It Pop elege: os dez melhores filmes de 2015 (até agora!)

Nem só de música vive o homem, já dizia o ditado. Depois das nossas fabulosas listas de melhores do ano (até agora) que contou com os 20 melhores singles, melhores clipes e melhores álbuns, agora chega a vez da sétima arte dar o ar da graça no nosso especial. Aqui você encontrará nossos 10 filmes favoritos de 2015 (until now).

Mas essa lista é um pouco diferente das demais. Ela é dividida em duas partes: a primeira, escrita por Leonardo Pereira, contém os cinco melhores filmes "pipoca", ou seja, aqueles blockbusters que lotam as salas de cinema com 15 sessões dubladas. A segunda, escrita pelo editor que vos fala, Gustavo Hackaq, possui os cinco melhores filmes "cult", ou seja, aqueles menos comerciais, que vão para festivais e circuitos mais restritos, na maioria das vezes com temas mais fortes e "cabeça".

E tem mais uma coisa: todos os filmes selecionados são os que entraram para o circuito brasileiro em 2015, então alguns foram lançados em outros anos, mas só chegaram aqui agora. Certinho? Vamos aos trabalhos.

CONFIRAM OS CINCO MELHORES FILMES PIPOCA DO ANO (ATÉ AGORA) DE ACORDO COM O IT POP:

5. Divertida Mente (Inside Out), de Pete Docter

Depois de algumas animações mornas e pouco empolgantes ("Valente" e "Carros 2"), a Pixar parece ter se reencontrado novamente. A ideia central de "Divertida Mente" é bastante inovadora, característica que se tornou uma das marcas do estúdio da Pixar. Um projeto absolutamente ousado, que busca para o universo infantil a complexidade do funcionamento da mente humana. De forma lúdica e inteligente, somos levados para dentro da cabeça da jovem Riley, uma garotinha de 11 anos que passa por uma traumática mudança de cidade. O filme se passa ora na central de funcionamento da mente de Riley, ora no mundo externo. Os sentimentos Alegria, Medo, Tristeza, Nojo e Raiva é quem comandam os comportamentos, reações e memórias a partir da central, mas uma confusão acaba colocando a Alegria e a Tristeza para fora da área de comando e as duas embarcam em uma jornada pelas diversas regiões da mente de Riley. O roteiro impressiona pela qualidade e criatividade. A animação é uma gracinha, que deixa satisfeito qualquer criança ou adulto e talvez seja por isso que a produção conquistou, só nos Estados Unidos, o valor de US$ 91 milhões, batendo recordes e tornando-se a maior abertura de um filme original e a segunda maior abertura da Pixar, perdendo apenas para "Toy Story 3".

4. "Velozes & Furiosos 7" (Furious 7), de James Wan

"Velozes & Furiosos" sempre foi uma franquia que nunca abriu mão do exagero e com o passar dos anos foi deixando de lado o caráter sensato e se levando cada vez menos a sério. E é aí que mora o segredo! Por ser algo de puro entretenimento, sem nenhuma pretensão maior do que isso, o longa funciona muito bem - graças às mãos de James Wan, diretor de "Jogos Mortais" e "Invocação do Mal". A premissa do filme é simples, tudo parece calmo para a equipe de Dominic Toretto (Vin Diesel), que aguarda ansioso a sua aposentadoria. Entretanto, os planos iniciais precisam ser adiados após a chegada de Deckard Shaw (Jason Statham) que está decidido a vingar a morte de seu irmão Owen Shaw (Luke Evans) que foi morto num embate contra o grupo de Dominic e Brian (Paul Walker). E por falar em Paul Walker, é difícil não se emocionar com as homenagens que são prestadas a ele no filme. O ator que faleceu tragicamente em um acidente de carro em 30 de novembro de 2013, deixou "Velozes & Furiosos 7" parcialmente gravado (cerca de metade de suas cenas). A partir daí o estúdio continuou a gravação utilizando de dublês e efeitos especiais, que garantiram de maneira bem sucedida a conclusão da franquia.   

3. Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World), de Colin Trevorrow 

Se uma coisa que Hollywood gosta é de reboots, spin-offs, sequências e afins. Uma parte devido ao retorno financeiro, outra porque é algo certeiro que vai agradar o grande público. O clássico de Steven Spielberg "Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros" (1993) gerou um franquia consagrada, "O Mundo Perdido – Jurassic Park" (1997) e "Jurassic Park 3" (2001). E em 2015, a Universal Pictures abriu novamente as portas do parque para o público. A história do filme se passa 22 anos após os acontecimentos de "Jurassic Park" e mostra o sonho de John Hammond (Richard Attenborough) sendo realizado, que é ter o parque aberto para visitações. O local ganha o nome de "Jurassic World" e recebe inúmeros visitantes. O que ninguém imagina é que quando a Indominus Rex, escapa do laboratório acaba comprometendo toda a segurança do parque. Chris Pratt interpreta com muita categoria e bom humor o herói Owen Grady e sua parceira Bryce Dallas Howard também nos entrega uma ótima interpretação no papel da chefe de operações do parque, Claire Dearing. Muito mais que um tributo, o filme segue com uma trama bem amarrada, mesmo que previsível em algumas partes, além de efeitos especiais de primeira. Destaque para a trilha sonora de Michael Giacchino que ganha proporções épicas nas cenas de ação de tirar o fôlego. "Jurassic World" consegue surpreender positivamente à altura dos clássicos de 97 e 93, nos dando aquela maravilhosa sensação nostálgica e ainda assim marcar uma nova era nas produções cinematográficas repletas de recursos tecnológicos. 

2. Os Vingadores 2: Era de Ultron (Avengers: Age of Ultron), de Joss Whedon

Com uma sequência inicial eletrizante, "Os Vingadores 2 – Era de Ultron" começa assim, em uma frenesi de deixar o espectador extasiado. Alguns momentos de respiro são adicionados ao filme, que consegue manter a adrenalina e não decepciona. O longa é o penúltimo filme da fase 2 da Marvel Studios. Na trama, o grupo de heróis se vê frente a frente com uma grande ameaça. Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) precisam deixar as diferenças de lado e retornarem mais uma vez para proteger o planeta, quando Tony Stark tenta conseguir um Sistema de Inteligência Artificial chamado Ultron, que não funciona como o esperado. Inesperadamente, Ultron desperta e ao refletir sobre sua missão ele conclui que para se alcançar a paz é necessário destruir a raça humana. Com pouco mais de duas horas de duração, o filme consegue equilibrar as cenas e garantir grandes momentos para todos os heróis, destacando a participação do Gavião Arqueiro. Mesmo usando da boa e velha fórmula da Marvel Studios, "Vingadores 2" empolga e garante uma excelente aventura para quem é fã dos quadrinhos e uma outra maior ainda para quem quer só se divertir.  

1. Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road), de George Miller

Trinta anos se passaram após o sucesso da trilogia australiana original que tinha Mel Gibson no elenco e eis que, anos depois, o diretor George Miller junto com os produtores conseguiram a incrível façanha de fazer "Mad Max: Estrada da Fúria" o MELHOR filme da franquia. Em um mundo pós-apocalíptico, sem nenhum recurso de vida e sem esperanças, Max (Tom Hady) é capturado por um clã e levado à Cidadela. Seu caminho se cruza com Imperatriz Furiosa (interpretada magistralmente pela musa Charlize Theron), líder de um grupo de ex-escravas sexuais. Diferentemente de muitas produções hollywoodianas marcadas pela desigualdade de gênero, o filme possui uma forte carga feminista, apresentando personagens femininas bem construídas e que lutam para se ver livre do patriarcado (Run The World? Girls!). As cenas de ação chegam a ser sufocantes, a ótima fotografia nos insere no deserto australiano que é palco dos momentos mais alucinantes do longa e a trilha sonora acaba sendo a cereja do bolo, que é original e impactante, trabalho do DJ holandês Tom Holkenborg, mais conhecido como Junkie XL. "Mad Max: Estrada da Fúria" é insano, frenético, uma verdadeira explosão! Para a alegria de todos, a continuação já está garantida ("Mad Max: The Wasteland"), e agora nos resta torcer para que ela seja grandiosa na mesma proporção deste. 

CONFIRAM OS CINCO MELHORES FILMES CULT DO ANO (ATÉ AGORA) DE ACORDO COM O IT POP:


5. Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância (Birdman or The Unexpected Virtue of Ignorance), de Alejandro González Iñárritu

Michael Keaton ganhou prestígio no mundo do cinema no final dos anos 80 ao viver o Homem-Morcego em "Batman" do Tim Burton, repetindo o papel em "Batman Eternamente". Riggan Thomson virou ícone cultural ao dar viva ao Homem-Pássaro em "Birdman", franquia cinematográfica de sucesso. O que Keaton e Riggan têm em comum? Além de Riggan ser interpretado por Keaton, os dois atingiram a fama em filmes de super-heróis e declinaram após recusarem o papel para o último filme, não conseguindo os mesmos holofotes desde então. "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" é uma comédia de humor negro que utiliza da metalinguagem da carreira de Keaton para criar o mundo da película, mundo esse contado pelas lentes do megalomaníaco Alejandro González Iñárritu. Filmado num falso plano-sequência, como se não houvesse cortes, a câmera faz um verdadeiro balé entre o elenco que se conecta de forma assustadora, com Riggan sendo a Norma Desmond da era do Twitter. Riggan, assim como Norma e assim como Keaton, está à espera do seu close-up - e ele chegou ao ganhar quatro Oscars: "Melhor Roteiro Original", "Melhor Fotografia", "Melhor Direção" e "Melhor Filme".

4. Tangerinas (Mandariinid), de Zaza Urushadze

Caso você leia a sinopse de "Tangerinas" e ache que se trata de uma aula de história chata, favor reconsiderar. Os fatos históricos são o que menos interessam aqui. O representante da Estônia no Oscar e Globo de Ouro conta a história de um senhorzinho simpático e dono de uma plantação de tangerinas que um dia se vê num impasse: durante um confronto perto da sua casa, duas pessoas saem vivas. Um do seu país e outro inimigo. Ele então passa a cuidar dos dois, que, ao acordarem, entrarão numa verdadeira guerra fria que abalará a tranquilidade da antes pacata vida do protagonista. Muito além da situação fora do comum, "Tangerinas" é um filme que nos coloca pra pensar sobre o conceito de patriotismo. Por que somos construídos para amarmos nosso país? Tudo não se trata de um pedaço de terra? As pessoas se matam em prol de uma linha imaginária que divide localidades, esquecendo que, antes de tudo, somos todos um povo só, mesmo com culturas diferentes. Não é porque você nasceu "do outro lado" que seja diferente de mim, ao menos em níveis humanos. "Tangerinas" disseca esse conflito imaginário de forma extraordinária. Lindo, lindo, lindo.

3. Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash), de Damien Chazelle

Aqui a história é simples e direta: Andrew é um baterista de 19 anos apaixonado por jazz. Ele é aceito no Conservatório Shaffer, a melhor universidade de música dos Estados Unidos, tudo o que ele sempre quis para atingir o sonho de ser um dos maiores bateristas da história como seus ídolos. Porém, ele terá um grande obstáculo pela frente: Terence Fletcher, o maior (e mais temido) maestro da universidade. A força avassaladora de "Whiplash" encontra-se no tripé direção + montagem + atuações. J.K. Simmons dá vida a Fletcher de forma destruidora, numa composição que gera medo com só um olhar, isso quando o cara não cai no grito mesmo. O contra-ponto é o Andrew de Miles Teller, competentíssimo e cheio de profundidade. A história é conduzida de forma tão ágil que o filme voa sem nos deixar respirar, impulsionados pelo roteiro cheio de reviravoltas de cair o queixo e uma edição alucinante que nos prega na cadeira. Resultado? Oscar de "Melhor Ator Coadjuvante" para Simmons, "Melhor Montagem", "Melhor Mixagem de Som", além de dezenas de prêmios mundo afora e status e clássico instantâneo. A busca foi finalizada com sucesso. NOT QUITE MY TEMPO.

2. Mommy (idem), de Xavier Dolan

O canadense Xavier Dolan está gradualmente aumentando seu prestígio dentro do cenário cinematográfico filme após filme. Ao mesmo tempo, o jovem cineasta de 26 anos amadurece seu próprio estilo, o já característico (e amado e odiado na mesma potência) "brega é o novo chique". "Mommy", seu quinto filme, retoma o tema do primeiro dele, "Eu Matei Minha Mãe", retratando o relacionamento conturbado de Steve, o filho, e Die, a mãe. O garoto, cheio de transtornos mentais, toca o terror onde passa, dificultando a vida da mãe. A situação muda quando eles conhecem Kyla, sua vizinha, que passa a integrar a família. O filme usa de uma sacada visual sensacional: a maior parte dele se passa dentro de um quadrado. Não temos a tela cheia, apenas um quadrado, refletindo a situação claustrofóbica e tensa dos personagens. Quando eles conseguem algum momento de paz, a tela - literalmente - se abre, num efeito belíssimo que consegue deixar uma marca visual sem precedentes. Fora isso, as atuações perfeitas do trio protagonista juntamente com o roteiro afiado e emocionante compõem um filme gigante. Ah, e tem Lana Del Rey na trilha.

1. A Gangue (Plemya), de Miroslav Slaboshpitsky

Em 2014 tivemos dois filmes que ousaram sair da caixinha narrativa padrão do Cinema para algo além: o primeiro foi "Boyhood", aquele mesmo filmado durante 12 anos, mostrando o envelhecimento dos atores diante dos nossos olhos de forma nunca antes vista. O segundo foi "A Gangue", que, diferente do primeiro, feito no berço do Cinema e indicado ao Oscar, foi produzido num país sem grande renome cinematográfico, a Ucrânia. Outra diferença básica entre os dois está no roteiro: enquanto "Boyhood" usa da simplicidade, "A Gangue" não se dá ao desfrute, trazendo uma história pesada e impactante: uma escola de surdos que é fincada numa rede de prostituição e corrupção. Fora o tema forte, o filme foi feito inteiramente com atores surdos de verdade, ou seja, não há uma palavra sequer dita durante todo o filme. Recheado com cenas impiedosas até culminar num final sem redenção, "A Gangue" coloca o Cinema num degrau acima ao burlar os limites da arte e conseguir de forma estratosfericamente genial fazer jus ao seu slogan: "O amor e o ódio não precisam de tradução".

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Eeeeee é isso! Estamos abertos às críticas, sugestões, dúvidas e à sua própria listinha de filmes favoritos de 2015 até presente momento. Sobre os que você não assistiu, avisamos: aproveite essas férias belíssimas e corram para os cinemas, as locadoras (ainda existem?), os Netflix da vida e assista! Boa sessão e boa pipoca, até o fim do ano!
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