Leo Justi: “A Anitta é uma agência de marketing, o MC Bin Laden é um artista”

Pensou na música pop nacional da atualidade, o primeiro nome que nos vem em mente é da cantora Anitta que, desde o sucesso de “Show das Poderosas”, se consolidou como uma das nossas maiores artistas, tornando-se, inclusive, um risco para a homogeneidade da música sertaneja nas paradas brasileiras.

Entretanto, enquanto Anitta segue nos holofotes do pop brasileiro, com todo o investimento da sua gravadora, que banca grandes videoclipes, gente foda para a direção visual de seus novos trabalhos e grandes estreias em programas da Globo, um outro movimento acontece no que podemos chamar de “underground” da nossa indústria, com artistas que mesclam referências brasileiras às tendências do mercado internacional e apresentam um trabalho cada vez mais autêntico e ousado, provando que nosso pop ainda poderá ser bem mais do que Anitta já fez.



De maneira alguma tiramos o mérito da poderosa, que foi de uma “nova Kelly Key” para uma das maiores artistas da atualidade e, longe de ser apenas uma tendência, já colhe os frutos do seu terceiro discos de inéditas, mas temos ciência de que a discussão é bem mais complexa e, para nos ajudar a chegar numa conclusão, batemos um papo com alguns dos principais nomes por trás desse “novo pop nacional”, para uma matéria que você conferirá em breve na íntegra por aqui.

Para essa conversa, convocamos produtores como Leo Justi (M.I.A., Heavy Baile, Emicida, MC Carol), Rodrigo Gorky (Bonde do Rolê, Banda Uó, Pabllo Vittar, Luiza Possi), HEAD Media (Anitta, Projota, Guimê), Pedrowl (Banda Uó, Stefanini, Lia Clark) e Ruxell (Leandro Buenno, Nikki), que falaram sobre o futuro do pop nacional, o que acham dos nomes da indústria atual, suas influências, apostas e mais um pouco.

Nessa matéria, separamos um trecho do nosso bate-papo com o Leo Justi, em que falamos sobre a onda de “pop-funk-pós-Anitta” e a maneira como a própria se afastou disso quando o gênero começou a saturar, pelo excesso de nomes com uma proposta semelhante. Nessa transição, Anitta trouxe bastante inspiração do que vinha tocando nos EUA com Fifth Harmony e Jason Derulo, enquanto o Brasil experimenta a reascensão do funk em sua essência, mas com uma pegada bem mais expressiva do que a fórmula radiofonicamente enlatada da brasileira.
“Acho que o que ocorre com o Bin Laden e MC João [‘Baile de Favela’] é muito diferente do que rola com a Anitta”, disse Leo. “As músicas desses MCs são uma expressão autêntica de algo que eles vivem, eu pelo menos sinto uma autenticidade forte e você vê isso nos clipes, na meia preta e branca, cabelo ying yang, os caras metem a cara fazendo uma porra doida e cresceram com esse material doido.”
“A Anitta — que eu acho uma compositora muito inteligente, genial até poderia dizer, na sua proposta — eu sinto que faz um cálculo de tendências e chega a um resultado ‘safe’ que dificilmente não bombaria”, explicou. “A Anitta é uma agência de marketing, MC Bin Laden é um artista.”


Atualmente promovendo o recém-lançado EP de estreia com o coletivo carioca Heavy Baile, chamado “Embrasado”, o produtor Leo Justi esteve por trás de um dos remixes oficiais de “Bad Girls”, da rapper M.I.A. Ele também produziu, entre outras coisas, a parceria do Emicida e Guimê em “Gueto” e deve lançar em breve a inédita “Toca Na Pista”, apresentada pela MC Carol, MC Tchelinho, Tropkillaz e Karol Conká no Lollapalooza 2016.



Nesse trechinho, já deu pra ter uma noção do nível que foi essa conversa com o produtor, mas ainda rolou muita coisa e, definitivamente, você não perde por esperar. Enquanto a matéria completa não é divulgada, conheça mais um pouco do trabalho do brasileiro abaixo:


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