Album Review: Selena Gomez fez de “Revival” um álbum foda sobre a Selena Gomez

Futuro e crescimento estão associados, pois à medida que o tempo passa, buscamos evoluir. É sob essa perspectiva, que a ex-Disney star Selena Gomez vem trabalhando em sua carreira, com muita inteligência, diga-se de passagem. Hoje, sua voz que de tão delicada chega a ser frágil, passa  a cantar com maior domínio dos seus pontos fortes e fracos. E esse é o melhor jeito de explorar o há de melhor dentro de si! Se no "Stars Dance", Gomez arriscou muito ao mudar sua imagem e sonoridade drasticamente (de forma assertiva que fique claro), com seu novo disco, "Revival", ela não correu riscos porque sabia exatamente o que queria, e fez isso com muita elegância.

Confira abaixo a nossa crítica faixa-à-faixa do álbum:

"Revival"

"Eu mergulho no futuro, mas sou cega pelo sol. Renasço a todo momento, então quem sabe o que me tornarei?" Os versos que iniciam a primeira faixa resumem o que esperar do disco e aonde está todo o seu charme. Diferente do "Stars Dance", muito pautado em um relacionamento, aqui, mini-Britney fala sobre experiências de crescimento e autoafirmação. Na primeira música, tudo isso é ouvido, embalado em uma melódica mid-tempo, com elementos eletrônicos e de percussão. Deliciosa!  "Sinto que estou acordando esses tempos, minhas correntes estão quebrando, estive sob auto-restauração, estou me tornando minha salvação". Sim, Selena, é seu tempo de virar borboleta.

"Kill'em With Kidness"

Na segunda faixa do disco, Selena faz um paralelo sobre  vida e guerras, e fala: "O mundo pode ser um lugar sujo, nós sabemos. Não devemos perder a graça. Abaixe as armas com que está lutando e os mate com bondade". De forma extremamente suave, começando com batidas leves, um piano e um assovio charmoso, levando a uma melodia com elementos de deep-house e sintetizadores, nos lembrando uma versão não-gótica de "Ghost Town" do Adam Lambert. A moça resolveu explorar sua capacidade reflexiva e em letras como esta (co-escritas por ela) vemos um enorme potencial artístico. 

"Hands To Myself"

Terceira faixa do disco e o que podemos dizer é: "Não conseguimos nos segurar". Em "Hands To Myself", um faixa extremamente sensual, alternando momentos de suavidade e expressividade vocal, Selena quer porque quer pegar no boy de todas as formas. Este foi o momento de explorar sua sexualidade sendo sexy e nada vulgar. Vocalmente ela brilha, sussurrando nos nossos ouvidos, sob batidas pulsantes, coisas como: "Te quero todo pra mim, seu metafórico suco com gin. Me dê um pouquinho do que é estar com você. Não desperdiçarei uma gotinha do seu metafórico suco com gin" (esse suco metafórico...Deus tá vendo!). Todos sabemos que Britney é uma das maiores influências de Seleninha, e aqui isso fica claro, porque falar de sexo, com leveza e sussurro é especialidadeney de poucos.  

"Same Old Love"

Chegamos ao segundo single e Selena segue muito segura de si e, em "Same Old Love", ela está cansada de um amor comum (alguém palpita?), mas ela canta sobre isso de uma forma firme e sem lamentações, o que dá o charme da música. Embalada por um piano constante e uma vibe meio pop-jazz, foi uma ótima escolha para single, até por seu refrão pegajoso com o backing vocal da Charli XCX: "Estou tão cansada desse mesmo amor, essa merda me parte ao meio. Estou tão cansada desse mesmo amor, meu corpo já teve o suficiente"

"Sober"

A primeira balada do disco chegou para mostrar que Selena não só pode cantar, como hoje ela SABE cantar. Cantar não está associado a 5 oitavas de voz e melismas incríveis. Suavidade conta e muito! Com um agradável timbre, afinação e sabendo explorar seus tons mais confortáveis, temos uma nova Selena Gomez, que mostra isso muito bem em "Sober". Assim como em "Same Old Love", temos os reflexos de um relacionamento conturbado e ela consegue expor seus sentimentos soando forte ao invés de melancólica ao cantar: "Você não sabe como me amar quando está sóbrio. Quando a garrafa acaba, você me puxa para perto e diz tudo o que deveria dizer"

"Good For You"

O primeiro e surpreendente single do disco, "Good For You", é extremamente sexy, como uma versão trap moderna de "Touch Of My Hand" da Britney, ou seja, uma mulher com total controle sobre sua sexualidade e necessidades. Selena não poupa esforços para ficar bonita para o boy, "estou com meus 14 quilates, sou meus 14 quilates, fazendo direito com o toque de Midas. Você diz que meu toque é bom, tão bom que não te fará ir embora. Não vá!", e com todos os elementos de hip hop da melodia, o rap de A$AP Rocky dá um toque certeiro. Escolha arriscada para primeiro single, mas é tão charmosa que deu certo!

"Camouflage"

Uma faixa totalmente despida, embalada basicamente por um piano, "Camouflage" é sobre destruir um relacionamento, porque os sentimentos estavam escondidos. A música foge um pouco do conceito do disco que vinha mostrando uma Selena de oouca tristeza, mas a sinceridade de versos como: "eu tenho tanta merda para falar, mas eu sinto que eu estou camuflada. Um fortaleza ao redor do meu coração. Não tenho ideia de quem você seja. Parece que está camuflado", faz com que ela não deixe nada a desejar.

"Me And The Rhythm"

De volta aos passos das músicas iniciais, a cabeçudinha do pop - expondo mais de sua personalidade -  nos conta que tudo que ela precisa é do ritmo. Com uma melodia recheada de sintetizadores e num compasso de batidas leves,  Selena canta de forma livre sobre sua relação com a música e como isso a faz bem. Em versos como: "Não toque uma música de amor enquanto mexo meu corpo. Não quero falar sobre nada, deixe a química fazer efeito, até a energia ser absurda", mostra que ela sabe exatamente o efeito que uma música deve causar. "Me And The Rhythm" é uma música muito inteligente, de produção impecável. Uma das melhores músicas de toda a carreira da Selena e está clamando para ser single.


"Survivors"

"Você me construiu de um coração partido, com tijolos que fez de peças quebradas. Você arrumou a pintura, para que começássemos, Então agora o que é meu é nosso", e assim começa "Survivors". Uma letra linda mal aproveitada numa produção que peca por reutilizar elementos de deep-house que funcionaram muito bem em "Kill'em With Kidness". Aqui, o refrão com a repetição "we are survivors", ao invés de chiclete, se torna irritante. A música é totalmente coerente com a identidade do disco, mas a produção poderia ter sido mais cuidadosa, acrescentando elementos de EDM ou levando a música para algo mais perto da melodia de "Good For You".

"Body Heat"

Como uma boa fã de música pop, Selena não conseguiria construir um disco inteiro sem a presença de uma up-tempo quebradeira e que muito provavelmente terá uma coreo digna das pistas. "Body Heat" vem cumprir esse propósito, de forma não tão atraente, pois os elementos latinos, junto a letra comum "vamos a noite toda, só você e eu. Se você é a chama, sou querosene. Tudo que eu quero é o calor do seu corpo" não impactam muito, deixando a faixa perdida na proposta do disco.

"Rise"

Não deixando a peteca cair, no finalzinho da versão standard do disco temos uma masterpiece. "Rise" é mais uma midtempo impossível de passar despercebida, pois tanto a melodia, com um toque gospel (pasmem), quanto a belíssima letra, casam perfeitamente na voz da moça e fecham o disco com muitas glórias e bençãos. Mostrando versatilidade e domínio do conceito do disco, Selena conseguiu passar uma bela mensagem, dando orgulho de vê-la participando de composições como: "Você pode buscar a força que nunca soube que tinha, você pode inspirar a fé não importa onde esteja".

"Me & My Girls"

Iniciando a versão deluxe do disco temos outra uptempo com uma mescla de ritmos indianos e latinos. "Me & My Girls" poderia facilmente substituir "Body Heat" na versão standard, simplesmente por ser mais divertida e sua letra mais empoderada. Vemos aqui Selena falando para os boys "Voltarei pra casa com quem eu saí, eu e minhas garotas". Excelente para girl's night out!

"Nobody"

O disco segue e "Nobody" também seria uma boa adição à versão principal do disco, porém o melancolismo e a súplica tomam conta da faixa, o que faz ela se distanciar da proposta do disco. O "Revival" veio bastante maduro para ter versos como "ninguém vai me amar como você", mas ainda assim é um faixa super gostosinha.

"Perfect"

Temos aqui uma faixa incrível, mas que segue a mesma linha de amor perdido da anterior, por isso não combina com o que o disco traz na versão standard. Entretanto, "Perfect" vem embalada por uma melodia envolvente e sexy, com uma das melhores letras de todo o disco. O refrão da música é de uma sutileza avassaladora e uma Selena chorosa abre seu coração para todos: "Talvez eu deva ser como ela. Posso sentir o batom dela, parece que a estou beijando e ela é perfeita".  

"Outta My Hands (Loco)"

Mais uma uptempo e, assim como e"Body Heat", temos uma faixa fraca, talvez a mais fraca de todo o disco. Alguns podem até considerá-la divertida, mas "Outta My Hands" se perde fácil dentre tudo de bom que o disco traz. A repetição "I know you're loco" no refrão chega a irritar um pouco.

"Cologne"

Fechando a versão deluxe do disco temos "Cologne", a versão de Selena para "Perfume", fazendo jus ao título de Britney mirim. Brincadeiras a parte, temos uma balada redondinha, que possui até um bom apelo comercial pela construção da melodia que atinge um ápice no refrão. Junte isso aos versos "Sempre que penso em você, me sinto ceder. Você me mantém segura e aquecida, até quanto estou sozinha. Usando nada além da sua colônia" e você terá uma ótima faixa pop. 

***

O "Revival" nos mostra que, em seus trabalhos anteriores, Selena seguia fórmulas prontas de garantia de sucesso e isso gerou bons resultados para ela, sua gravadora e produtores. Agora com esse disco (com um capa, na qual sua imagem despida é o suficiente para dizer quem ela é) ela sussurrou por sua liberdade, explorou seus pensamentos, ao invés de só seus sentimentos (tendo co-escrito 11 das 16 faixas) e, com reflexões que provam que ela não é garota e, sim, mulher, conseguiu construir uma obra muito mais interessante.


Já ouvimos muitos discos pop excelentes lançados por artistas em suas "fases de amadurecimento", como "Britney", "Bangerz" ou "Stripped". Selena agora pode sentar com elas e dizer que também conseguiu reproduzir experiências adultas e mais sinceras em um álbum extremamente coeso, dando oportunidade para sua personalidade de artista se reafirmar. Como resultado: o melhor disco da sua carreira (com banda ou sem banda) e só nos resta aproveitar cada pedacinho dessa beleza que é o "Revival". Como a própria disse: tudo o que você aprendeu foi vital e você está revivendo melhor do que nunca.
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