“É um momento mágico”, nos conta MC Guimê, após lançamento do CD “Sou Filho da Lua”

A gente teve a oportunidade de bater um papo com MC Guimê logo após o lançamento do single “Viva La Vida”, primeiro do seu disco de estreia, “Sou Filho da Lua”, e agora que o disco foi lançado, na última sexta-feira (11), voltamos a conversar com o brasileiro, para falar sobre onde chegou com a sua carreira até os dias atuais, um pouco mais sobre esse novo trabalho e quais serão seus próximos passos.



“Sou Filho da Lua” marca, antes de qualquer coisa, uma reinvenção de Guimê, que se distancia aos poucos do funk, com influências do pop internacional, e com colaborações que vão do seu velho amigo, Emicida, aos produtores eletrônicos do Tropkillaz, garante um compilado bastante diversificado, que ainda traz vocais de Negra Li e Claudia Leitte.

Confira nosso bate-papo com ele abaixo:

It: Quais foram suas maiores inspirações para compor o “Sou Filho da Lua”?
Mc Guimê: Eu sou um cara que me inspiro em todos os tipos de música, sou bastante eclético. O que eu trouxe de principal nesse álbum são as batidas eletrônicas, o que a galera lá fora tá fazendo. Eu trouxe também parte da minha ideia lírica, da minha vontade de escrever, do lado rapper. Eu tenho o lado funk festa, mas eu também tenho um lado rapper consciente. Eu juntei tudo isso que eu já tenho, coisas que eu vou absorvendo de cada música que eu ouço, tudo me traz ideias e inspirações. Gosto do que o produtor e DJ Diplo tem feito, ele é uma das minhas maiores influências agora e eu quis levar para o estúdio, isso é moderno, é legal e é o que eu gosto.

It: Suas músicas têm perdido um pouco a ostentação que te colocou na cena, principalmente as que estarão no próximo lançamento. Você não vê futuro nessas composições?
Mc Guimê: Meu foco como músico sempre foi evoluir e conseguir me qualificar melhor. Hoje em dia, graça a Deus, eu tenho a oportunidade de ter um bom estúdio para gravar, pra produzir, cada vez mais material, cada vez mais instrumentos, banda... A gente acaba querendo fazer outras coisas além do tamborzão e o beat. O passo do ser humano é evoluir cada vez mais, mas sem deixar para trás a essência do funk. A maioria das batidas deste disco tem o beat box presente, o tambor, tem a cara do funk, porém tem muita atualidade, muita mistura. Eu trouxe artistas de outros estilos musicais pra gravar comigo coisas do meu gênero, então a gente precisava misturar, precisava quebrar um pouco dessas fronteiras entre o funk e outros estilos musicais, isso trouxe muita modernidade, por isso o tema das músicas fica longe da ostentação direta que eu fazia. Tem ainda um pouco como na música “Viva la Vida”, em parceria com o Tropkillaz, que fala em viver, festas e curtição, porém a gente está mais maduro, com milhares de outras ideias ao redor, falando de fé, de alegria, falando de amigos e ouvindo o que os outros parceiros tem a falar no álbum. Mudou muito porquê não é mais uma parada que eu estou fazendo só. Quando eu fazia sozinho era algo mais underground, hoje em dia eu tenho muita gente trabalhando comigo, cada um põe a sua opinião, seu jeito de trabalhar. Isso agrega muito, me faz voltar para casa melhor e maior, crescendo na vida mesmo.



It: Como você caracteriza essa nova fase da sua carreira?
Mc Guimê: Eu caracterizo como uma frase de uma música minha mesmo: “olha só onde a gente chegou”. Graças a Deus, eu acho que estou nessa fase agora, eu trouxe esse disco com todas as parcerias que eu tinha vontade de fazer, vai ter uma festa de lançamento, muitas coisas legais, uma turnê, novos shows, acho que tudo isso está sendo uma parada que eu queria muito. Eu estou visando a arte da realização pessoal minha, porque eu gosto de me realizar primeiro pra passar essa verdade para o público. Com certeza essa parada que vai acontecer comigo agora é um momento mágico, Deus está me abençoando nesse momento e me dando esse álbum que é o “Filho da Lua”.

It: Além da Lexa e do Tropkillaz, quem mais está com você desse disco?
Mc Guimê: Esse disco eu tenho como parceiro Marcelo D2, Claudia Leitte, Negra Li, Emicida, Rael, Cone Crew Diretoria, Haikaiss, Mc Lon, Mc Rodolfinho e Mr Catra. Toda essa galera, essas pessoas que tem vínculo comigo, uns eu conhecia desde o começo da carreira, outros eu conheci pelos bastidores, todas essas pessoas que estavam ali eu chamei para fazer esse time, essa seleção.


It: O que essas parcerias agregam na sonoridade da sua música?
Mc Guimê: Para mim agrega muito. Primeiro, o aprendizado de você conseguir fazer uma parada diferente, porque fazer funk com um cara que já faz funk é fácil. Então compor funk com um cantor de axé ou de pop é legal, é uma realização pessoal para mim que eu gosto de trazer para o trabalho. Eu amo o estúdio, porque que você entra lá sem nada e sai com tudo, então com essas pessoas do disco foi assim. Eu tinha só uma ideia de fazer algo eu e a Negra Li, e ai a gente quebra a cabeça, eu mesmo fiz uma melodia, achei a cara dela e nós gravamos. Isso tudo agrega muito, você sai da sua zona de conforto e eu ganho reconhecimento e merecimento do meu trabalho. Eu acho que isso foi especial e essencial, sem essas parcerias o disco não seria o que está sendo.

It: Os maiores nomes do pop brasileiro hoje surgiram junto com você no funk. Você acha que o funk ajuda a lançar artistas para depois eles migrarem para outro estilo musical?
Mc Guimê: Eu acho que cada artista tem seu estilo próprio. Você vê que tem artista de sertanejo que vai mais para um sertanejo de raiz, outro que vai para o lado do pop moderno. O funk também é assim, eu gosto do pop e também gosto de uma parada mais underground, mas puxo mais para o lado do rap. O funk abre a porta para o artista e depois ele faz aquilo que mais condiz com o seu estilo. Geralmente o funk, o rap e até no sertanejo traz pessoas com histórias humildes, bem adversas e fazem aquele tipo de música para dar certo. Depois que ele dá certo, ele tem a liberdade de querer fazer o quadro do jeito que ele quer. O funk fez eu dar certo, a Anitta, minha namorada Lexa, meus parceiros, todo mundo se deu bem no funk. Quem quer se dar bem também segue por esse caminho.



It: A massa dos funkeiros surgem como independentes. Com você também foi assim? Como é trabalhar para uma grande gravadora agora?
Mc Guimê: Eu surgi independente. Apenas eu e uma câmera pequenininha ainda no Orkut, eu fazia meus vídeos na rua com os amigos. Eu tinha um amigo que trabalhava com evento e quis ser meu empresário, começou a dar muito certo e chegou em um nível que nem a gente esperava. Foi onde a gente começou a querer chegar em outros horizontes. Hoje eu tenho a gravadora, o trabalho começou a ter outras pessoas ao meu redor e fortalecimento, um alicerce diferente. Você não está mais sozinho, você sabe que precisa tomar cuidado, existem outras opiniões, pontos de vista, isso é muito bom para o artista.

It: Na última conversa com o It Pop, você falou que queria levar seu trabalho para fora do Brasil. Você já tem algo encaminhado?
Mc Guimê: Graça a Deus, eu começo agora em dezembro minha primeira turnê na Europa. Eu já estive lá só para curtir, mas agora eu vou para trabalhar mesmo, vou fazer show na França, Bélgica, Irlanda, Alemanha, Portugal e Espanha. São países que eu conheço desde moleque, na época do videogame e futebol de botão, eu nunca imaginei que eu fosse para lá fazer meu trabalho. Isso é um grande passo. Depois que você entra na Europa já está a dois passos dos Estados Unidos, então eu acho que está perto. As coisas estão dando certo, estão acontecendo. O disco é muito bom, qualificado, acho que a pessoa não vai precisar ser brasileira para querer ouvir e curtir. O gringo vai ouvir e pensar “mano, não estou entendendo nada que esse cara tá falando, mas eu vou ouvir que tá maneiro”. 

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