Album Review: Jason Derulo está tentando conquistar sua relevância com o ótimo ‘Everything is 4’

Em 2010, a música pop e o R&B ganharam um novo representante. Um pouco de Usher aqui, um pouco de Chris Brown ali, um toque de Ne-Yo acolá e nasceu Jason Derulo, com seu auto-intitulado álbum. Seu primeiro single, “Watcha Say”, alcançou o famigerado primeiro lugar da Billboard e, logo em seguida, Derulo conseguiu uma enxurrada de hits como “In My Head”, “Ridin’s Solo” e “Don’t Wanna Go Home”.

Seus dois primeiros álbuns tiveram recepções (comercial e crítica) mornas, mas seus indiscutíveis sucessos do terceiro álbum “Tattos/Talk Dirty” - “Talk Dirty” e “Wiggle” - deram a Jason uma visibilidade maior. Assim sendo, o que faltava para ele ser uma grande estrela musical, como os 3 citados mais acima? Identidade! Pode soar clichê, mas os primeiros álbuns de Jason Joel Desrouleaux reuniam várias faixas que gritavam o desespero para se tornarem mais um hit, porém ele finalmente entendeu que poderia entregar mais que isso. E entregou!

Sem mais delongas, vamos passear pelo “Everything is 4”.

“Want To Want Me”: é numa vibe oitentista e com sintetizadores que Jason inicia seu álbum. E aqui entra o toque de Usher, pois mesmo não tendo um timbre de voz tão marcante, Derulo canta muito bem, com transições incríveis entre seu falsete e sua voz de peito. Além disso, ele explora sua sensualidade cantando versos como “You open the door, wearing nothing but a smile. Fell to the floor. And you whisper in my ear: ‘Baby I'm yours’”. Sexy sem ser vulgar e a melhor opção para first single, sem dúvidas.



“Cheyenne”: mostrando que amadureceu bastante sua sonoridade, Jason nos apresenta seu segundo single, “Cheyenne”, uma mid-tempo onde o ouvimos sofrer por uma one night stand que ele acabou se apaixonando. Quem ousou recusar um convite para jantar com o Jason é meio maluca, mas inspirou o moço para compor essa faixa. “Cheyenne, got the table set for two, guess you couldn't make it. Thought I kissed your lips again, I was dreaming”, com certeza um dos pontos mais altos do álbum.



“Get Ugly”: Novamente, mais certo do seu som, temos aqui uma versão melhorada de “Wiggle”. Em “Get Ugly”, Jason consegue nos fazer dançar com uma letra festeira onde vamos perder o controle e ficar mais feios. Liricamente não fala nada de muito interessante, mas sua batida é muito convidativa, e aquele final mais acelerado mostra que a produção sabia o que estava fazendo.  Nesta faixa, um feat. com Nicki Minaj cairia muito bem, mas quem sabe no próximo álbum. "Let’s get ugly, disfunctional".



“Pull Up”: essa é mais uma uptempo muito bem produzida, sem uma letra muito interessante. Jason canta sobre uma garota que ele precisa puxar pra si. “Pull Up” não se destaca demais, pois “Get Ugly” chama um pouco mais de atenção. No entanto, a batida do seu refrão vai fazer qualquer um remexer nas baladas. Os toques de trap e hip hop deram o que a faixa precisava para não passar despercebida. E assim como sua antecessora, a mudança de velocidade na bridge, aqui desacelerada, também engrandece a produção. "Skrrrrrrrr, PULL UP!".

“Love Like That (feat. K. Michelle): acreditamos que essa foi a faixa mais R&B que Jason fez na sua carreira. Desde a letra, sobre ele estar dando uns pega com a mulher de um dos seus amigos, até a melodia minimalista, deixando seus vocais brilharem em conjunto com a incrível K. Michelle. Nos remete a trabalhos memoráveis de Usher, Chris Brown, Ne-Yo, R. Kelly e outros. Mais um highlight do álbum. “We ain’t supposed to f**k like that. We ain’t supposed to touch like that. Damn it’s too much, it might crack”. Complicado, mas não tem emoção de outro jeito, né mesmo?



“Painkiller (feat. Meghan Trainor): essa é uma daquelas faixas alto astral do álbum, para cantar alto, faxinando o quarto. Derulo e Meghan cantam sobre eles serem analgésicos um para o outro. É uma faixa que não chama tanto atenção quanto as primeiras, já que sua letra é mais simples e seu instrumental mais clichê, lembrando até um pouco de Ricky Martin no auge da sua carreira.

“Broke (feat. Stevie Wonder e Keith Urban): aqui temos Jason Derulo, Keith Urban e Stevie Wonder. Algo nos diz que isso não tem como dar errado, certo? Os três cantam sem a esperança de arranjarem uma namorada se não tiverem muita grana té parece. No entanto, o que chama atenção mesmo não é a letra, e sim a ótima fusão de trap com country. Também não se destaca tanto quanto o início do álbum, mas a combinação de gaita, violão e bumbos no refrão fica fantástica.



“Try Me” (feat. Jennifer Lopez e Matoma): clima de verão, teria um clipe com J.Lo de biquíni e Jason sem camisa, em algum clube de Miami, cantando letras sensuais como “Try me in the morning when the sun comes rising up. Try me in the afternoon, bet you just can't get enough. Try me in the evening, satisfaction guaranteed". Clichê? Sim. Esperávamos um pouco mais de um feat. de dois dançarinos incríveis que podem dar conta de vocais grandiosos, mas foi que rolou para hoje. A produção do Matoma foi bem preguiçosa aqui. Antes outro feat. com o Pitbull, J.Lo -n.

“Love Me Down”: novamente numa vibe oitentista, a melodia de “Love Me Down” traz uma sonoridade que víamos em Michael Jackson, e isso é sempre bom. Sua letra não tem nada demais, só Jason falando sobre uma moça muito bonita que nem tsunami. Uma daquelas fillers bem na zona de conforto dele.

“Trade Hearts” (feat. Julia Michaels): inegavelmente uma belíssima música. No entanto, demonstra que Jason deve tomar mais cuidado ao tentar mostrar versatilidade, pois mesmo sendo pouco conhecida, é Julia Michaels quem realmente brilha na música. Eles cantam sobre uma mulher apaixonada que não está tendo a reciprocidade esperada de seu homem. Talvez se tivéssemos uma melodia com menos elementos graves, a faixa soaria mais bela. Bom pra mostrar ao público mainstream o excelente trabalho de Michaels, que já compôs para Demi Lovato, Fifth Harmony, Nicole Scherzinger e muitos outros.

“X2CU”: música gostosinha, onde temos Jason fazendo o que faz de melhor dentro da sua zona de conforto. “Started as a sexy rebound, but you sleeping next to me now. I just want my ex to see you”, coitadas das ex's deles.

ENFIM, em “Everything Is 4” vemos Jason Derulo entregando um trabalho mais consistente, mostrando versatilidade e brincando com melodias completamente fora do que outrora fazia. Finalmente podemos ver um passo que pode dar a ele um respeito e aceitação maior do que o de hitmaker por “Wiggle” e “Talk Dirty”. Por incrível que pareça, Derulo funciona muito melhor sozinho, pois com sete featurings no álbum, só um realmente se destaca. E isso diz muito sobre sua capacidade! Flertando com country, latin pop, indie e explorando sua essência pop e R&B, Jason entrega um disco delicioso de se ouvir.

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