VMA 2015 e as teorias sobre os nomes esnobados, estrelando Nicki Minaj, Madonna, Tinashe, Major Lazer, Rihanna e mais uma porrada de nomes

Todo mundo sabe que saiu na manhã desta terça-feira (21) a lista de indicados ao Video Music Awards 2015 (confira na íntegra aqui), nada menos que a maior premiação musical dedicada aos videoclipes de todos os tempos, e com a lista, surgiu também o tradicional descontentamento do público com as corriqueiras esnobadas da emissora.

Quem se lembra do ano passado, deve recordar que a MTV ignorou clipes super bem produzidos de Lady Gaga, que naquela época promoveu “Applause” e “G.U.Y.”, do CD “ARTPOP”, Shakira, que se uniu à Rihanna na deliciosa “Can’t Remember To Forget You”, e Britney Spears, que nesse tempo voltava ao som de “Work Bitch”, do seu “Britney Jean”, e ainda falando em 2014, deve se lembrar também que o principal questionamento público se dava por conta de uma coisa em especial: a premiação está aí pelos melhores do ano ou pelos mais vendidos? Neste ano, a resposta deles, mais uma vez, foi para as vendas.

Não dá pra negar que a indústria pop está em baixa e, nesta maré negativa, dá pra contar nos dedos os lançamentos que realmente nos encheram os olhos, mas é justamente por essa perspectiva que questionamos, por que a premiação não está visando o que realmente deveria? Qual é a da MTV elegendo os “melhores” alguma coisa do ano com base na sua posição da Hot 100, iTunes e afins? E, mais, o quão aproveitadora é a emissora quando usa determinados artistas durante sua programação, mas esnoba o seu trabalho na cara de pau durante o principal momento em que poderia revelar este reconhecimento pela qualidade de seus lançamentos? A MTV vacilou mais uma vez.


Como era de se esperar, Taylor Swift é a maior cantora desse VMA. Todo ano, a emissora se esforça pra ditar a tendência do ano, colocando uma artista específica em evidência, e quando não dá pra ser a responsável por seu acontecimento, ela apenas segue uma onda que não dá pra remar contra:

Em 2008, houve a ressurreição da Britney, um ano depois que foi o fiasco da sua performance de “Gimme More”; em 2009, só se falava em “Single Ladies”, da Beyoncé, e quando a cantora da vez perdeu pra Taylor Swift, rolou aquela polêmica inesquecível do Kanye West; em 2010, Lady Gaga roubou a cena, sendo o ano em que estreou seu comentado vestido de carne e levou oito prêmios pra casa; 2011 foi o primeiro ano em que Katy Perry teve prêmios pra levar para casa, três no total, mas dividiu os holofotes com a parceria de Britney Spears e Lady Gaga em palco, além da Beyoncé e a performance de “Love On Top”, seguida do anúncio de sua primeira gravidez; 2012 deveria ser o ano de Rihanna, mas acabou no bolso dos britânicos do One Direction, que foram os grandes vencedores da noite; 2013 foi o ano da Miley Cyrus e toda a porralouquice que abriu os trabalhos do CD “Bangerz”, com aquela performance icônica de “We Can’t Stop” e “Blurred Lines”, com o Robin Thicke, e eis que, em 2014, lá esteve a emissora nos pés de Beyoncé outra vez, sendo 2015 de Swift.

E isso a gente nem questiona. Já esperamos os indicados aguardando que haja uma favorita e, no caso de Taylor Swift não ser o que o público esperava, ainda que seja a artista pop que mais vende na atualidade e apareça entre as categorias com clipes realmente incríveis, sendo eles “Blank Space” e “Bad Blood”, do CD “1989”, a MTV reservou inúmeras indicações duvidosas à Beyoncé e seu “7/11” que, pasme, concorre até mesmo à categoria de Clipe do Ano, contando com ela pra assumir o posto de artista do ano no caso da cantora de “Style” não segurar o tranco, assim como foi em 2011 com Katy Perry, mas o caso aqui é ainda mais embaixo.


Queremos dizer, sabe “Anaconda”, da Nicki Minaj? Então. Com esse clipe, do primeiro single oficial do CD “The Pinkprint”, a rapper conseguiu algumas indicações ao Grammy (Melhor Canção de Rap), BET Awards (Clipe do Ano) e Billboard Music Awards (Melhor Canção de Rap), mas no VMA só foi lembrada na categoria de Melhor Clipe Feminino e Melhor Clipe de Hip-Hop, gerando uma importante problematização em torno da premiação e, sabe a razão?

Por mais que, visto por cima, “Anaconda” seja apenas um vídeo polêmico, repleto de bundas, twerk, muita sensualidade e a rapper mandando suas rimas sobre a cobra do cara, o clipe é de uma qualidade indiscutível. Mesmo. E tá, a gente já entendeu que qualidade não era o ponto de partida, só que, falando em números, o lançamento de Minaj também não ficou para trás.

“Anaconda” quebrou o recorde do VEVO como o clipe mais assistido no período de 24h e, quando conseguiu o mesmo feito, também com um clipe lindo, mas julgado superficialmente como pura vulgaridade, Miley Cyrus CONSEGUIU ser indicada na categoria de Clipe do Ano e não apenas reconhecida na categoria para mulheres. Ué.

Se isso não fosse o suficiente, o clipe de Nicki também atingiu um público surpreendente por conta do seu teor viral, por seu tom humorado ou apenas a vontade de exibirem seus bumbuns como a rapper, o que resultou numa série de paródias e brincadeiras em torno do lançamento. A própria MTV chegou a fazer uma matéria sobre sua coreografia. Também como foi com “Wrecking Ball” em 2014 e “7/11” da Beyoncé neste ano, então repetimos: ué?


E aí a rapper foi para o Twitter reclamar, afinal, está no seu direito, e acredita ser apenas mais um caso de racismo na indústria, já que Miley Cyrus, mesmo com toda a vulgaridade de seu clipe, foi reconhecida pela emissora e, no ano passado, Iggy Azalea, que é rapper, mas branca, conseguiu ir além das categorias exclusivas do hip-hop — coisa que, no ano passado, foi bastante discutida por outra rapper também deixada de fora na premiação, a Azealia Banks, que enxergava as categorias limitadas ao hip-hop como uma forma de reunir todos os artistas negros que, por puro racismo, não conseguiam espaço em outros lugares da premiação.


É claro que há controvérsias. Beyoncé que, como dissemos, foi lembrada pela emissora com um videoclipe que nem é lá tão bom, é negra. O rapper Kendrick Lamar, que é o líder de indicações desse ano, com nada menos que 13 aparições, também é negro. Mas e se pensarmos na questão de Nicki Minaj, além de negra, ser também uma mulher que empodera as outras, não com a mesma sensualidade contida de Beyoncé ou métodos para todas as idades de Taylor Swift e sim dessa maneira escrachada, como vimos no clipe e letra de “Anaconda”? Seria mais um ponto que, ao ver da emissora, seria negativo para a rapper ou estamos viajando demais?

Teorias conspiratórias a parte, a própria rapper adianta o nosso trabalho, afirmando que deveria estar indicada à Melhor Clipe do Ano e Melhor Coreografia. Estamos com você, Nicki, estamos com você.


Desta vez fomentando a ideia de que, se flopou, não merece ser considerado bom, Madonna também pagou pela ambição da MTV. A cantora, que lançou neste ano o álbum “Rebel Heart”, teve dois clipes que poderiam entrar para a lista de indicados desse ano, sendo eles “Living For Love” e “Ghosttown”, e se não bastasse a dificuldade para alcançar as rádios, por conta de sua idade, Madge também lidou com a esnobada da emissora, que sequer se deu ao trabalho de incluí-la na categoria de Melhor Clipe Pop ou Clipe Feminino.


Tanto “Living For Love” quanto “Ghosttown” poderiam integrar boa parte da lista, sendo as principais categorias que deveriam ser lembrados (pelo menos um deles, é claro) Melhor Vídeo Feminino, Melhor Vídeo Pop, Melhor Direção de Arte AND Melhor Fotografia. Shame on you, MTV!


Diplo pode até ter sido lembrado pela colaboração com Skrillex e Justin Bieber em “Where Are Ü Now”, do álbum com o projeto Jack Ü, mas a gente aposta um cantor canadense que ele adoraria ter sido lembrado por seu trabalho mais antigo, que é o trio Major Lazer, e, sendo mais exatos, pela parceria com a cantora e o DJ Snake em “Lean On”.

Pensando na teoria relacionada aos charts, “Lean On” teve uma atenção significativa, ainda que “Where Are Ü Now” tenha se saído melhor, e sai na frente na questão qualitativa, com um clipe que mostra a baderna do grupo com a cantora dinamarquesa pela Índia, devendo ser lembrado em pelo menos três categorias: Melhor Colaboração, Melhor Vídeo Pop e Melhor Coreografia.


Ainda falando em colaborações, por que deixaram Britney Spears e Iggy Azalea de lado? Provavelmente pela mesma razão da Madonna: a baixa repercussão pelas paradas. A parceria entre as loiras era esperada como o hit do verão desde seu anúncio, mas foi menos, beeeem menos que isso, porque Britney desistiu de promovê-la como a rapper gostaria, daí em diante, toda sua promoção foi por água abaixo.

Entretanto, houve um clipe. Houve um lançamento. Houve essa colaboração. Houve a esnobada. “Pretty Girls” merecia estar em Melhor Colaboração e Melhor Vídeo Pop.


E antes que a gente se esqueça, quem também merecia ter marcado presença na categoria de Melhor Colaboração foi o trio parada dura formado por Rihanna, Kanye West e Paul McCartney, que veio devagarzinho, veio todo acústico e minimalista, veio combinando jeans e P&B, mas com mais um material de qualidade inquestionável em “FourFiveSeconds”. Pelos menos valia o corte de “Bitch Better Have My Money”, que ficou de fora por ter sido lançado após o fechamento dos indicados.


Na ala das novinhas, nossas injustiçadas são Tinashe, Bonnie McKee e Tove Lo, além da revelação britânica Years & Years. Todos poderiam integrar a categoria de Artista Pra Ficar de Olho, além das meninas merecerem um espacinho entre Melhor Vídeo Pop (“Habits”, “Bombastic”), Melhor Vídeo Feminino (“Habits”, “Bombastic” e “All Hands On Deck”) e até Melhor Coreografia (“All Hands On Deck”).


E isso pra não falar da Sia e seu “Elastic Heart”. Tudo grandioso demais para uma indústria tão medíocre.

No fim das contas, é claro que não dá pra MTV abraçar o mundo de uma só vez. Durante o ano, há inúmeros lançamentos e, ainda que o ideal fosse que eles premiassem de acordo com a qualidade, eles terminam buscando o que foram tendências e, pensando neste sentido, as coisas ficam ainda mais difíceis de serem definidas, mas não deixa de ser desanimador vê-los incentivando artistas apenas por suas colocações nas paradas e, ainda assim, desclassificando alguns, para dar espaço para favoritismos que perduram pela história da emissora (cof, cof, 7/11), sem falar no descaso da premiação com a categoria destinada ao rock — um dos clipes concorrentes é “Why’d You Only Call Me When You’re High?”, lançado em 2013 pelo Arctic Monkeys, dando a impressão de que selecionam aleatoriamente os nomes que vierem na cabeça.


Mas pensando melhor, nem há muito com o que se preocupar, até porque não é de hoje que questionam a relevância e credibilidade da emissora que, ano após ano, tem se mostrado cada vez menos interessada em promover exatamente o que lhe deu nome, a música, e por mais que a lista de indicados seja tão decepcionante, ainda temos a confirmação de que Miley Cyrus será a apresentadora do evento para nos dar algum motivo para assisti-lo. Quem sabe ela não salva a edição mais uma vez?

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