk carioca. Originalmente lançado em 2015, o CD ganhou notoriedade nas plataformas de streaming neste ano e, por conta disso, chegou aos nossos ouvidos. A surpresa pela nova descoberta não poderia ter sido melhor. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Rap Sim, Rap Não”, “Vinheta 3” e “Cuidado! Tem Guardinha no Rap”.

26. Liniker e os Caramelows, “Remonta”



Nos anos 80, Sandra de Sá e Tim Maia cantavam que valia tudo, menos dançar homem com homem e mulher com mulher. Mais de trinta anos depois, Liniker chega não só disposto a ir contra esse pensamento, como também ser o homem e a mulher. “Remonta” é um disco que ilustra toda a diversidade que envolve o nome do artista e, do início ao fim, justifica o espaço que ele conquista desde o EP “Cru” (2015), com influências que vão do motown sessentista ao pop da atualidade. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Remonta”, “Você Fez Merda” e “BoxOkê”.

25. MC Guimê, “Sou Filho da Lua”



Anitta diluiu o funk nacional dentro da música pop e, desde então, foram muitos os nomes que tentaram seguir seus passos, sendo um dos artistas mais convincentes até aqui MC Guimê. Na contramão do rap, que tem se encontrado em influências do soul e jazz, como influência dos EUA e a ascensão de nomes como Kendrick Lamar, o disco “Sou Filho da Lua” coloca o brasileiro dentro de um território indiscutivelmente pop, no qual amadurece o conteúdo que já carregava nos singles lançados até aqui e explora ainda mais vertentes numa sonoridade que pende para o lado eletrônico da força. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Sampa”, “Aliados” e “Eu Vou Que Vou”.

24. Mahmundi, “Mahmundi”



Quem disse que o pop nacional morreu? Está vivíssimo e muito bem, obrigado. “Mahmundi” demorou, mas finalmente aconteceu. Veio quente e fervendo, como já sugere a capa ensolarada. Aquela vibe oitentista dos EPs segue mais refinada, com algumas velhas conhecidas em nova roupagem. Ainda temos muito a conhecer do "mundo de Marcela". – Sebastião Mota

Pra testar: “Calor do Amor”, “Leve”, “Eterno Verão”.

23. Supercombo, “Rogério”



A identificação pode ou não ser algo positivo quando se trata do quarto álbum da banda Supercombo. “Rogério” ultrapassa o caricato quando, por meio de suas faixas, não só narra uma história, como descreve um pouquinho de todos nós e nossos dilemas de cada dia, para terminar com uma lição de moral que, ao som da parceria com Negra Li em “Lentes”, soa inusitadamente positiva. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Magaiver”, “Bomba Relógio” e “Lentes”.

22. Tássia Reis, “Outra Esfera”



A força de Tássia Reis transborda dos vocais às percussões de seu álbum de estreia, que, ao decorrer das canções, nos transporta para “Outra Esfera”, como sugere seu título. A sonoridade eletrônica, majoritariamente guiada pelo trip-hop, passeia ainda pelo R&B e, no caso da marcante “Se Avexe Não”, até pagode, com letras sobre feminismo, luta negra e romantismo. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Ouça-Me RMX”, “Semana Vem” e “Se Avexe Não”.


21. Fetuttines, “Impossível Só”



Em apenas dez faixas, o duo Fetuttines consegue ir da música brasileira ao eletrônico francês no disco “Impossível Só”, marcado pelo contraste dos beats e sintetizadores com os vocais característicos e totalmente cantados em português, indo do minimalismo à grandiosidade dos detalhes. Boa pedida de música eletrônica com letras verdadeiramente aceitáveis. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Revolucionar”, “A Cor de Tuddo” e “Impossível Só”.

20. Séculos Apaixonados, “O Ministério do Coração”



Primeiramente, fora Temer! Em segundo, não, o título do álbum não se trata de uma gíria gay, mas de uma brincadeira entre os membros da banda. Séculos Apaixonados seguiu a mesma linha rock oitentista apresentada em seu álbum de estreia, “Roupa Linda, Figura Fantasmagórica” (2014), dando uma cara mais dance. Talvez pelo instrumental mais rápido e mixagem limpa. Diferente das demais bandas que resgataram elementos de décadas passadas, Séculos se destaca por não ter medo de se entregar completamente ao espírito da época. A bateria, o teclado frenético, as composições, o clima nostálgico é garantido e, sem perceber, o mais tímido dos ouvintes logo se imagina fazendo “dois pra lá, dois pra cá”. – Sebastião Mota

Pra testar: “Disfarçando Riquezas na Triagem”, “A Origem das Espécies” e “Dedo em Riste”.

19. Autoramas, “O Futuro dos Autoramas”



Idas e vindas, com mudanças que preocuparam seus fãs, marcam a estreia do novo Autoramas, com a resposta para a pergunta que provavelmente ecoou entre o seu público. Felizmente, “O Futuro dos Autoramas” soa promissor, resgatando algumas das principais características da discografia da banda, enquanto os adequam ao cenário pop da atualidade, entre guitarras, influências new wave e toda aquela roupagem suja dos álbuns anteriores. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Quando A Polícia Chegar”, “Problema Seu” e “A Sua Vinda Até Aqui”.

18. Anavitória, “Anavitória”



A dupla formada por Ana Caetano e Vitória Falcão foi descoberta após publicar covers no Youtube e, apadrinhada por Tiago Iorc, lançou no último ano seu álbum de estreia autointitulado, inicialmente apresentado como um material pop, enquanto musicalmente passeia entre o folk e sertanejo, remetendo aos trabalhos de artistas como Banda do Mar, Clarice Falcão, Cícero e seu próprio padrinho, que colabora na faixa “Trevo (Tu)”. Um sopro de ar fresco despretensiosamente grandioso. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Singular”, “Trevo (Tu)” e “Talvez a Deus”.

17. Rael, “Coisas do Meu Imaginário”



Do encontro de Sabotage com o trap do Tropkillaz ao disco funk e inspirado pelo Motown do Mano Brown, são muitos os exemplos de evoluções e experimentações do rap brasileiro no último ano, e agora acrescentamos à lista o disco do Rael, “Coisas do Meu Imaginário”. Em seu disco, entretanto, o rapper parece seguir os passos de outros nomes do momento, como Emicida e Criolo, assumindo inspirações no reggae, pop e MPB, que embalam letras críticas ao racismo, intolerância religiosa e até mesmo o comportamento das pessoas na era virtual. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Do Jeito”, “Estrada” e “Descomunal”.

16. Trem Fantasma, “Lapso”



É como se Cachorro Grande tivesse um filho que ouvisse muito Pink Floyd, Tame Impala e um tanto de Nick Cave também, vai. Muitíssimo bem produzido pelo Beto Bruno, do Cachorro Grande (olha aí), a psicodelia vive no álbum de estreia da banda paranaense. A colagem sonora do Trem Fantasma te leva numa viagem a um lugar de completa inexistência material, um lapso no espaço e tempo. – Sebastião Mota

Pra testar: “Nebulosidade”, “Lua Alta” e “Dublinense”.

15. Cachorro Grande, “Electromod”



Cachorro Grande sempre foi interessante fazendo aquilo que se propunha (e muito bem, diga-se de passagem), mas só em 2014, com seu “Costa do Marfim”, que a banda se arremessou de sua zona de conforto. Foi daquele rock Beatles, certinho, ao psicodélico. O que era pra ser um álbum de experimentação, acabou servindo de trampolim para o que veio em seguida. “Electromod”, o oitavo álbum dos gaúchos, rompe completamente com aquele som típico da banda. Entra agora a guitarra pesada, a bateria alta e um vocal punk. Tudo costurado com muitos elementos eletrônicos setentistas. – Sebastião Mota

Pra testar: “Tarântula”, “Nem Tudo É Mais Como Era Antes”, “Pandora”.

14. Matheus Brant, “Assume Que Gosta”



“Você fala que não gosta da levada do arrocha, mas quando toca nem nota seu quadril querendo ir”, canta Matheus Brant na segunda faixa do disco “Assume Que Gosta”. Em tempos de Tiago Iorc e todo um esforço pra que a música pop nacional soe cada vez mais homogênea, é na pluralidade de todas as vertentes do que é popular e brasileiro que Brant se encontra, numa sonoridade que casa muito bem com o visual brilhante e colorido de sua capa. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Assume Que Gosta”, “A Levada do Arrocha” e “Pagode”.

13. Braza, “Braza”



O álbum de estreia autointitulado da banda BRAZA consegue ser despretensioso e intenso na mesma medida, soando como uma evolução ao trabalho anterior, com a banda Forfun, e uma clara postura mais aberta às experimentações, que contribuem para toda a mistura da sua sonoridade, do rock ao reggae. Um disco dançante, vibrante e, ainda assim, leve. É quase impossível não seguir o baile. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Segue o Baile”, “Normal” e “We Are Terceiro Mundo”.

12. O Terno, “Melhor do Que Parece”



Daquele discos melancólicos que te fazem dançar, não importa a dor, a culpa ou o arrependimento. “Melhor Do Que Parece” tem aquela felicidade comedida que deixa qualquer pessoa caidinha de amores pela banda. Com muito pop agridoce e forte influência motown, O Terno consegue estampar sorrisos de ponta a ponta nos nossos rostos após revisitar diversas formas de dor e saudade, até fechar o ciclo com a faixa-título. – Sebastião Mota

Pra testar: “Culpa”, “Não Espero Mais” e “Deixa Fugir”.


11. Mano Brown, “Boogie Naipe”



Do rap-pop de Kanye West aos classudos flertes de Kendrick Lamar com o jazz e soul, o hip-hop seguiu abraçando cada vez mais influências e, no Brasil, isso surtiu efeito nas mãos de Mano Brown, que estreou na sua carreira solo após duas décadas à frente dos Racionais MCs, com o disco “Boogie Naipe”. Em tom nostálgico, que resgata a era disco e da black music brasileira, o primeiro álbum de Brown apresenta uma faceta pouco explorada ao longo dos últimos anos com seu coletivo, com inspirações que vão do nosso próprio R&B ao Marvin Gaye e Motown. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Boa Noite São Paulo”, “Foi Num Baile Black” e “Flor do Gueto”.

10. Céu, “Tropix”



Céu jamais se repete. “Tropix”, seu quarto e ainda mais visionário álbum de estúdio, é um universo de “músicas noturnas”. Sem uma atmosfera nebulosa, o vocal peculiar da paulistana agora recebe uma textura eletrônica e entrega cada canção de maneira diferente. Da disco à tropicália, bolero, reggae, trip-hop, até a psicodelia, a ambiência sintética de “Tropix” nos leva em uma viagem por diferentes épocas e lugares, com intervalos instrumentais bastante precisos e sem pressa alguma. – Sebastião Mota

Pra testar: “Perfume do Invisível”, “Varanda Suspensa” e “Rapsódia Brasilis”.

09. Barro, “Miocardio”



Em seu primeiro álbum solo, Barro mostra que a principal e única regra para fazer pop em sua melhor forma é não seguir regras. O pernambucano parte de elementos da música nordestina, reúne influências do indie, rock, funk, reggae e música africana para contar histórias românticas. Barro junta um time de vozes de várias partes do planeta para nos lembra que “a festa é popular, não tem pulseira vip”. – Sebastião Mota

Pra testar: “Vai”, “Despetalada” e “Piso em Chão de Estrela”.


08. Clarice Falcão, “Problema Meu”



Clarice trouxe verdades. Em seu segundo álbum de estúdio, somos muito gratos pela cantora e compositora trocar o característico violão de “Monomania” (2013) por grandes produções com camadas de instrumentos e elementos eletrônicos, mas mantendo as composições agradavelmente inconvenientes. Clarice agora passeia pelo pop, rock e indie, trazendo influências de bandas como a alternativa MGMT. – Sebastião Mota

Pra testar: “Ironico”, “Eu Escolhi Você” e “Eu Sou Problema Meu”.

07. O Teatro Mágico, “Allehop”



Allehop é uma contagem regressiva feita antes do início de um espetáculo circense. E esse é o espetáculo d'O Teatro Mágico. O quinto álbum de estúdio da banda, originada em Osasco, aposta em uma nova sonoridade mais alegre, colorida e dançante, distante do indie folk já conhecido pelos fãs. O violão agora cede espaço aos sintetizadores, criando uma atmosfera oitentista e ao mesmo tempo moderna, sem perder a poesia forte presente em “Grão do Corpo”. Esse álbum é mais uma mágica que O Teatro soube tirar de sua cartola. – Sebastião Mota

Pra testar: “Quando se Distrai”, “Deixa Ser” e “Um Filme”.


06. Sabotage, “Sabogate”



O visionário é aquele capaz de ver além do momento atual, prevendo os passos seguintes e, desta forma, idealizando maneiras de se preparar para isso. Sabotage, definitivamente, foi um artista visionário. Um dos maiores rappers brasileiros nos trouxe novos ensinamentos com seu primeiro álbum póstumo, autointitulado, e entre colaborações com Tropkillaz, Negra Li, Rappin’ Hood, Dexter e Céu, todas as faixas demonstram a preocupação dos envolvidos na produção em resgatar suas principais características, mantendo-o vivo por suas rimas e, na mesma postura à frente do seu tempo, materializando sobre o que ele provavelmente estaria cantando nos dias de hoje. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Mosquito”, “País da Fome: Homens Animais” e “Quem Viver Verá”.


05. MC Carol, “Bandida”



“Você se fodeu, sou mais esperta que você. Você tá doidão, seus amigos vão te comer”, canta MC Carol em “A Vingança”, faixa que fala sobre a maneira que ela deu o troco para um cara que pretendia abusá-la sexualmente. Sem qualquer discurso polido para as rádios ou pensado para emplacar uma trilha sonora da Globo, é no proibidão que a MC se encontra no disco “Bandida”, abordando do racismo à política, enquanto levanta sua bandeira de mulher e negra e, apesar dos temas pesados, nos entrega tais reflexões sob as dançantes batidas de Leo Justi. – Guilherme Tintel

Pra testar: “100% Feminista”, “A Vingança” e “Delação Premiada”.


04. BaianaSystem, “Duas Cidades”



Uma vez que você entrar na dança do BaianaSystem, fica quase impossível sair. No segundo álbum da banda, “Duas Cidades”, eles embalam importantes discussões sobre desigualdades sociais em meio aos arranjos dançantes e extremamente diversos, que passeiam do reggae ao axé, com um pé no dancehall, entre outros gêneros. É brasileiro e abrasileirado, recheado de referências e, como está vendo nesta lista, um dos discos mais interessantes de 2016. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Bala na Agulha”, “Playsom” e “Panela”.

03. Fresno, “A Sinfonia de Tudo Que Há”



Menos é mais. Sem grandes pretensões (se comparamos com "Revanche" ou "Infinito"), Fresno consegue nos levar em uma viagem transcendental em seu sétimo álbum de estúdio. Das composições introspectivas, bastante presentes em toda a sua discografia, até os arranjos minimalistas e universais, “A Sinfonia de Tudo que Há” é uma miscelânea de hinos atemporais acompanhados por orquestras e explosões milimetricamente planejadas. Ah... e Caetano Veloso é só a cereja do bolo. – Sebastião Mota

Pra testar: “Hoje Sou Trovão”, “Poeira Estelar”, “Deixa Queimar”.

02. Rico Dalasam, “Orgunga”



Um dos pioneiros do 'queer rap' no Brasil, Rico Dalasam vem quebrando barreiras de gênero com um discurso que levanta bandeiras de orgulho negro e gay, palavras que formam o título do seu álbum de estreia, “Orgunga”. Passeando entre elementos tradicionais do hip hop e ritmos africanos, trap, pop rock e samba, Dalasam segue os trabalhos iniciados com EP “Modo Diverso” (2014), sem poupar nas rimas fortes e necessárias, afinal, “vira passado igual Rouge se nós não rugir”. – Sebastião Mota

Pra testar: “Milimili”, “Esse Close Eu Dei” e “Dalasam”.

01. Elza Soares, “A Mulher do Fim do Mundo”



Apesar do lançamento físico em 2015, foi apenas no ano seguinte e por meio das plataformas de streamings que conhecemos “A Mulher no Fim do Mundo”, de Elza Soares, e simplesmente não conseguiríamos seguir com essa lista sem reconhecê-lo, em um ano que até o New York Times se deitou para a brasileira e seu memorável material. Em seu trigésimo quarto álbum, Elza transcende qualquer barreira que ainda existisse sobre sua música e história enquanto mulher negra e, quase que no sentido literal, guerreira, sob uma sonoridade que vai do seu tradicional samba aos riffs de guitarra, sintetizadores e outros flertes eletrônicos. Um álbum que sempre deve ser ouvido do início ao fim. – Guilherme Tintel

Pra testar: “Maria da Vila Matilde”, “Pra Fuder” e “O Canal”.

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