A transfobia da Azealia Banks não é uma desculpa para o seu racismo e machismo

A volta de Azealia Banks às redes sociais já marcou mais uma declaração preocupante. Em uma discussão sobre o cantor Zayn, ex-One Direction, a rapper usou uma foto do seu ensaio para a revista GQ, afirmando que ele sempre passou a impressão de ser um “homem trans”.

Ainda que o termo “trans” seja utilizado para fins de representatividade, homens e mulheres transexuais são, como quaisquer outros, homens e mulheres, e, desta forma, não existe um parecer ou não com trans, já que isso é o mesmo que se parecer com uma pessoa cis, como é o caso do cantor de “Befour”.

Desta forma, a declaração de Azealia Banks foi transfóbica. E essa não é a primeira vez que a rapper comete o mesmo erro, ainda que tenha prometido mudar. E, é claro, a internet tratou de questioná-la sobre isso, mas não da maneira correta.

Ser mulher e negra não impede Banks de ser homofóbica ou transfóbica, bem como de reproduzir inúmeros outros preconceitos que, sim, devem ser questionados e não podem passar despercebidos, entretanto, ninguém está com vantagem quando devolve a sua intolerância com mais discriminação e preconceito. Tê-la sendo transfóbica não é uma desculpa pra que você seja machista ou racista. Ou, pior, os dois.

O fato da maior parte dos veículos de comunicação só lembrarem-se dela nos momentos em que faz essas declarações, simplesmente ignorando os seus feitos na música, diz bastante sobre a agressão e seletividade da mídia, que não hesita em torná-la o estereótipo da negra barraqueira e mal educada, e incentivá-los, consumindo um produto que faz da sua luta uma mera “polêmica”, pode representar um retrocesso ainda maior do que não ter espaço para discutir o que você defende, já que centraliza a discussão numa única pessoa, tida como a vilã de toda a história que, na realidade, possui um problema estrutural como fundo.

Cobrem Azealia Banks, questione suas declarações problemáticas e posicionamentos mal explicados. Mas observem o comportamento do público e imprensa como um todo com episódios semelhantes, protagonizados por outros tipos de artistas, e não deixem de cobrá-los também. O problema não começa, nem termina nela. E ninguém luta por causa alguma pra que seja tratada como a polêmica do momento.
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