Com música boa brasileira e muito #ForaTemer, Coala Festival é um refúgio na contramão do Rock in Rio

(Foto por: Rafael Strabelli/Nação da Música)
O último sábado (03) foi dia de Coala Festival, em São Paulo, no Memorial da América Latina, e é claro que nós fomos conferir o que rolou de melhor no evento, que contou com shows de artistas como Silva, Lila, Céu, Cícero, Baiana System e Karol Conká.

Em sua terceira edição, o festival apresenta uma proposta que se prova singular a partir da sua line-up, toda composta por artistas brasileiros, acompanhada de um peso social que vai dos seus ingressos (a meia-entrada poderia ser adquirida com a doação de alimentos não perecíveis) ao discurso de seus artistas, que não deixaram de falar sobre o golpe em curso no Brasil e fez do “Fora Temer!”, o grito de guerra de toda a festa.

Por mais que tenhamos ido com os shows de Silva, Céu e Karol Conká em mente, sendo eles os artistas que éramos mais familiarizados, o grande destaque do evento foi o coletivo Baiana System, que apresenta uma mistura de música eletrônica com rap, axé e reggae, levando o público a loucura após a calmaria quase sonolenta dos artistas anteriores. É uma banda que carregaria facilmente um show em festivais maiores, se as produtoras desses, ao contrário do Coala, não desvalorizassem tanto as atrações nacionais, colocando-os em horários desfavoráveis da programação, para públicos minúsculos.

Karol Conká entregou uma performance objetiva e divertida, composta por músicas de seu disco de estreia, “Batuk Freak”, além das novas “Tombei” e “É O Poder”, e uma amostra do seu segundo disco, com a morna “Maracutaia”. Para essa última, a rapper anunciou um videoclipe estrelado por Thais Araújo e Lazáro Ramos, dizendo que o casal e ela estarão lindos na produção.
(Foto: Rafael Strabelli/Nação da Música)
Ainda desconhecida do grande público, Lila trouxe ao Coala um show único. Sua música, disponível no Spotify por meio do EP que leva o seu nome, é um samba pop com pé na MPB, que deve agradar dos fãs da velha música popular brasileira aos que se debruçam ao gênero com nomes como Mallu Magalhães, Maria Gadú e Mahmundi. Ela foi uma das artistas que não pouparam seu público da manifestação política contra o governo golpista, de Michel Temer, trazendo neste protesto uma agressividade imperceptível dentro do seu leve repertório.



Por fim, não podemos deixar de falar sobre Céu, que mesclou o seu show, com foco no recente – e impecável – “Tropix”, e entregou uma performance singular e completamente conectada a sua música, de forma que o palco se tornara um mundo só seu, funcionando como um portal pra que entrássemos um pouquinho no seu universo. Corrijam-nos se estivermos errados, mas toda a maneira como ela, a música e o palco se tornam uma só coisa ao vivo, nos lembrou bastante das primeiras apresentações da neozelandesa Lorde, com o disco “Pure Heroine”.

Ao final do dia, a certeza é de que o Coala Festival entrega o que se propõe. O ambiente é de uma diversidade que vai além dos looks à la Coachella e, antes de qualquer coisa, carrega importantes discursos, somados a uma valorização pouco vista à música nacional, que tem artistas de sobra para adorarmos por um bom tempo.
(Foto: Allison Ribeiro/Nação da Música)
Com a “Rock in Rio-lização” do Lollapalooza, que caminha para edições cada vez mais grandiosas e, consequentemente, massificadas, o Coala se torna um bom refúgio para os que buscam por um festival alternativo que abrace dos artistas consagrados aos emergentes, sendo uma experiência que mistura boa música com responsabilidade social, de uma maneira intencionalmente desleixada e, talvez por isso, tão bem sucedida.

Todas as fotos foram tiradas do site Nação da Música.
Tecnologia do Blogger.