Overdose | O boicote da Marvel nos quadrinhos e sua influência no cinema


O tema do Overdose desse mês não era para estar nem aqui, linda, mas como eu não deveria trazer algo específico agora e não fazia a mínima ideia do que trazer, resolvi vir mais uma vez com Marvel. E fica tranquilo, você que está cansado desse "mais do mesmo", de setembro a dezembro trarei assuntos completamente diferentes — todos já definidos —, porque nem eu estou aguentando mais falar sobre gente com collant. No mais, chega dessa introdução porque me contaram que enrolo muito.

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Como vocês já sabem, e por eu bater nessa tecla várias vezes, a Casa de Ideias vendeu os direitos de seus personagens lá na década de 90 para sair do vermelho. Assim, surgiu "X-Men - O Filme" e daí pra frente todo o Universo Cinematográfico Marvel e o Universo DC (ainda pré-maturo), consequentemente. De maneira arriscada, o estúdio apostou em heróis B — sim, Homem de Ferro e seus colegas são do "time reserva" — e, cinco/seis anos depois, o estoque começou a ficar escasso, obrigando-o a buscar heróis ainda mais desconhecidos pela massa e provocar um boicote não-propriamente dito nos quadrinhos. Porém como isso influenciará no cinema?


Primeiramente, vocês devem entender como funcionam os contratos entre a Casa de Ideias e os demais estúdios. Na verdade, não há muito o que entender, porque cada um é diferente (e por não estarem na internet prontinhos para serem lidos quando necessário), mas no geral funciona da seguinte maneira: a cada X anos deve ser feita alguma produção com o herói; para exemplificar, posso apontar para vocês os longas "O Espetacular Homem-Aranha" e "Quarteto Fantástico", que nasceram apenas para evitar a "expiração" dos contratos.

Com o passar dos anos, vários personagens retornaram à Marvel, seja por desistência do estúdio quanto em tentar fazer acontecer a "marca" ou porque o contrato expirou — na verdade, ambos os pontos caminham de mãos dadas. Demolidor, Motoqueiro Fantasma, Blade e Justiceiro foram os últimos a retornar. Sendo assim, a Marvel Studios pode usá-los como bem entender, mas ela não parece estar tão interessada — com exceções — em tais heróis agora, e sim em outros. É aí que entra o boicote.

Neste ano, a Marvel nos quadrinhos sofre por um grande processo de "reboot". Tal reinicio, provoca a morte de personagens, remanejamentos de membros de equipes, dentre outras coisas absurdinhas que sempre acontecem após curtos ou longos períodos. Entretanto, tais mudanças estão ocorrendo de maneira (descarada) para que a empresa possa usar alguns personagens em suas produções, devido às brechas jurídicas.

Para vocês terem uma ideia de como andam as mudanças, Wanda e Pietro não são mais filhos do Magneto nas HQs, e (quase) por consequência, também não são mutantes *BOOOM*. Durante a New York Comic-Con de 2014, a Marvel lançou um poster confirmando tal especulação e galera já está achando que tais heróis serão tratados como inumanos futuramente, contribuindo como um gancho para o universo do cinema, visto que há planos para a adaptação de algum arco dos Inumanos, e por hora, Mercúrio e sua irmã ainda são tratados como "milagres", logo, é possível.

Apesar do shock de transformação, os X-Men devem sofrem poucas mudanças drásticas, assim como o Homem-Aranha, seja por serem os donos das histórias mais rentáveis financeiramente, ou até mesmo com deter os direitos de alguns personagens devido à brecha. Podem ficar tranquilos que ninguém será explodido como o elenco de "Quarteto Fantástico" — atitude bem matura da Casa de Ideias, né? — ou remanejada como a própria equipe está sendo, desfazendo-a.

Okay, e como essas mudanças se relacionam às brechas jurídicas, e o que são elas? Todo contrato sempre tem um "porém", sendo a brecha jurídica que dá espaço para fazer algo que, teoricamente, não deve ser feito. No caso entre a Marvel e os estúdios, estamos falando do direito de personagens. Vocês já devem ter lido algo sobre, ou pelo menos ficar todo confuso quanto ao uso do Mercúrio em estúdios diferentes, por exemplo. Ele faz parte da brecha.

O personagem, assim como sua irmã, é um mutante — um X-Men — entretanto, também é um Vingador, pertencente à segunda formação do grupo nos quadrinhos, então ele pode ser utilizado por ambos estúdios. Mas, em cada um ele deve cumprir seu respectivo papel. Por exemplo: em momento algum você vê Evan Peters sendo citado como um Vingador em "Dias de Um Futuro Esquecido"; ou ao contrário, nada da palavra "mutante" em "Era de Ultron" para Aaron Taylor-Johnson. Deu pra entender?


Com esses remanejamentos, mudanças de origens e outras tramoias, a Casa de Ideias pode usar um determinado personagem no cinema que não estará quebrando os contratos. Não estranhem caso encontre novamente o mesmo herói em estúdios diferentes, isso pode se tornar cada vez mais comum e a empresa de quadrinhos parece determinada em fazer o necessário para poder usar quem quiser. BUT, podem ter certeza, caso a Marvel faça a louca e mexa em nomes maiores como "Wolverine" ou de outro grandão dos X-Men, preparem a pipoca porque teremos uma briga bem mais interessante a de Capitão América e Homem de Ferro em "Guerra Civil".
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