Entrevistamos o Lukas Graham: “Não acho que ‘7 Years’ seja a melhor música do meu CD”

Lukas Graham foi o dono de uma das músicas mais irritantemente bem sucedidas do ano. O cara, vocalista da banda que leva o seu nome, emplacou ao redor do mundo o hit “7 Years”, do seu segundo CD, e por mais que fosse essa uma música cheia de mensagens positivas, como muito do que ele faz e diz, ela tocou tanto, mas tanto, que ninguém aguentava mais ouvir.

O sucesso, por sua vez, é merecido. Principalmente sendo Lukas Graham um dos acontecimentos mais próximos de uma banda de rock nas paradas esse ano, chegando ao #2 da Billboard Hot 100 e atingindo ainda o topo das paradas Mainstream e Adult Top 40.


Foi nessa agitada temporada de sucesso que tivemos a oportunidade de conversar com Graham por telefone e falar um pouco sobre essa figura que, aos poucos, vinha ganhando o mundo. Uma das nossas primeiras impressões é o fato do cara ser fofíssimo MESMO, exatamente como demonstra em suas músicas, e depois descobrimos ainda que, se não fosse músico, ele teria futuro em algum curso de humanas, sendo tão de boa quanto o pessoal que vende artesanato feito com as coisas que a natureza nos dá. Conhecê-lo só nos deixou ainda mais apegados ao seu trabalho. Confira nossa conversa abaixo:

Você já cansou de responder sobre “7 Years”, né? Mas nos conte algo sobre você de sete anos atrás.
Lukas: Como você sabe? (Risos) Há sete anos... Há sete anos eu estava viajando da Argentina para o Brasil, por causa da Semana Santa.

Muitos dos artistas cantam sobre seus pais e relacionamentos quando essas histórias são tristes, cheias de tragédias, mas esse não é o seu caso. O que te motivou a cantar sobre seus pais?
Lukas: Eles me mostraram todas as coisas boas da vida e as ruins também. Pra mim, eles são as maiores inspirações para viver,  porque me mostraram que um casal pode ficar junto para sempre, sem precisar passar por separações, divórcios e todas essas coisas.

Sua música tem uma mensagem muito positiva e, de certa forma, isso contrasta com o seu visual. Acha que isso pode ser uma razão pra que as pessoas ouçam o seu trabalho?
Lukas: Eu não me importo com a maneira que me visto. O que me importo é sobre as músicas serem ou não boas. Quero é que se foda quem está preocupado com isso. (Risos)

Você ainda está longe dos 60 anos, mas você considera essa idade marcante, por conta do falecimento do seu pai. Como você se imagina aos 61?
Lukas: Olha, nós vamos ter que descobrir, porque eu realmente não sei. (Risos) Sabe? Eu gosto que as coisas sejam inesperadas. Então, só trabalho duro e espero conseguir dar sempre o meu melhor para as pessoas.

Sobre suas músicas, você tem uma sonoridade bem diversificada. No seu disco, você vai do soul à folk music em questão de minutos. Você acha que tem alguma música perfeita para suceder o sucesso de “7 Years”?
Lukas: Não acho que “7 Years” seja a melhor música do álbum. Eu gosto de misturar os gêneros, muitos instrumentos, e acho que isso depende muito do que você está sentindo no momento. Se isso vai funcionar [para as rádios], isso vai funcionar. Se não for para funcionar, isso não vai funcionar. Entende?

E você tem alguma música favorita no CD?
Lukas: “Strip No More”. Pra tocar ao vivo, é “Strip No More”, essa é uma música muito especial.

Algo que não deixei de perceber é que seu álbum não tem participações especiais. Agora, que ficou mais famoso, suponho que tenha mais oportunidades de trabalhar com outros artistas, há algum que gostaria de fazer isso?
Lukas: Não nos meus próprios CDs. Eu prefiro que meus discos sejam apenas comigo. Não que eu seja egoísta ou algo do tipo, mas tenho a impressão de que, se estiver numa música com outro artista, estarei comprometendo a minha integridade.

Você já falou algumas vezes sobre não fazer música pela fama e dinheiro, mas você já está relativamente famoso e, com isso, ganhando dinheiro também. Já teve tempo de fazer alguma extravagância com o que tem ganhado?
Lukas: Eu já fui estúpido com meu dinheiro e já fui cuidadoso também. Comprei uma casa pra minha mãe e comecei uma companhia, então acho que estou bem. O dinheiro não existe de verdade, somos nós que continuamos inventando-o. O que existe é o amor e a família, isso é real.

Essa é a minha última pergunta. Você canta sobre amor, sua família, etc, e isso te deu a fama do “cara mais legal das paradas” [no auge de “7 Years”]. Não acha que isso pode te atrapalhar de alguma forma, caso pense em mudar a direção dos próximos álbuns? Quero dizer, não consigo te imaginar cantando sobre “make that pussy rain often”, como o The Weeknd, sabe? (Risos)
Lukas: Quando você decide ser artista, você sabe o que quer significar. Eu sou um cara completamente normal. Vim de um lugar que a polícia não gostava de estar, mas, quando estava voltando pra casa, andava pela rua cumprimentando todos e isso é exatamente o que eu sou. 

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O álbum “Lukas Graham” está disponível nas principais plataformas de streaming e, em seu lançamento, alcançou o topo das paradas dos EUA, Austrália, Canadá e Reino Unido. A última música de trabalho extraída do CD foi a baladinha “You’re Not There”, sucedendo as faixas “Mama Said”, “Strip No More” e o hit que durou “7 Years” nas paradas.


Aproveitamos o espaço pra agradecer a Warner Music Brasil pela parceria e colaboração pra que essa entrevista acontecesse e, mais uma vez, ao Lukas Graham, que foi gente boa demais nessa conversa.
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