Uma música de uma cantora nova nacional e realmente interessante está entre nós

Faz alguns dias que recebemos a ligação de uma assessora de imprensa. A moça, bastante entusiasmada com o que tinha em mãos, falava sobre uma cantora brasileira em ascensão e que, segundo ela, estava trabalhando com muita “gente foda”, como o Manny Marroquin, nome que, também segundo ela — e com bastante ênfase, diga-se de passagem —, produziu a Rihanna!

De fato, é bem legal quando artistas nacionais conseguem chamar a atenção de produtores gringos, principalmente quando nossa gama de produtores de música pop é limitada e, infelizmente, liderada por nomes tão genéricos. Um bom caso de produtor gringo de olho em brasileiros foi o Diplo que, antes mesmo da sua ascensão nos EUA, já olhava pra cá e realmente descobrindo coisas fora do comum, como Bonde do Rolê, Gaiola das Popozudas e Banda Uó. Na sua última vinda ao país, o cara saiu com parcerias de Karol Conká, MC Bin Laden e Tropkillaz. Mas não foi esse o caso da assessora animada.

Na pressa durante a ligação, pedi pra que ela me passasse tudo por email, assim teria tempo de avaliar direitinho e ver o que deveria ou não vir para o blog e ela, ainda bastante entusiasmada e como uma assessora que se preze, quis garantir a pauta, perguntando se tinha como “sair uma notinha”, e eu reforcei, que daria uma olhada quando mandasse o email. Se fosse bacana, não tinha porque não vir para o blog, né?

Nas primeiras linhas do email, já estava a referência da Rihanna de novo. E daí a primeira impressão negativa em torno do trabalho. Isso porque, segundo o Wikipédia, o tal Manny Marroquin foi, na realidade, responsável pela masterização de alguns trabalhos da barbadiana, mas só. Não é como se ele fosse o Kanye West dizendo que ela devia ou não fazer em “FourFiveSeconds” ou a Sia dando dicas vocais para “Diamonds”. Ele só recebeu uns materiais e os masterizou. Ponto.

Tudo bem, tudo bem. Na animação e necessidade de um espaço, o que é bem escasso para artistas nacionais dentro de blogs do gênero, tudo o que puder colocar seu produto pra cima é viável, mas também não precisa forçar a barra, né? E é justamente aí que boa parte desses assessores erram quando querem se comunicar com nós, dos blogs e outros veículos que, segundo os próprios, formam opiniões. Se a ideia é que a gente note a existência de artista X, ok, vocês conseguiram a partir do momento que entraram em contato e apresentaram algo. Mas se é pra que a gente curta e, na melhor das hipóteses, fale bem. Segura a onda, amigo. Insistência demais cansa e, antes mesmo de escutarmos qualquer coisa da fulana novata, já estaremos torrados do seu nome. A mesma coisa serve para os que optam por comprar mil e um textos no blog grandão x ou no portal que tá aí há não sei quantos anos y. Pode até funcionar com alguns leitores, mas não com os outros comunicadores, que conhecem bem o fluxo natural desses sucessos espontâneos, e aí a rejeição pode ser ainda pior, mas não é essa a questão aqui.

Passados alguns dias desde a ligação, a gente se deu conta do email falando sobre a tal cantora e finalmente decidimos ouvir seu trabalho. Atualmente, ela promove um single do seu EP de estreia, autointitulado, e com ele tenta alcançar o sonho de ser uma grande artista — de acordo com a biografia enviada pela assessoria, ela sonhava em ser uma grande estrela de Hollywood e traz como diferencial um pop inspirado em artistas americanos, mas cantado em português. Touché.

Ao decorrer do email, fazem menção à outra dezena de artistas que trabalharam com o produtor lá de cima e outros três nomes que fazem um trabalho semelhante, com uma lista que vai do Justin Timberlake à Celine Dion. E até quando vão falar sobre o cenário do seu primeiro clipe, mencionam as mil e uma coisas que já fizeram lá. Eita canseira.

Mas quer saber o mais inusitado de tudo isso? A gente resistiu à toda essa encheção de linguiça e, curiosos por o que estava por vir, decidimos escutar de uma vez o single da cantora em questão e, olha só, não é que realmente era bom? Num instrumental semelhante à “Mirrors”, do Justin Timberlake, a música se desenvolve bem em torno de uma letra totalmente em português e a moça, além de ser bem desenvolta em frente às câmeras, canta bem, o que é realmente importante quando falamos de uma pessoa que quer ser uma grande cantora, certo?

Não é um smash hit pronto, como quando vemos Anitta trazer algo novo e imaginamos dentro da trilha sonora de alguma nova novela das 7 na Globo, mas nos fez questionar porquê a assessoria precisou de tanta chatice e menções desnecessárias, quando bastava eles dizerem que tinha uma música realmente interessante à nossa espera.

Ouça você mesmo, é realmente bem legal:




Nosso novo problema, entretanto, é com o nome dela. Quem teve a ideia de aprovar algo chamado Fhabi Hanna? Tá certo que ele não diz nada sobre seu trabalho, se não as inúmeras menções à Rihanna nos emails de seus assessores, mas vale a possibilidade de estudarem uma mudança, o que certamente contribuirá para uma maior aceitação do seu trabalho, que merece menos encheção de linguiça e mais atenção.

Aproveitamos, inclusive, o espaço para a sugestão de novos possíveis nomes para a cantora. Talvez devêssemos abrir uma enquete para isso, não?
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