24 horas de “Lemonade”: o último grande acontecimento de Beyoncé

Um novo disco da Beyoncé é sempre um acontecimento. E não é um acontecimento do tipo “nossa, você viu o que aconteceu?”, tá mais para um “MEU DEUS DO CÉU VOCÊ VIU? NÃO, NÃO, NÃO, VOCÊ VIU???” e, está ok, porque, além de você, todas as outras pessoas estarão da mesma forma, porque todas as outras pessoas querem um novo disco da Beyoncé.

Passadas 24h desde a estreia do álbum, chamado “Lemonade”, nós olhamos para trás e mal conseguimos nos imaginar antes de sua existência. Queremos dizer, vocês ouviram aquela “Daddy Lessons”? Parece que ela inventou um gênero, vamos chamar de ‘countrey’. E, sabe? As pessoas falam coisas tipo “não tem músicas para dançar” e, qual é, alguém precisa ver como nosso corpo se move involuntariamente ao som de faixas como “Hold Up”, produzida pelo Diplo com dedo do MNEK, “Sorry”, “6 Inch”, “Love Drought”, “All Night” e “Formation”. Ou melhor: as pessoas virão o que é dançar ao som dessas músicas quando ela estrear a Formation Tour, daqui alguns dias.



Seja como for, é importante frisar, mesmo passando vinte e quatro horas para que entendessem isso, que esse não é um álbum para dançar. Está mais para nos fazer pensar, em todos os sentidos. A discussão social em prol do movimento negro, inicialmente levantada por “Formation”, está presente. O empoderamento dela, não só como negra, mas como uma Mulher Negra, está presente. A “naturalização” da sua imagem como “gente como a gente”, que também passa por problemas e conta com o seu próprio apoio para superá-los, está presente. Só não venha diminuir tudo isso dizendo que é um mero álbum sobre uma traição. Se depois disso tudo, foi só o que você pôde absorver, precisa de outras 24, 48, 72 horas, se preciso.

Isso não é uma crítica, então não entraremos em detalhes técnicos, mas, superficialmente falando, parece já temos nossas favoritas: “Don’t Hurt Yourself”, repleta de referências e com muito do seu colaborador, Jack White, é um dos melhores momentos da carreira de Beyoncé; “6 Inch”, com o The Weeknd, pode ser a “Drunk in Love” dessa fase, não pode?; o country de “Country Lessons” faz Carrie Underwood e Miranda Lambert parecerem uma mentira; se Beyoncé já é foda sozinha, imagina com o Kendrick Lamar numa música chamada “Liberdade” e, claro, “All Night”, que, de longe, é uma das melhores produções do Diplo desde a sua ascensão. E ela assina a composição e produção de todo o disco, vale ressaltar.

O título “Lemonade”, assim como o próprio álbum, também mexeu bastante com as pessoas. Tem quem o associe ao fato do limão ser usado para clarear a pele, como você facilmente pode encontrar pela internet, mas a forma como a cantora explora esse nome dentro do disco está mais para a máxima “se a vida te der limões, faça uma limonada”. Na parte 11 do filme, “Redemption”, Beyoncé narra a receita de sua avó:
“Pegue um litro de água, adicione meia medida de açúcar, o suco de oito limões e as raspas de meio limão. Passar a água de um recipiente para outro várias vezes. Filtre-a com um guardanapo limpo. Vovó. A alquimista. Você conseguiu tirar coisas valiosas dessa vida difícil. Despertou a beleza das coisas deixadas para trás. Encontrou a cura aonde ela não vivia. Descobriu o antídoto na sua própria cozinha. Quebrou a maldição com as suas próprias mãos. Você passou essas instruções à frente para a sua filha, que depois passou para a filha dela.”
Com a palavra, é sua vó quem lê um discurso para uma plateia, presente na canção “Freedom”: “Eu tive meus altos e baixos, mas eu sempre encontrei uma força interna para me levantar. Me serviram limões, mas eu fiz uma limonada”, ela completa, com o público aos risos e aplausos.

Sendo o álbum descrito no Tidal como um “projeto conceitual baseado na jornada de autoconhecimento e cura de todas as mulheres”, a interpretação mais coerente é aquela em que, mesmo com todos os problemas e obstáculos de sua vida, os limões que lhe foram servidos até aqui, ela teve a capacidade de obter algo positivo, algo que fosse bom e pudesse compartilhar com os outros, a partir dos ensinamentos de sua avó: a sua limonada.

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Mas como dissemos, há muita coisa envolvida. Muito o que se explorar.

Falando sobre algo um pouco mais descontraído sobre todo esse lançamento, você viu o desfecho do verso “I got hot sauce in my bag”, de “Formation”? Quando a música foi lançada, muitos se perguntavam sobre esse trecho e, no fim das contas, o associaram diretamente ao freestyle do guarda da NBA, Delonte West, que viralizou em 2009, mas basta o vídeo de “Hold Up” para responder a grande questão universal: ela REALMENTE anda com um “Hot Sauce” em sua bolsa, mas esse é, entretanto, o seu taco, usado pra alastrar sua destruição de forma literal neste videoclipe.

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E entre seus muitos momentos mais sérios, tivemos a tão prometida aparição das mães de jovens negros, assassinados pelas autoridades americanas, voltando às discussões sobre o racismo nos EUA. Algumas das mães que aparecem são de Trayvon Martin, Michael Brown e Eric Garner, todas associadas ao movimento “Black Lives Matter”.

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Nas últimas 24h, ‘The Almighty Beyoncé’ simplesmente não saiu da nossa cabeça e, de acordo com as nossas previsões, não sairá tão cedo. Há rumores de que o disco será colocado a venda nesta segunda-feira (25), 48 horas após a sua grande estreia, enquanto outros garantem que nós nunca iremos encontrá-lo legalmente em plataformas que não sejam o Tidal. Mas que seja. Todos já foram atrás do seu próprio meio para ouvi-lo, não é mesmo? Se esse não for o seu caso, clica logo aqui e assista à todos os videoclipes, sério.

Está liberado beber essa limonada e sem moderações.
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