Xixi ao lado do Darth Vader? Hamburgão com a Arlequina? O que eu achei da minha primeira vez na CCXP!

Tudo era novidade, grandioso e impressionante, mas não tinha como ser diferente.


Se tem uma expressão que defina a Comic-Con Experience 2016, eu diria que esse foi um evento “democraticamente nichado”. E isso é o que a torna tão “do caralho”. Aliás, taí outra expressão que a sintetiza muito bem.

A versão brasileira de um dos maiores eventos nerds do mundo consegue ser tão nerd quanto descolada, agradando dos fãs de HQs aos viciados na mais-última-série da Netflix, ainda com espaço para os animes, blockbusters, filmes-qualquer-coisa de Youtubers e animações que ganham espaço nas programações matinais da tv fechada.

Sendo essa a minha primeira vez na CCXP, tudo era novidade, tudo era grandioso, mas mesmo nas edições seguintes, será difícil não ser desta forma. Afinal, em que outro evento você come um dos melhores hambúrgueres da sua vida (foi no X-Picanha, recomendo!), enquanto tem ninguém menos do que Arlequina, do “Esquadrão Suicida”, acabando com algumas batatas fritas bem do seu lado? Em outro momento, ainda tive a honra de fazer xixi do lado do Darth Vader, o que, definitivamente, foi um dos momentos mais icônicos de toda a minha vida. Só faltou ele dizer que era meu pai.

A forma como os fãs tornam a Comic-Con ainda maior do que a própria convenção se propõe é ainda mais foda. Você podia andar pelo mesmo espaço por horas e, mesmo assim, nunca veria a mesma coisa, vez ou outra esbarrando com figurinhas repetidas (falando por alto, talvez tenha passado por algumas trinta bilhões de Arlequinas), mas não com as mesmas pessoas e, ainda assim, uma infinidade de personagens, gêneros e histórias, sem falar nos mais inusitados crossrovers que você respeita.

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Ainda com o público, é possível perceber a forma como, ali dentro, os adultos se tornam as crianças – e as crianças, por sua vez, se rendem ao trabalho duro dos adultos, visto que tinham várias famílias totalmente caracterizadas.

Senti falta de ‘cosplayers’ negros, podendo contar nos dedos a quantidade vista nos últimos dois dias do evento, mas os poucos que vi foram vestidos de personagens que também são negros, como o super-herói Super-Choque e Finn, o stormtrooper negro do último “Star Wars”, além de uma versão da Garnet, de “Steven Universe”, que tem a pele rosada na animação, mas conta com um baita black power.

Essa questão, por outro lado, reflete a tão criticada falta de protagonistas negros nos cinemas e outras produções, que cai bem para essa edição da CCXP, que abordou uma discussão sobre a etnia dos super-heróis em um de seus painéis.

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Na contramão, quem pareceu se sentir em casa foram os descendentes de famílias orientais, que usaram e abusaram dos cosplays de personagens dos animes e mangás. Representatividade rolou por aqui.

Infelizmente, o que também rolou bastante foi machismo. Foram vários os momentos em que cosplayers femininas foram assediadas e alvo de olhares e câmeras de celulares invasivas, desrespeitosas, sendo um dos momentos mais incômodos que presenciei quando uma delas, com uma personagem de “Street Fighter” que não identifiquei, precisou se afastar durante uma foto, porque o cara insistia em tentar beijar seu rosto.

A objetificação da mulher tem sido pauta frequente entre os fãs de games e HQs e um dos maiores sucessos dessa CCXP, Arlequina, desencadeou alguns desses debates desde o sucesso de “Esquadrão Suicida”, mas seus fãs masculinos ainda têm muito o que aprender.

Apesar desses pontos, a sensação no final é de realmente dividir um espaço democrático entre seus nichos, que te deixa confortável o suficiente para tietar um casal de velhinhos fofos, vestidos como no desenho “Coragem, um cão covarde” – e o melhor, confortável o suficiente para fazer com que eles dois quisessem ir vestidos como os personagens da animação.


Como um todo, o evento também impressiona por sua organização e demonstra ter tudo para crescer ainda mais nos anos seguintes, conquistando o apoio e confiança de algumas das maiores produtoras mundiais, que provavelmente nos renderá outras muitas exclusividades e participações especiais.

No ano que vem, é certo que estarei por lá. E talvez caracterizado também, vai que.