Os melhores álbuns do ano (até aqui)

Se você chegou até aqui com o pensamento de que 2016 não rendeu bons discos para uma lista como essa, precisa repensar o que andou ouvindo nos últimos seis meses.

Foi em janeiro que antecipamos nossos “30 discos mais aguardados do ano” e, entrando no segundo semestre de 2016, já estamos com vários deles entre nós. Neste momento, é muito importante pensar positivo e esperar que, daqui em diante, Rihanna não nos faça mais esperar vinte anos para um próximo disco, além de torcer pra que Beyoncé passe o resto de sua carreira lançando álbuns visuais  – prometemos fingir surpresa pelos próximos dez anos, pelo menos.

Esse ano foi, antes de qualquer coisa, um período e tanto para estreias de nos tirar o fôlego e, de quebra, ainda tivemos diversos artistas que nos fizeram deixar para trás qualquer impressão negativa que tenha ficado de seus trabalhos anteriores. O que é uma ótima coisa, por provar que não guardamos rancor e ainda nos garantir músicas bem interessantes para ouvirmos pelos próximos seis meses (e além).

Sinta-se livre para usar os comentários pra nos mostrar os seus favoritos (seja em ordem alfabética ou de sua preferência), bem como reclamar sobre aquele álbum, daquela cantora que foi friamente esnobado por nossa equipe. E não deixe de ouvir também todos os discos mencionados por aqui que você ainda não conheça, são todos imperdíveis.

OS MELHORES DISCOS DO ANO (ATÉ AQUI)


Gallant parece estar perdido em algum período entre as décadas de 80 e 90 – e isso é um elogio, caso se questione. Em seu álbum de estreia, “Ology”, o cantor apresenta um R&B sexy e classudo, que não se esforça para emplacar coisa alguma nos dias atuais, mas se preocupa em soar bem o suficiente para os fãs do gênero. Missão cumprida.

Pra testar: “Bourbon”, “Weight In  Gold” e “Open Up”.



Membro da A$AP Mob, que, entre outros nomes, também conta com o A$AP Rocky, o rapper A$AP Ferg levou a sua música para outro nível com o disco “Always Strive and Prosper”. No caminho contrário ao dancehall do Drake e rap-gospel de Kanye e Chance, “Strive” é um álbum majoritariamente eletrônico, no qual as rimas de Ferg são acompanhadas por ágeis arranjos, tornando-o um álbum favorito em potencial para os fãs de parcerias entre rappers e grandes DJs.

Pra testar: “Hungry Ham”, “Strive” e “New Level”.



Ainda que apresente certas similaridades com outros trabalhos lançados nos últimos anos, é inegável dizer que através de "Mind of Mine", ZAYN conseguiu se desprender da imagem teen que o seguia no 1D. Mostrando toda sua qualidade vocal entre baladas, midtempos e uptempos, que flertam desde o Pop, passando pelo R&B contemporâneo, até chegar no Alt-R&B (claramente influenciado por Frank Ocean e Malay Ho, que produziu ambos), o moço mostra nesse ótimo material de estreia, que não só tem muito potencial, como sair da boyband foi a decisão mais certeira de sua carreira.

Pra testar: “Pillowtalk”, “She” e “Wrong”.




O visual todo banda de rock, somado ao seu inexpressivo álbum de estreia, quase nos engana quanto ao potencial da boyband The 1975. No disco “I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It”, entretanto, os caras se permitem explorar seu lado mais pop e o resultado é verdadeiramente animador, fazendo desse um disco dançante, cheio de nuances e com uma proposta oitentista contagiante.

Pra testar: “UGH!”, “Somebody Else” e “The Sound”.


A norueguesa que já vinha nos impressionando há algum tempo, Aurora, traz em seu disco de estreia, “All My Demons Greeting Me As A Friend”, temas obscuros, quase mórbidos, aliados a um instrumental quase sempre condizente e uma voz cristalina. Sua jornada musical está apenas começando, mas, de certo, a cantora tem um grande potencial e foi capaz de nos entregar um disco impecável. Estamos ansiosos para ver até onde ela pode ir.

Pra testar: “Running With The Wolves”, “Winter Bind” e “Warrior”.


Sucedendo o disco “Master Of My Make-Believe”, “99c” mostra os efeitos da música atual na sonoridade de Santigold que, numa discussão sobre o preço da arte, se permite reproduzir aquilo que tocam nas rádios. Essa é uma escolha arriscada, já que poderia fazer com que ela perdesse sua autenticidade, tornando-a “apenas mais uma”, mas basta ouvir o disco para saber que, desse risco, ela passou longe.

Pra testar: “Banshee”, “Chasing Shadows” e “Run The Races”.



A estreia viral de Baauer, com “Harlem Shake”, fez dele um dos nomes mais genialmente insuportáveis da nova EDM. Não é a toa que, no meio dessa ascensão, foi Diplo quem tratou de apadrinhar o cara. Anos após o seu smash hit, Baauer apresenta seu disco de estreia, “Aa”, com uma esforçada tentativa de inovar e se desvencilhar do hit viral, provando ser mais que um sucesso de internet.

Pra testar: “GoGo!”, “Sow” e “Temple (feat. MIA & G-Dragon)”.


Quando James Blake entra em ação, você precisa se preparar para ouvir a melhor e mais estranha música de toda a sua vida. O disco “The Colour In Anything” chega após sua participação no disco “Lemonade”, da Beyoncé, e entrega uma proposta bem mais ampla que seus primeiros trabalhos, embora mantenha características que o consagraram entre os fãs do seu alt-pop underground.

Pra testar: “Radio Silence”, “Choose Me” e “I Need A Forest Fire”.


O álbum “Hopelessness”, da britânica ANOHNI, definitivamente, não é para qualquer um. Da sua sonoridade à capa, na qual mistura o seu rosto com o Boy George que ilustra o disco de estreia do Culture Club (1982), esse é um álbum que provoca, toca em inúmeras feridas e, com seus arranjos, ora tímidos e contidos, ora agressivos, transforma todas elas em discursos poeticamente lindos, ainda que, na maioria dos casos, trágicos. Esse é um disco que, com todo o eufemismo do mundo, te fará cantarolar sobre assuntos que vão do transtorno de identidade de gênero à crise da AIDS que devastou toda uma geração queer.

Pra testar: “Drone Bomb Me”, “Execution” e “Why Did You Separate Me From The Earth?”.



Aquecendo o terreno para o seu novo disco, sucessor do impecável “Donker Mag”, o trio sul-africano Die Antwoord volta às raízes explosivas do seu álbum de estreia na mixtape “Suck On This”. Depois de fazer shows por várias partes do mundo, Yo-Landi, Ninja e DJ High-tek abrem o novo material zombando da forma que seus fãs pronunciam seu nome fora da África – “Soa estúpido pra caralho”, diz Ninja – e nos entregam uma verdadeira surra de seu rap eletrônico, contando, inclusive, com uma série de remixes que revitalizam músicas como “Pitbull Terrier”, “I Fink U Freeky” e “Enter Da Ninja”.

Pra testar: “Bum Bum”, “Gucci Coochie” e “Fok Julle Naaiers (God's Wicked Jungle Remix)”.


O disco de estreia do duo Majid Jordan é uma boa maneira de entendermos porque o rapper Drake não hesitou em contratá-los e, inclusive, colaborar algumas vezes com os caras (“Hold On, We’re Going Home” e “My Love”). No seu primeiro CD, a dupla de Toronto consegue ir do hip-hop ao pop realmente radiofônico, com uma sonoridade que remete aos trabalhos de nomes como The Weeknd, MNEK e Bruno Mars, além do próprio Drake, que parece ter trocado muitas figurinhas com os novatos.

Pra testar: “Pacifico”, “Something About You” e “King City”.


Ironia ou não, em seu primeiro disco autointitulado, a banda Fitz and The Tantrums foge por completo da sonoridade pela qual eram conhecidos. No terceiro registro da banda, com a produção do hitmaker em ascensão Jesse Shatkin (Sia, Fifth Harmony, Kelly Clarkson), eles miram no pop-de-festival, com refrãos certeiros, muitas palmas e arranjos verdadeiramente dançantes, sem perder o ar de frescor que sempre manteve o interesse do público em seus outros trabalhos. É despretensiosamente grandioso.

Pra testar: “Handclap”, “Complicated” e “Get Right Back”.


“Moth” significa “mariposa”, em inglês. Antes de ganhar asas, o inseto passa por um processo de metamorfose semelhante aos da borboleta, mas parece sofrer algum problema nesse caminho, tornando-se uma espécie diferente e com uma curiosa característica: ela é atraída pela luz, ainda que essa possa matá-la. Em seu terceiro disco, o duo Chairlift gosta de usá-la como uma metáfora sobre a vulnerabilidade humana, que se entrega às suas atrações, cientes dos riscos que poderão machucá-los mais do que gostariam. Tudo isso sob uma sonoridade pop fora do comum, repleto de coros, palminhas e sintetizadores, flertando com trip-hop e uma verdadeira variedade de gêneros.

Pra testar: “Ch-Ching”, “Crying In Public” e “Moth To The Flame”.


Os anos 80 voltam para os dias atuais com o disco “Matter”, da banda St. Lucia. Com um synthpop “para cima” e refrãos que fazem de cada uma dessas faixas, verdadeiros hinos para cantarmos a pleno pulmões, esse álbum é daqueles que nos fazem dançar sobre a maior decepção amorosa de nossas vidas e cresce a cada audição, sendo, de longe, uma das nossas maiores surpresas desse ano.

Pra testar: “Home”, “Help Me Run Away” e “Always”.


O pop roqueiro de garagem das meninas do HINDS e seu disco de estreia, “Leave Me Alone”, é o que provavelmente esperaríamos de uma parceria da Sky Ferreira com o HAIM. De Madrid para o mundo, o quarteto tem chamado a atenção das principais publicações alternativas americanas e, nesse álbum, imprime uma identidade instigante, que nos faz querer mais dessa sonoridade suja e descoordenada, acompanhada de letras tão pessoais. É um disco para se ouvir bêbado.

Pra testar: “Garden”, “Warts” e “Fat Calmed Kiddos”.



Para um artista que já tem toda uma carreira para chamar de sua, se reinventar pode ser um perigoso desafio, mas que Gwen Stefani soube tirar de letra no álbum “This Is What The Truth Feels Like”. Repleto de hits em potencial, o novo disco da voz do No Doubt chega batendo de frente com outros como “Revival”, da Selena Gomez, e “Purpose”, do Justin Bieber, e, devido a essa necessidade de reinvenção para se adequar às rádios atuais, nos lembra bastante do “Rebel Heart”, da Madonna.

Pra testar: “Where Would I Be?”, “Red Flag” e “Naughty”.


O último ano de Nick Jonas foi complicado, mas, no que depender dos frutos colhidos por seu novo disco, o cantor terá uma fase bem mais fácil daqui pra frente. Se em seu primeiro trabalho pop, autointitulado, Jonas nos trouxe um pop redondo, mas óbvio, bastante inspirado em artistas como Maroon 5 e Justin Timberlake, em seu novo passo, o cantor ousa e, longe de sua zona de conforto, agora de olho no Drake e Bieber, acerta mais uma vez, apresentando um material bem mais interessante do que foi a sua chegada às rádios do gênero.

Pra testar: “Voodoo”, “Touch” e “Under You”.



Na sua chegada musical aos EUA, a sueca Elliphant veio acompanhada por uma lista de grandes produtores, incluindo nomes como Diplo, Skrillex e o nome por trás do disco de estreia da Lorde, Joel Little. Mas se, com tantos nomes conhecidos, seu público esperou por um álbum óbvio, foi pego de surpresa pela mesma agressividade de seus trabalhos anteriores, aqui somados a um maior cuidado quanto às letras e arranjos, que resultaram num disco que grita por ser uma novidade do início ao fim, prendendo-nos desde a primeira audição.

Pra testar: “Everybody”, “Love Me Long” e “One More”.


Mesmo jovem, Birdy sempre nos mostrou uma maturidade instigante. Em seu novo trabalho, a britânica coloca tudo isso à prova, se permitindo um passo à frente na ousadia, enquanto arrisca novos estilos e firma ainda mais os seus poderosos vocais. “Beautiful Lies” é um dos álbuns mais consistentes e emotivos do ano, além de ser também o melhor registro de sua carreira, até aqui.

Pra testar: “Keeping Your Head Up”, “Hear You Calling” e “Save Yourself”.



O synthpop foi muito bem representado por nomes como Taylor Swift e Carly Rae Jepsen nos últimos dois anos, mas se tem uma artista que sabe fazê-lo como ninguém, é a dupla Tegan and Sara. No seu álbum de retorno, “Love You To Death”, as meninas parecem terem feito a lição de casa sobre as rádios atuais, enquanto mantém a maturidade de suas letras, sob arranjos comerciais e, ainda assim, muito bem elaborados.

Pra testar: “That Girl”, “Boyfriend” e “Dying To Know”.



Com uma sonoridade que foge às regras, semelhante ao que escutamos com AWOLNATION há alguns anos, Stephen pode ser o projeto musical que você sempre procurou. No disco “Sincerely”, suas letras vão desde a redescoberta de si mesmo às discussões políticas, com uma musicalidade vasta, que passeia entre o rock e música pop, flertando bastante com a música eletrônica.

Pra testar: “Remembering Myself”, “Line It Up” e “Crossfire”.



De nome crescente na cena underground, o produtor australiano Flume trouxe em "Skin", talvez, o álbum mais eclético do ano, que cumpre um papel importantíssimo, ao possibilitar uma experiência que vai muito além de só mover os pés. De nomes desconhecidos (e muito interessantes), como Vince Staples, em faixas como "Smoking & Retributions", à adorados pelo público, como Tove Lo, em "Say It", Flume equilibra muito bem todas as nuances de seu grande álbum.

Pra testar: “Never Be Like You”, “Lose It” e “Take A Chance”.



Saber que o disco “Death Of A Bachelor”, do Panic! At The Disco, foi o primeiro da banda a alcançar o topo das paradas americanas não é algo impressionante. Desta vez, apenas com Brendon Urie, a banda soube reunir o melhor do seu lado dramático e teatral, enquanto mescla influências que vão do blues ao hip-hop, além de, claro, o rock que os tornaram conhecidos. Daqueles discos que não conseguimos – e nem deveríamos – passar nenhuma faixa.

Pra testar: “Victorious”, “Death Of A Bachelor” e “The Good, The Bad and The Dirty”.



“To Pimp A Butterfly” colocou Kendrick Lamar no centro das atenções, fazendo com que todos quisessem um pedaço do rapper que entregou um dos melhores álbuns de hip-hop do ano passado. Mas, sem se apegar à pressão de superar o álbum anterior, o cara revelou uma compilação de faixas que não foram finalizadas e sequer intituladas, com uma ousadia que, sem dúvidas, Kanye West amaria ter feito primeiro. Embora seja um projeto apresentado de maneira despretensiosa, na medida do possível, “untitled unmastered.” mantém o nível dos outros trabalhos do rapper, provando que, sem muito esforço, ele consegue manter as nossas expectativas sob controle.

Pra testar: “untitled 02”, “untitled 04” e “untitled 07”.



O trip-hop, R&B noventista e alt-R&B se encontram em “Don’t You”, do trio novaiorquino Wet. Com vocais delicados, que contrastam com o peso momentâneo de seus arranjos, o disco nos pega pela profundidade de suas letras, além de instrumentais que criam toda uma áurea bastante singular, semelhante ao que Lorde nos causou com seu “Pure Heroine” (2013). É um álbum que consegue soar grandiosamente minimalista e te entrega novidades a cada nova audição.

Pra testar: “Don't Wanna Be Your Girl”, “All The Ways” e “You're The Best”.


A EDM teve uma ascensão significativa nos últimos anos, enfim, voltando a dominar as rádios e paradas, mas, com todo esse sucesso, também aconteceu de grandes hits se tornarem cada vez mais genéricos e, com isso, o gênero sofresse com uma enorme falta de novidades. Nesse meio, quem vai contra a maré, merece o seu reconhecimento e, em 2016, um disco que fez a sua parte nesse quesito foi o material de estreia do The Knocks, “55”. Seu pop passeia entre o dance para às pistas e para às rádios, com influências que vão do funk ao alt-pop, além de inúmeras participações especiais.

Pra testar: “Tied To You”, “Love Me Like That” e “Purple Eyes”.


Embora seja novo, o trio londrino Daughter já possuía uma sonoridade bem definida e aceitou os riscos de fugir da fórmula consolidada em seu novo material, “Not To Disappear”. No trabalho, a melancolia, carregada pela voz da vocalista Elena Tonra, continua, mas Daughter ousa e se aventura em novas referências adicionadas ao seu repertório. Aqui, podemos ver toques eletrônicos, dream pop e até faixas que nos remetem ao The XX, The Drums e até Florence + The Machine, mostrando um amadurecimento muito bem-vindo.

Pra testar: “Numbers”, “Alone/With You” e “Mothers”.



É como o ditado já diz: "em terra de "Reflection", "7/27" é rei!". Após terem uma estreia pra lá de morna (com algumas ressalvas evidentes), o Fifth Harmony retorna com uma sonoridade pra lá de madura, sem deixar de lado todo o apelo comercial que levou as meninas ao estrelato. Com músicas pra todos os gostos, Camila Cabello e sua trupe garantem a diversão com um álbum extremamente radiofônico e gostoso de se ouvir. Ponto pra quinta harmonia!

Pra testar: “That's My Girl”, “Scared Of Happy” e “Not That Kinda Girl”.



Quando se permitiu ir além dos hits, Rihanna descobriu todo um lado inexplorado de sua musicalidade, no qual conseguiu encaixar até um cover de Tame Impala. Em seu anti-disco, a cantora encarna uma persona mais séria, centrada em fazer boa música, e ainda que se perca vez ou outra, demonstra bastante maturidade, numa oportunidade de aprender mais do que é capaz e ensinar isso ao seu público.

Pra testar: “Consideration”, “Same Ol' Mistakes” e “Love On The Brain”.



Depois de um disco de estreia introspectivo e sem muito a acrescentar para uma indústria que havia acabado de conhecer uma cantora chamada Lorde, o duo neozelandês Broods não passou muito tempo na sua zona de conforto e, em seu passo seguinte, expandiu a sua sonoridade para fórmulas que vão bem além da sua intenção alternativa de estreia. “Conscious” é o disco em que Georgia e Caleb Nott começam a construir sua identidade, sob um solo formado por sintetizadores, refrãos chicletes e, claro, muita autenticidade.

Pra testar: “Free”, “Hold The Line” e “Recovery”.


O sucesso de “Hotline Bling” fez de Drake o rapper mais pop dos últimos tempos e, enquanto tocava nas rádios sem parar, o canadense se preparava para entregar um disco prometido há muito tempo, enfim apresentado no que hoje conhecemos como “Views”. No seu novo álbum, o rapper marca uma importante fase da sua carreira, na qual está mais disposto a assumir riscos, se afasta dos raps ágeis de suas mixtapes e entrega um trabalho ora contido e comercial, ora verdadeiramente ousado, e indiscutivelmente funcional.

Pra testar: “Feel No Ways”, “With You” e “Too Good”.



The Weeknd fez um ótimo trabalho enquanto cantava sobre sexo no disco “Beauty Behind The Madness”, com  uma maturidade que já não ouvíamos com o R&B nas rádios há algum tempo, mas bastou chegar o disco de estreia do duo contratado pelo Drake, dvsn, pra que Abel perdesse o seu posto. “SEPT. 5th” é um disco extremamente adulto, mas nada vulgar, no qual temos refletida em cada uma de suas letras a experiência de seus integrantes, contrastada com a leveza e sensação de novidade oferecida por seus arranjos, que vão do alt-R&B ao trip-hop.

Pra testar: “With Me”, “Hallucinations” e “Angela”.


Passada uma carreira repleta de clássicos que fez dele uma verdadeira lenda, o músico David Bowie não poderia ter se despedido do seu público de uma forma menos poética. O seu disco de adeus, “Blackstar”, é seu último passo de ousadia, no qual se desamarra da sonoridade de seus últimos trabalhos, investindo numa faceta grandiosamente obscura, melancólica, na qual brinca com seus próprios demônios, exorcizando um por um, até que, enfim, possa descansar em paz.

Pra testar: “Lazarus”, “Girl Loves Me” e “I Can't Give Everything Away”.


Uma versão mais descolada do Sam Smith, Jack Garratt fez seu hype valer a pena com o disco de estreia “Phase”, lançado em meio ao tumulto que estava a sua carreira, após ter sido aposta da BBC e cumprido uma série de festivais Reino Unido afora. Enquanto o disco “In The Lonely Hour”, do Sam, nos afundava naquela bad que nem imaginávamos sofrer, o “Phase” do Garratt serve mesmo para nos levantar, com arranjos pop desconstruídos e vocais que, sem dúvidas, parecem ter saídos de algum remix do Disclosure.

Pra testar: “Far Cry”, “Worry” e “Chemical”.



Todo ano o mundo pop escolhe um puta álbum pra ser injustiçado. E depois de Carly Rae Jepsen sofrer com isso em 2015, é a vez da Foxes passar pelo mesmo em 2016. “All I Need” é um álbum pop na medida para agradar as rádios, com produções redondas, vocais incríveis e ainda ótimas letras. Desde a primeira vez que o escutamos, estivemos certos de que teria um lugar cativo em nossas listas.

Pra testar: “Body Talk”, “Cruel” e “Devil Side”.



Ariana Grande comeu muito arroz e feijão e provou estar pronta para brigar pelo topo dos charts com outras grandes divas pop. Em “Dangerous Woman”, a garota mostra a evolução que todos esperávamos e entrega seu trabalho mais maduro e polido até agora. Com músicas que nos levam da balada aos mais variados gêneros, do dance ao blues, passando pelo reggae e, claro, seu tradicional R&B. Muito bem acompanhada, ela nos entrega o melhor álbum pop do ano, com participações de nomes como Nicki Minaj, Lil Wayne e Future.

Pra testar: “Into You”, “Everyday” e “Touch It”.


Em seu terceiro álbum sob o nome de Blood Orange, Dev Hynes sente em sua música o impacto dos EUA que não apenas mata negros, mas também os gays. “Freetown Sound” é um disco que dialoga com outros como “To Pimp A Butterfly”, do Kendrick Lamar, e “Lemonade”, da Beyoncé, enquanto aborda assuntos que vão do racismo ao feminismo, trazendo muito empoderamento e, sendo esse um cuidado louvável, participações que permitem que as pessoas certas falem sobre suas lutas. Tudo isso, entretanto, é embalado por uma sonoridade que passeia pelo R&B, soul e funk, tornando essa jornada menos pesada, ainda que repleta de assuntos sérios, e até um tanto dançante.

Pra testar: “Augustine”, “Best To You” e “Better Than Me”.


Embora seja uma obra inacabada, sofrendo alterações até hoje, o disco “The Life of Pablo”, do Kanye West, é daqueles que não conseguimos passar uma só faixa. Ainda que tenha prometido bastante antes de lançá-lo, o rapper sabia que alcançaria as expectativas do público, fosse seus fãs ou não, e assim o fez, com um álbum agressivo, bem-humorado, reflexivo e, como o próprio descreveu, um tanto quanto religioso. Esse é um álbum gospel. “Não é o melhor álbum de todos os tempos, mas um dos”, disse Kanye.

Pra testar: “Ultralight Beam”, “Father Stretch My Hands” e “I Love Kanye”.



“Lemonade” não é um disco sobre uma traição, mas, sim, sobre uma mulher que precisa lidar com esse momento e o supera da melhor forma, enquanto descobre uma força absurda dentro de si mesma e esfrega na cara do traidor: eu não preciso de você. Na sua fase mais madura, artisticamente falando, Beyoncé ousou da sonoridade às letras, entregando um disco que, sem dúvidas, faz com que ela faça mais que hits, faça história. É um marco na sua carreira e na cultura pop moderna. É um empoderamento necessário para os dias atuais e que ainda incomodará muita gente, mas você pensa que ela se preocupa? “She ain’t sorry.”

Pra testar: “Don't Hurt Yourself”, “6 Inch” e “Daddy Lessons”.



Três anos separam a nova mixtape do Chance The Rapper, “Coloring Book”, do seu material solo anterior, “Acid Rap”. E se em 2013, o cara já se mostrava um nome para ficarmos de olho, nesse novo álbum ele se consagra como uma das apostas mais fortes do hip-hop atual, bebendo bastante da fonte de outro nome que já passou por nossa lista: Kanye West. Em “Coloring”, Chance nos entrega o trabalho mais consistente, poderoso e singular do ano, com um rap que passa longe das fórmulas genéricas apostadas por tantos para as rádios e inspirações que chegam, inclusive, ao início da música negra nos EUA. Da última vez que vimos o rap ser tão bem representado, estávamos ouvindo um disco chamado “To Pimp A Butterfly”, de um cara chamado Kendrick Lamar.

Pra testar: “No Problem”, “D.R.A.M. Sings Special” e “How Great”.



(Textos por Gui Tintel, Maicon Alex, Luccas Almeida e Guilherme Calais)
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