Throwback Review: "Bionic", a.k.a. aquele álbum da Christina Aguilera que todos comentam, mas ninguém compra! Afinal, o flop foi merecido?

A maior voz da geração! Sim, todos pensaram em Christina Aguilera, porque é isso que ela foi e ainda é para quem cresceu na década de 90. Uma artista revolucionária, sem medo de explorar suas maiores emoções e, com uma voz quase que infinita, conquistou o coração do mundo todo. Depois de três eras consolidadas e mostrando sua relevância, como acontece comumente, Christina resolveu cuidar da família, parir umas crianças, casar, essas coisas. Nesse meio tempo ainda lançou uma coletânea destruidora e sua carreira estava simplesmente non-stop

Entretanto, vocês já sabem do que vamos falar aqui. Dele! O controverso, irreverente, arqui-inimigo do The Fame e consolidador do vocábulo "flop". O "Bionic" foi lançado em 2010, não fez uma história positiva como as outras eras da Christina, iniciou um estigma de pouco sucesso na carreira da loira, mas ele ainda continua importantíssimo, porque este disco pode ser tudo... menos ruim. Sendo assim, todo mundo ativando suas lentes biônicas para darmos uma boa olhada e, quem sabe, descobrir o que deu errado afinal de contas.

"Bionic"

O disco é aberto com a música autointitulada e, talvez, um dos maiores pecados da carreira de Xtina: "Bionic" PRECISAVA ser single. Futurística, eletrônica, cheia de synths e com uma letra que mostra todo poder que a moça grita desde "Can't Hold Us Down", Christina abre o disco sendo tudo que esperávamos dela: Fantástica! "Muitas vezes imitada, induplicável, insubstituível / Agora vou soletrar e todo mundo pode gritar eu nome / X-X-X-T-T-T-I-I-I-N-N-N-A"...Só ouvimos verdades, não é mesmo?

"Not Myself Tonight"

Christina sempre gritou (literalmente) sobre liberdade e sexualidade. Aqui, no primeiro single do disco temos mais uma faixa muito boa, porém, para um retorno tão aguardado, a faixa deixou a desejar. Com uma percussão digna, um clipe polêmico por parecer em alguns momentos com "Express Yourself" e vocais de Christina Aguilera cantando: "Me sinto um outra pessoa e se você não gosta, FODA-SE!", "Not Myself Tonight" tinha quase todos os elementos de um hit, mas faltou a inovação e o charme que Christina sempre conseguiu impor. Escolha mediana para primeiro single, amargando num top 25 e onde acreditamos estar o primeiro erro da era.


"Woohoo (feat. Nicki Minaj)"

A terceira faixa do disco começa devagarzinho, despretensiosa, como uma mid-tempo. Até que você ouve WOOHOO! Mais um acerto para o "álbum, "Woohoo" é despretensiosa, divertidíssima e cheia de poder, sabe o por quê? Porque é uma música sobre a buceta! "Você sabe que quer experimentar minha WOOHOO / Você sabe que quer dar uma espiada, quer ver minha WOOHOO / você sabe que quer lamber onde meus quadris estão, beije minha WOOHOO", é isso que Madam X canta com muita diversão. Além disso, quem melhor para fazer um feat numa música dessas, senão a escrachada Nicki Minaj? Deliciosa como uma WOOHOO (pra quem gosta, é claro)!


"Elastic Love"

Em uma das músicas mais surpreendentes do "Bionic". "Elastic Love" vem recheada de sintetizadores e auto tune, poderia facilmente ser uma música da Robyn, além de ser completamente diferente de tudo que Christina já nos mostrou em sua carreira. Aqui vemos mais uma face de Aguilera, que sempre se mostrou uma das artistas mais versáteis que o mundo pop já conheceu. "Amor elástico, amor duradouro, amor cheio de luxúria", assim é o nosso amor por você X.

"Desnudate"

Sempre orgulhosa de suas raízes latinas, Christina vem cheia de descaração para o nosso lado em "Desnudate". "Sussurre todos seus fetiches no meu ouvido  / Meu reino é livre de vergonha então perca seus medos". A faixa mistura batidas eletrônicas com elementos latinos, principalmente nos instrumentos de sopro, e rola até uns elementos de samba no final da música. O resultado é mais uma vez excelente e com certeza, se a Bionic Tour não tivesse sido cancelada, teríamos aqui um highlight do show.

"Love & Glamour (Intro)" / "Glam"

"Fashion é um estilo de vida, uma escolha, uma liberdade de expressão,você tem que viver, amar e sangrar. A vida é toda sobre amor e glamour" essa é a introdução daquele que seria o primeiro single do "Bionic", "Glam". Denominada de "a "Vogue" da nossa geração", em cima da hora, foi deixada de lado e trocada por "Not Myself Tonight". Mais um erro! Se "Glam" seria um smash como "Vogue", não podemos afirmar com certeza, mas a faixa é fierce, glamurosa e merecedora de performances cheias de carões.  Uma faixa simples, sem muitos gritos e exageros, carregada de sintetizadores e finesse, na qual Christina canta: "Inibições enlouquecendo /  desça até o chão no seu  melhor couture /  venha e me eleve", rainha, né mores?

"Prima Donna"

"Eu sou prima Donna, posso controlar o mundo, não importa quem esteja do meu lado, posso controlar o mundo", ela sabe o poder que tem, ela sabe o que representa para os fãs e que inspira milhões de pessoas. "Prima Donna" é uma das faixas com mais cara de Christina Aguilera no disco, aquele momento em que a voz dela se torna a voz de todas as mulheres e cantando com muita agressividade ela afirma ser uma diva. Assim como em "Bionic", aqui as batidas eletrônicas são muito bem colocadas e Xtina segue biônica.

"Morning Dessert (Intro)" / "Sex For Breakfast"

Temos aqui um momento chave nos disco de Aguilera: Sexo! A hora de abusar de sussurros, melismas e nos fazer delirar. "Minha fome não é de comida, é de você", canta Christina em "Morning Dessert", nos preparando para uma mudança na sonoridade do disco que chega com "Sex For Breakfast". Um R&B leve, sexy, com um piano charmoso em momentos chaves, a faixa nos remete à momentos do "Stripped", e isso não poderia ser melhor, né mesmo? Ouvir Christina falar antecipar o café da manhã, se revirando na cama, com o corpo te tocando e ela querendo te amar é de deixar qualquer um nervoso. "Quando o sol amanhece, a única coisa que eu penso é: sexo para o café da manhã, continue dentro", sigamos com esta mensagem!

"Lift Me Up"

Chegamos à primeira balada do álbum. E que balada, meus caros! "Lift Me Up" é uma faixa linda, carregada por uma guitarra pesada, dando um toque dramático e uma letra escrita pela Linda Perry, ou seja, a fórmula perfeita para Christina brilhar. Bem crua, a faixa vem sem introdução, e ouvimos logo de início: "E a dor começa, assim que a música acaba e sou deixada aqui com mais do que aguento". Foi a primeira música do disco a ser apresentada ao mundo no "Hope For Haiti Now" e, sem dúvidas, uma das melhores coisas da era.



"My Heart (Intro)" / "All I Need"

A mulher biônica nos mostra agora os superpoderes de mãe. Na "Intro", ouvimos um momento mega fofo do ex-marido de Christina, Jordan Bratman, conversando com o filhinho deles, Max. Logo em seguida temos uma faixa dedicada aos dois, co-escrita por Sia e, por isso, "All I Need" já merece nossa atenção. Aguilera, com uma suavidade vocal ouvida poucas vezes, canta os versos "Você me traz esperança quando não consigo respirar / Você me dá amor, você é tudo que preciso / Devagar, te seguro perto / Tão feliz de te carregar dentro de mim". Temos aqui a faixa mais simples do disco, levada por um piano como se fosse a melhor das canções de ninar.

"I Am"

Mais uma balada escrita por Sia, porém "I Am" não é tão graciosa quanto "All I Need". A faixa peca pelo excesso de simplicidade, tanto em sua letra, quanto numa melodia que segue arrastada. Essa música poderia ser facilmente cantada pela Sia, que conseguiria impor mais personalidade na faixa e combinaria com "Some People Have Real Problems". Contudo, a letra ainda é bem bonita em momentos como: "E agora estou na sua frente com meu coração na mão / Pedindo para você me tomar do jeito que sou.

"You Lost Me"

Crua como as faixas do "Stripped" e dramática como as faixas do "Back To Basics", "You Lost Me" tem Christina na sua essência melódica, interpretativa e vocal. Embalada por um piano cruzando com um violino, Christina mostra o melhor dos seus vocais nos versos "Sinto que nosso mundo foi infectado / E de alguma forma você me negligenciou / Achamos que nossa vida mudou / Você me perdeu". Grande potencial para single, mas não foi bem trabalhada, assim como o CD como um todo, meio abandonado devido aos compromissos com o "Burlesque". Uma pena!


"I Hate Boys"

Um estigma para a música pop é a tentativa de faixas clichês. Dada toda sua discografia, não existe explicação para a necessidade de incluir uma faixa tão fraca como "I Hate Boys" na tracklist. Depois de tudo que ouvimos, ter uma faixa que fala: "Odeio garotos, mas eles me amam", chega a ser um disparate. A música não é uma atrocidade e seria super divertida em álbuns de novatas, mas nem Lady Gaga, enquanto novata, abusou de tamanho clichê no seu debute.


"My Girls"

A continuação perfeita para "I Hate Boys". "My Girls" é tão boba quanto, e falta o que analisar ao ouvir: "Minhas garotas, comandamos o show / Minhas garotas, estamos provocando todos os garotos / Minhas garotas, porque é assim que somos". Christina forçou a barra no final do disco, para mostrar que, mesmo tendo passado anos longe da música, poderia competir com a sonoridade do pop de 2010. Aqui, ela errou!


"Vanity"

Fechando o disco, "Vanity" soa um pouco melhor que as duas anteriores, principalmente na utilização do EDM, mas com a capacidade lírica de Christina, além de um time que incluiu Linda Perry e Sia, ela não precisa de uma música que comece com "Espelho, espelho meu, quem é a maior vadia de todas? Não importa..sou eu". Fraca, boba e até Fifth Harmony conseguiu utilizar o clichê do conto de fada de forma mais inovadora na faixa "Reflection". Até a high note que fecha o disco soa deslocada. A melhor coisa de "Vanity" é ouvir a audácia de Aguilera em colocar, como últimas palavras do disco, a pergunta: "Quem é a dona do trono? E ouvir Max responder: Você, mamãe!".

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Acho que deu para perceber que o comeback de Christina com o "Bionic" não tinha grandes motivos para dar errado. O disco é extremamente consistente e cheio de pontos fortes que mereciam ser explorados. Entretanto, a divulgação do disco foi extremamente bagunçada, desde a troca do primeiro single, até as performances com um cronograma bem disperso, falhando em dar a visibilidade necessária para nossa rainha! Além disso, Christina parecia não ter acompanhado a velocidade que a música pop tomou e não investiu o suficiente em singles, aparições e produções para fazer seu álbum ter o melhor desempenho possível.

O "Bionic" não é tão forte, intenso, reflexivo ou conceitual como o "Stripped" e o "Back To Basics", mas ele estava completamente coerente com a sonoridade que o pop mostrava, além de ter excelentes faixas para as pistas, além de seu maior diferencial: A Voz da Geração! As vendas menos expressivas de "apenas" 1 milhão e meio de cópias, deu ao disco o título de "Flop da década", mas pelo lado positivo, vai ser esse flop, junto com o do "Lotus", que vai fazer o próximo comeback ser ainda mais destruidor. Who owns the throne?

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