A gente entrevistou o Albert Hammond Jr, dos Strokes: “O indie rock atual é meio entediante”

A gente está APAIXONADO pelo Albert Hammond Jr. Se não bastasse ser um puta guitarrista na banda Strokes, que fez nossa adolescência e há pouco, com o disco “Comedown Machine”, também a nossa felicidade, o cara tem um projeto solo desde 2006, com seu próprio nome, que ditou a setlist do seu show durante uma passagem pelo Lollapalooza Brasil 2016.



Com um show que agradou dos fãs do bom e velho Strokes aos curiosos que não faziam ideia de quem fosse o músico, Albert apresentou, em sua maioria, faixas do disco “Momentary Masters” (2015) e, minutos após a sua apresentação, nos recebeu em seu camarim, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, para um rápido bate-papo.

Simpático DEMAIS, o americano nos falou sobre as diferenças entre seu trabalho solo e com os Strokes, quais são suas parcerias dos sonhos e o que ele acha do cenário do rock indie atual. Rolou ainda um momento bem inusitado em que, por uma má tradução, ele pensou que Eminem e Marina & The Diamonds estavam tocando juntos no festival, hahaha!

Confira nossa conversa abaixo:

A gente tem a impressão de que você se sente mais confortável com suas músicas próprias do que com as dos Strokes. É mais fácil lidar com um trabalho que você é o líder?
Albert: “Bem, eu não acredito que nada que você faça bem será fácil. Eu amo ambas as músicas [solo e com os Strokes]. São duas formas diferentes de me expressar. Geralmente, se é você quem está cantando, é uma coisa com mais paixão, porque você tá expressando seus pensamentos.”

E você gosta mais de alguma delas?
Albert: “Ah, eu gosto de escrever músicas e também gosto de tocá-las, então eu não sei se eu gosto mais de uma do que da outra. Tipo, eu REALMENTE amo fazer as duas coisas, sabe? Isso é um fato.”




Tão rolando muitas especulações sobre novas músicas dos Strokes. A gente está próximo de um novo álbum?
Albert: “Sei que estou fazendo entrevistas por conta própria, mas acho que é um pouco estranho falar por um projeto no qual sou apenas o quinto de todos, então eu acho melhor todos nós esperarmos até que os Strokes esteja como um grupo para dar essa resposta, entende?”

Tem algum show que você gostaria de ver nesse Lollapalooza?
Albert: “Quem está tocando hoje?”, ele nos pergunta. “Eu adoraria ver a Florence + the Machine, ela é incrível! O Eminem já tocou?”

O Eminem tocou ontem. Ele e a Marina & The Diamonds, conhece?
Albert: “Pera, o Eminem tocou COM ELA?

NÃAO! Eles tocaram AO MESMO TEMPO. 

[Todos riem.]

Próxima questão: no seu projeto solo, você tem mais liberdade pra fazer umas coisas mais ousadas. Tem alguma parceria inusitada que você gostaria de fazer?
Albert: “Tenho umas treze ou quinze músicas para meu quarto disco e tem uma música que eu realmente acho que seria legal se o Josh [Homme, do Queens of the Stone Age] fizesse um solo comigo. Tem algumas pessoas diferentes que eu gostaria de trabalhar, tipo o Matt, do Arctic Monkeys. Eu adoraria colocá-lo pra tocar bateria em alguma canção.”

Talvez algum artista pop? [“Marina and The Diamonds?”, brincamos]
Albert: “Marina & The Diamonds? Hahahah. Oh, por que não?! É muito hipotético, mas sim. Eu adoraria colocar a Sia pra fazer alguns ‘ooohs’ e ‘aaahs’ incríveis ou talvez um backing vocal, sabe? Tipo, um vocal forte feminino ao fundo... Mas essa é uma boa questão porque, pra falar a verdade, eu nunca parei pra pensar nisso.”




A última questão é sobre a cena atual do indie-rock. O que você tem pensado sobre isso? E tem algum nome novo que você considera promissor?
Albert: “Eu não sei... Pra ser honesto, às vezes o cenário atual é meio entediante porque, pra mim isso se tornou... Eles meio que não dão novos passos e tocam músicas que te façam se sentir mais animado. Muitas das músicas são mais… Relaxantes. Sempre que eu ouço o indie rock de hoje, é assim que isso soa pra mim. ”

E o que você tem ouvido ultimamente?
Albert: “O meu iPod”, ele responde sério e então cai na risada. “Zoeira! Bom, como estou trabalhando num disco novo, provavelmente é ele que eu estou ouvindo...”. Ele pega o celular e abre o Spotify: “No verão passado, eu fiz essa coisa [uma playlist] para uma festa, não lembro direito, mas olha, tem The Clash, Temptation, Blondie, Joy Division, The Cure, Queen, Michael Jackson, David Bowie, The Knife, Pulp, Stevie Wonder, Estelle, Madonna, M.I.A., Roxy Music, New Order... Essa é uma boa resposta? Eu ouço o que meu coração mandar”, diz ele e ri outra vez.



Nós já dissemos que ficamos apaixonados pelo cara? Com o fim da entrevista, o músico nos cumprimentou e, de maneira bastante descontraída, comemorou seu merecido descanso, já que havia acabado de tocar há alguns minutos, e anunciou, quase que cantando, “agora finalmente é hora de comer!”.

O show de Albert Hammond Jr. foi uma das grandes surpresas desse Lollapalooza, principalmente se pensarmos na bomba que foi a performance do Casablancas com seu projeto paralelo em 2014, e faz um belo aquecimento para o tão aguardado retorno da banda que, se tudo der certo, deve voltar às suas raízes nesse novo material.



No Spotify, você pode conferir não só o último disco do guitarrista, “Momentary Masters”, como também os outros dois da sua discografia: “Yours to Keep” (2006) e “Como Te Llama?” (2008). 

A gente espera te ver de volta no Brasil logo, mozão Albert! <3

Entrevista por: Allan Correia e Gui Tintel
Colaborou: Lucas Matos
Agradecimento: T4F
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