Nós já escutamos “Beautiful Lies”, o novo CD da Birdy, e aqui estão nossas primeiras impressões


Tem como não cair de amores pela Birdy? A britânica, de apenas 19 anos, já nos fez pensar muito sobre a vida com uma releitura de “Skinny Love”, do Bon Iver, e, com dois discos já lançados, o seu álbum de estreia autointitulado e o segundo, mais incrível ainda, “Fire Within”, se tornou um nome que dificilmente vamos querer longe dos nossos ouvidos. Título que só fica mais forte com seu passo seguinte, “Beautiful Lies”.

O mais novo álbum da menina chega ao mundo nessa sexta-feira, 25, com dois singles já revelados, “Keeping Your Head Up” e “Wild Horses”, e nós fomos um dos escolhidos para conferir o material na íntegra com exclusividade no Brasil, aproveitando pra contar agora quais foram nossas primeiras impressões sobre esse terceiro trabalho da britânica.



Com um total de quatorze músicas, sendo a última sua faixa-título, “Beautiful Lies” prometia ser um álbum divisor de carreira e cumpre com isso, ainda que mantenha traços bem característicos de toda a sua discografia. É uma progressão natural aos seus trabalhos anteriores, sendo um disco perfeito aos que já gostavam de sua sonoridade e com um amadurecimento necessário para os que ainda não se viam interessados pela cantora.

“Growing Pains”, que abre o disco, faz jus às declarações em que Birdy afirma ter se inspirado em “Memórias de uma Gueixa”. A música é repleta de referências orientais, principalmente em seus vocais, deixando para o seu refrão uma percussão bem acentuada, nos lembrando da Florence + The Machine. “Você pode perder a si mesmo e ficar procurando para sempre.”

“Por onde você for, eu serei sua sombra”, canta Birdy em “Shadow”, que funcionaria perfeitamente bem no disco “Froot”, da Marina & The Diamonds. A combinação de piano e cordas aqui é bem contida, fazendo com que seu ritmo vocal dite as direções da canção de uma forma que beira o teatral, com um refrão radiofônico, mas não tão pop quanto o single carro-chefe “Keeping Your Head Up”. Falando nele, a música parece introduzir um novo ato do disco, trazendo ares mais apoteóticos, tanto por sua percussão mais grandiosa quanto pelo coral ao fundo do refrão. 

Logo em seus primeiros segundos, “Deep End” nos faz arrepiar. “Eu não sei se você significa tudo para mim e não sei se posso te dar tudo o que precisa”, canta Birdy. Seus vocais estão mais crus, de forma que conseguimos perceber a vulnerabilidade com que interpreta cada um dos seus versos, combinando outra vez piano, cordas e um instrumental contido ao fundo. A combinação tem tudo para fazer dessa nossa próxima “Skinny Love”. “Como vamos nos remendar?”, ela pergunta e nós repetimos, já que ficamos despedaçados ao fim da canção.



Um dos grandes momentos do disco, o segundo single do CD, “Wild Horses”, é a música que melhor exemplifica o amadurecimento musical de Birdy, facilmente funcionando com nomes maiores que a cantora atualmente, como a também britânica, Adele. Nesta faixa, ela repete a ideia de grandiosidade de “Keeping Your Head Up”, mas sem pender por completo à fórmula mais radiofônica da outra canção. É uma música “na medida”.

“Lost It All” é uma baladinha ao piano, da forma que estamos acostumados a ouvi-la. Seus vocais estão habitualmente mais graves que nas canções anteriores e alçam voos mais altos conforme a canção ascende, gradualmente, mas tem momentos mais baixos em que, tamanha a vulnerabilidade, quase nos deixa sem a sua voz. “Se isso é do que os sonhos são feitos, não são nada parecidos com tudo o que eu vi.”

O piano é quem continua a acompanhando em “Silhouette”, que também aposta numa dualidade trabalhada em seus vocais, ora contrastando com o instrumental para representar algo mais forte, ora partindo do mesmo princípio para se mostrar mais frágil. Sua letra, reforça uma ideia que passeia entre o sofrimento e a superação. “No agridoce de cada derrota, percebo que estou mais forte do que antes”, ela canta antes do seu refrão.

Se o Justin Bieber tivesse o vozeirão da Birdy, “Lifted” faria um ótimo trabalho em seu disco “Purpose”, até combinando com a atual fase do canadense, mas de uma maneira bastante singular. A música é mais um grande do momento do disco e um single em potencial, arriscamos dizer, com um refrão dançante sem grandes esforços, combinando cordas com sintetizadores bem contidos. Seria demais ouvi-la ao vivo num grande festival. “Se você começar a sumir, vou te manter a salvo, como você faz. E se você sentir medo, vou manter a sua fé, como você faz. Você faz.”

“Take My Heart” é épica em todos os sentidos e se em faixas como “Keeping Your Head Up” e “Wild Horses”, ela usava de corais e chamativas percussões para criar um momento apoteótico, o que temos aqui é uma canção que cresce por seus mínimos detalhes, com uma obscuridade facilmente comparável ao trabalho da neozelandesa Lorde. Iniciando apenas ao piano, é uma das produções mais eletrônicas do disco, pendendo para um trip-hop que também nos lembra da Sia (“Elastic Heart”) e Kanye West (“Blame Game”).

“Hear You Calling” mantém a proposta mais eletrônica da música anterior, nos remetendo aos bons tempos da Ellie Goulding. Seu refrão, que é o grande momento da música, ascende para uma fórmula mais radiofônica do que esperaríamos ouvir em um CD da Birdy, funcionando de maneira semelhante à “Send My Love”, no disco “25”, da Adele. Em seu refrão, ela canta, “toda noite, quando o sol se põe e eu sou deixada nessa cidade solitária, ouço você me chamando. Toda vez que você me diz adeus, toda vez que eu fecho meus olhos, te ouço me chamando. Ouço você me chamando”. Caso venha a ser single, pode se tornar um dos melhores e mais perigosos momentos da carreira da britânica, causando um impacto semelhante ao que foi o hit “Love Me Like You Do” para a Ellie.

Se a Jessie Ware cantasse “All That”, da Carly Rae Jepsen, teríamos algo bem próximo de “Words” que, assim como a Birdy na letra da canção, nos deixa sem palavras. De volta ao piano, a música flerta com sintetizadores timidamente, ganhando o reforço de um coral quase gospel em seus segundos finais mas, de maneira geral, funcionando por sua simplicidade. Deve agradar os que já aprovavam a leve mudança de sua sonoridade entre os dois álbuns anteriores. É uma canção sobre despedida.

“Save Yourself” nos fez chorar, literalmente. A música é aberta por um piano ágil, que lembra a introdução de “Keeping Your Head Up”, mas as semelhanças entre as canções acabam por aí. Com um arranjo introspectivo e, mais uma vez, grandioso por seus mínimos detalhes, a música parece conversar com outras faixas de Birdy sobre rompimento e se em “Skinny Love”, ela usava as palavras de Justin Vernon para pedir que seu amado “cortasse as cordas” e a deixasse cair, em “Save Yourself” ela pede pra que ele perceba no que eles se transformaram e continua: “salve a si mesmo, meu querido.”

“Às vezes, as lágrimas que choramos são mais do que qualquer coração pode suportar”, ela canta em “Unbroken”. Toda ao piano, a música é bem mais simples que as anteriores, deixando espaço o suficiente pra que ela cresça apenas por sua letra e vocais. Aparentemente numa relação ao primeiro single do disco, a música começa com ela questionando, “você consegue manter a sua cabeça erguida mesmo quando está perdendo?” e segue com outras constatações e questionamentos que nos fazem pensar em como cabe tantas reflexões sobre amores ganhos e perdidos dentro de um coração tão jovem. É uma triste —e bela — canção. Florence + The Machine cantaria.



“Beautiful Lies”, que já havia sido revelada ao público, traz um arranjo bem simples, mas tocante. Seus vocais levam a canção como se fosse a trilha sonora para alguma animação da Disney, enquanto ela traz uma letra bem mais pesada do que qualquer “Let It Go”, implorando: “me conte doces mentiras. Eu queria ter força para partir, mas eu não tenho. Estou paralisada. Eu vejo a criança em seus olhos e estou presa nesses faróis.”

Por mais que seja uma avaliação com base em nossas primeiras impressões, é notável que, em seu terceiro álbum de inéditas, Birdy se mostra disposta e capaz de provar seu amadurecimento em todos os sentidos, traçando um sábio paralelo entre seu lado mais alternativo, antes explorado em seu disco de estreia, e radiofônico, apresentado no CD seguinte, com mudanças que elevam a qualidade do seu trabalho de maneira absurda e, ainda assim, bastante característica à tudo que já nos fazia cair de amores por ela nos álbuns anteriores.

“Beautiful Lies” é um álbum grandioso e que nos faz enxergar a britânica num patamar próximo de outras cantoras consolidadas e mais velhas que a jovem britânica, como Adele e Florence + The Machine, sendo uma produção com muito a explorar e imponente o bastante para colocá-la rumo ao seu primeiro Grammy Awards. Nossas favoritas, por enquanto, são “Deep End”, “Wild Horses”, “Lifted”, “Take My Heart”, “Hear You Calling”, “Words” e “SAVE YOURSELF”.

O novo disco da Birdy será lançado nessa sexta-feira, 25, nas principais plataformas digitais e, atualmente, pode ser adquirido por sua pré-venda no iTunes.
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