Single Review: Lana Del Rey vai contra (quase) tudo o que esperávamos dela com 'High By The Beach'

Ainda hoje estamos confusos com a divulgação do "Ultraviolence", último álbum de Lana Del Rey. Com pouco tempo de lançado, o material teve a divulgação encerrada, deixando pra trás vários hinos gloriosos que deveriam ganhar mais atenção como singles - "Fucked My Way Up To The Top" grita. Achávamos então que ela daria um pausa nas gravações, como fez após o "Born To Die", mas não, a americana logo após já disse que o novo álbum estava chegando sua pequena vadia e o jogo virou.

Uma das primeiras declarações da cantora sobre o "Honeymoon", sucessor do "Ultraviolence", é que ele seria mais parecido com o "Born To Die", ou seja, menos rock e mais pop e com a boa e velha influência hip-hop do álbum de estreia, o que nos deixou animadíssimos, afinal, um Novo Testamento é sempre bom, não é mesmo? O balde de água fria chegou com o lançamento da faixa-título, uma música sonífera - e bem parecida com as faixas do "Ultraviolence" -, o que nos deixou com cara de "uér?". Mas acalmem-se littles lanetes, "Honeymoon" é apenas faixa promocional e presentinho para os fãs. O carro-chefe do álbum é "High By The Beach", single que chegou até nós na madrugada de hoje (8).

Algo que já aprendemos sobre a discografia do nosso Espírito Santo é que ela não costuma fugir da sua sonoridade - e nem deve. Toda a áurea "wannabe trilha sonora" foi o que nos fez cair de amores desde "Video Games", e em "High By The Beach" não é diferente. A sonoridade realmente remete a trabalhos do "Born To Die" (ouvimos um amém de pé da igreja?), fugindo da vibe gótica trevuda do "Ultraviolence". Até os vocais, secos e orgânicos no álbum anterior, não estão aqui, numa suavidade e doçura bem "National Anthem".


"High By The Beach" começa com hélices de um helicóptero que pousam num instrumental bem leve à base de órgão, onde a hitmaker de "Money Power Glory" carrega a melodia com os vocais que se fundem aos backing vocals cheios de ecos. Então que *VRÁ*, caímos no refrão com batidinha hip-hop bem "Off To The Races", com versos ritmados e quebrados onde Lana foge da obviedade de suas letras.

Nadando contra a correnteza, "High By The Bitch" trata de um tema estranho da discografia da cantora. Ela já cantou de todas as formas possíveis como ama seu parceiro, seja dizendo que o amará até o fim dos tempos (em "Blue Jeans"), ou que não importa o quanto ele a machuque, tudo soará como amor (em "Ultraviolence"), mas no novo single ela está terminando com o moço, com interesse maior em ficar hashtag #loka na praia e ser feliz:  "Amar você é difícil, ficar aqui é mais difícil ainda. Eu não quero mais isso, é tão surreal. Eu não posso sobreviver se tudo isso for verdade. Agora você é só um problema qualquer, porque você perdeu a mão. Nós não sobreviveremos, nós vamos afundar na areia".

Mas o tema provavelmente não dominará o álbum e a fará uma Adele com vontade de estar morta, já que o nome do material é "Honeymoon" ("lua de mel" em português), porém foi uma surpresa a união de sua sonoridade familiar com um conceito invertido, além de doses seguras de novidade aqui e acolá (o verso quebrado do refrão é maravilhoso). E só a gente achou o single uma espécie de continuação de "West Coast"? Com dois opostos que se completam, "West Coast" é o romance, "High By The Beach" o término. "West Coast" tem versos acima e refrão que declina, enquanto "High By The Beach" possui versos abaixo e refrão que ascende. É como um final de semana na praia que termina mal - pro relacionamento.

Continuamente narcotizante, "High By The Beach" é mais uma canção incrível dessa discografia imaculada (recado pra "Honeymoon": baby baby bye bye) que jogou nossas expectativas pelo álbum completo nas alturas. Tem o velho glamour hollywoodiano com o cinematográfico "Lights, camera, acción", a pose gangster em "You could be a bad motherfucker but that don't make you a man" e até o desejo mortal de liberdade em "Todos podem começar de novo. Não por meio do amor, mas por meio da vingança. Através do fogo nós revivemos". Mesmo não trazendo algo realmente inédito, a canção soa fresca, redondinha para rádios e um lead single generoso de um álbum que nem ouvimos, mas já amamos.
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