Movie Review: sem proporções épicas, 'Homem-Formiga' é simples (até demais), mas diverte


Por mais que "O Incrível Hulk" seja o primeiro na ordem cronológica do Universo Cinematográfico Marvel - sim, ele entra -, foi "Homem de Ferro" quem deu gás a tudo isso e, para a época, foi considerado arriscado já que o herói-título era categoria B. Mesmo que firme no mercado, "Guardiões da Galáxia" também foi outro projeto perigoso para a Marvel, porém não tão quanto o longa de Tony Stark. Por fim, o estúdio corre atrás de algo novo com "Homem-Formiga", batendo na mesma fórmula que se repete há um bom tempo - que precisa ser reinventada, mas isso é assunto para outro post -, porém funciona.

Em "Homem-Formiga", a primeira versão do herói é tratada como uma lenda, e suas relações com a S.H.I.E.L.D. existem, abrindo a possibilidade dele estar relacionado, de alguma maneira, aos Vingadores, já que ele, originalmente e nos quadrinhos, é um dos fundadores do time. A lenda é Hank (Michael Douglas), criador das partículas Pym, e consciente do perigo de tal tecnologia de encolhimento, resolve escondê-la. Entretanto, quando Daren Cross (Corey Stoll) - um de seus pupilos e futuro Jaqueta Amarela - está prestes a chegar perto desta, o cientista se vê obrigado a impedir isto. É aí que Scott Lang (Paul Rudd) entra no jogo, recebendo sua segunda chance de fazer o bem - o personagem era um criminoso, sutilmente retratado como um Robin Rodd no filme.

Com Scott Lang prestes a assumir o traje, nasce então uma relação entre mentor e aprendiz. Mas, ela nem chega perto da relação pai-filha, abortada por dois lados diferentes, mas semelhantes. Hank, assim como Scott, tem problemas com a sua filha (Evengeline Lily). A relação entre os dois não é uma das melhores desde que sua esposa morreu, e ambos vivem jogando indiretas para si, formando uma verdadeira teia de intrigas. Com Lang, entretanto, o problema é outro. Por ter sido preso, o rapaz perde o contato com a filha e, após ter sido libertado, tenta se reaproximar, mas falha. Mas por que são semelhantes? Ambos os pais buscam se redimir com suas filhas. A abordagem desse "Casos de Família" é um dos pontos mais altos do longa-metragem, diga-se de passagem.

O humor, mais uma vez, é bem dosado, nada exagerado como o primeiro "Vingadores", e sim natural como o longa com Chris Pratt. Mesmo que, às vezes, o alívio cômico entre em momentos errados, ele funciona bem. Comparando com os trailers, houve até algumas piadas cortadas, e a estratégia foi inteligente. Por exemplo, num intervalo de 40 minutos teríamos duas piadinhas com o nome do herói, mas uma delas acabou ficando de fora, mesmo que a outra seja melhor que a permanente.

Algo já esperado, o longa brinca bastante com a ideia de perspectiva/ponto de vista. Em momentos, quando Scott Lang está minúsculo, temos a sua visão das coisas, com todos os objetos em escalas gigantescas. Em outras, temos uma perspectiva mais ampla, em que vemos que o personagem é insignificante perto dos objetos, assim como os acontecimentos que o envolvem. Engraçado que em apenas duas cenas isso é usado como alívio cômico - uma delas é até mostrada nos trailers de divulgação.

Cena que aliás faz parte da batalha final, e olha só, não temos proporções épicas ou até mesmo globais, destruindo uma ou diversas cidades, como nos últimos filmes do estúdio. Tudo é simples. Tal batalha acontece em um quarto. Sim! É claro, o fato de ambos os personagens (Homem-Formiga e Jaqueta Amarela), serem capazes de mudar drasticamente suas estruturas - contraindo e retraindo seus átomos -, torna tudo dinâmico, levando a luta para vários cenários, mesmo que pertencentes ao mesmo local. Porém, por trás disso, temos a ideia de "salvar o mundo" sussurrando em nossos ouvidos, dramatizando um pouco o combate. Um pequeno erro, mas que pode ser engolido facilmente já que a simplicidade ganha espaço.



ENFIM, a produção caótica - houveram trocas de diretor e roteiristas pra caramba - de "Homem-Formiga", mesmo com a fórmula pronta (enredo simples + piadas + ação) que se repete pela 367° vez, cumpre o seu papel. Ele entretém e é um ótimo filme pipoca - talvez um dos melhores do ano, tá? O melhor, ainda que implícita à outra ideia, é o fato do longa ser totalmente despreocupado em trazer uma batalha global e, por fim, vir com algo super simples - o espectador nem acredita que tudo se resolve num papapum. Um ótimo começo para a Fase 3 da Marvel nos cinemas.

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