Pague o boleto: Taylor Swift e vários artistas estão se posicionando contra o Youtube

Até que demorou, mas a pressão dos artistas que são contra a distribuição gratuita de suas canções também chegou ao Youtube.

Em uma carta assinada pela Sony e Universal Music, com o apoio de artistas como Taylor Swift, U2 e Paul McCartney, vários nomes se uniram em um posicionamento contrário a política de distribuição musical do Youtube, levando em consideração o mesmo ponto que também tem gerado críticas ao Spotify: o repasse financeiro.

Na carta, enviada ao congresso americano, os artistas explicam que, atualmente, as leis de direitos autorais já “não funcionam” e não acompanham a evolução da música na era digital, fomentando um retorno financeiro baixo e injusto, principalmente para os artistas menores.

“Nós estamos escrevendo para expressar a nossa preocupação quanto a habilidade da próxima geração de criadores ganharem a vida”, diz a carta. “Criadores aspirantes não deveriam precisar decidir entre fazer música ou ganhar a vida. Por favor, proteja-os”, continua.
“Um dos maiores problemas enfrentados pelos compositores e cantores da atualidade é a ‘Digital Millennium Copyright Act’ (Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital). Essa lei foi escrita e passada numa era que está tecnologicamente datada, se comparada à que vivemos. Isso tem permitido que grandes empresas de tecnologia cresçam e gerem grandes lucros por facilitarem o uso dos consumidores, que podem levar quase todas as músicas da história no bolso, com seu smartphone, enquanto os ganhos dos compositores e cantores só diminuem. O consumo musical tem ascendido, mas a verba obtida pelos compositores e artistas individuais por esse consumo têm despencado.”
Eles afirmam então que a lei atual “simplesmente não funciona” e ressaltam que, quando foi criado, esse acordo não planejava proteger as empresas que hoje se beneficiam de suas possíveis falhas. 
“Nós estamos pedindo a vocês que aprovem sensíveis reformas que equilibrem os interesses dos criadores com os interesses das companhias que exploram a música para o seu crescimento financeiro. Só assim os consumidores serão verdadeiramente beneficiados.”
No começo desse ano, artistas como Katy Perry e Billy Joel começaram uma petição que tinha um objetivo semelhante a essa carta, o que nos leva a crer que será uma questão de tempo até que outros artistas também se unam ao movimento.

Nesse primeiro momento, eles já contam com cerca de 180 assinaturas, sendo alguns dos artistas que apoiam a nova campanha: Christina Aguilera, Banks, Sara Bareilles, Beck, The Black Keys, The Chainsmokers, Cher, Fifth Harmony, Elton John, Lady Gaga, Adam Lambert, Amy Lee, Maroon 5, John Mayer, Miguel, Ne-Yo, OneRepublic, Katy Perry, Pharrell Williams, P!nk, Mark Ronson, Troye Sivan, Britney Spears, Gwen Stefani, Meghan Trainor, Walk The Moon e Jack White.


No ar desde 2005, o Youtube foi pensado como uma plataforma de vídeos para usuários comuns e, com o crescimento da indústria musical na internet, se tornou um meio viável para a divulgação de videoclipes, fechando acordos com diversas gravadoras, ainda que não fosse esse o seu objetivo principal. 

Desde a ascensão do Spotify e o surgimento de serviços como Apple Music e Tidal, o que parece estar faltando, de todos os lados, é a falta de diálogo, bem como um maior preparo dos selos e artistas quanto ao consumo nessa era digital. O que nos incomoda, no fim das contas, é essa hipocrisia de que “estamos aqui pelos novos artistas”, bem como essa ideia de que essas mudanças resultarão em benefícios para os usuários. Se a ideia é cobrar mais por seu trabalho, que ao menos assumam um discurso menos falacioso. 

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