Video Review: Britney & Iggy mantêm o nível da música no clipe de 'Pretty Girls' (e isso não é necessariamente uma boa coisa)

Parcerias no mundo pop estão cada vez mais frequentes - e não menos excitantes. É sempre incrível ver artistas que amamos se unindo numa só canção para movimentar todo o cenário e, consequentemente, agariar ainda mais buzz para os envolvidos. Foi assim que Britney Spears trouxe Iggy Azalea para seu lado em "Pretty Girls", seu novo single (nossa review). Depois do pior desempenho na carreira da Princesa do Pop com seu último álbum, "Britney Jean", era hora de voltar por cima.

Iggy então ficou no cargo de diretora do clipe juntamente com  Cameron Duddy (diretor parceiro de Bruno Mars - é dele "The Lazy Song", "Locked Out Of Heaven", "Uptown Funk" e vários outros), repetindo o feito de co-dirigir um vídeo depois de "Black Widow" e "Trouble". Como estava em suas mãos, ela trouxe a mesma fórmula usada em seus últimos clipes: referência. Em "Fancy" temos "As Patricinhas de Beverly Hills", em "Black Widow" veio "Kill Bill" e em "Trouble" uma mistura de "Bonnie & Clyde" com "GTA". "Pretty Girls" traz referência ao filme "Meu Amante é de Outro Mundo" (Earth Girls Are Easy), do diretor Julien Temple lançado em 1988. Aqui já temos um problema: fazer referência a algo que pouca gente conhece não é lá uma jogada tão esperta assim.

Pois bem. Algumas resenhas atrás nós falamos que essa forma de bolo de Iggy, que realmente rendeu muitos frutos, poderia cansar. E cansou. Foi muito legal, amamos cinemas e as referências super funcionaram, mas repetir a mesma fórmula à exaustão faz com que, o que antes era divertido, vire batido e até chato. Não que o clipe de "Pretty Girls" seja chato, ele só é clichê. "Só".

Usando a premissa do filme "Meu Amante é de Outro Mundo", "Pretty Girls" mostra uma nave espacial caindo na piscina de Britney, e Iggy saindo de lá como um e.t. Brit então a transforma numa hot gurl para ser sua bff ao estilo "Last Friday Night" da Katy Perry quando a intérprete sai da nerd e estranha Kathy Beth Terry para a glamourosa protagonista. Falando no clipe da Perry, "Pretty Girls" também vez com uma vibe toda oitentista, desde seus figurinos até as locações e direção de arte.

Como o filme original é uma comédia bem nonsense, o clipe parte para a mesma linha. Iggy é toda robótica e cheia de poderes especiais enquanto Britney é o alivio-cômico: a ingênua boboca que bate palminhas com os superpoderes da amiga. Ao contrário de "Meu Amante é de Outro Mundo", que é estrelado pela atriz e ganhadora do Oscar Geena Davis, Britney não é lá uma grande atriz. Quando é para fazer carão e pinta de bitch ela é professora, mas na hora que sai dessa zona de conforto... E interpretar um papel bobo beira o desastre, como o clipe (horrível) de "Ooh La La" já tinha nos confirmado. Mas carão e pose de diva tem bastante nas partes da coreografia. É sempre bom ver Britney dançando em plena forma, principalmente na parte do break inserido especialmente para o clipe.


E fomos só nós, ou alguém mais notou algumas semelhanças com o clipe de "Bang Bang" do trio Jessie J, Ariana Grande e Nicki Minaj? Algumas passagens de "Pretty Girls" lembram "Bang Bang", seja nos artefatos cênicos ou na paleta de cores. Até achamos que foi a  Hannah Lux Davis que dirigiu "Pretty Girls" na primeira vez que o assistimos. Felizmente não foi. Para ficar claro, não estamos falando da palavrinha que todos amam usar, "plágio", e sim das tendências visuais dos clipes pop.


"Pretty Girls" não marca um retorno tão triunfal assim de Britney pelo simples motivo de que ela não quis fazer um retorno triunfal. A música - e seu clipe - comprovam que ela está bem mais interessada em curtir do que fazer algo realmente concreto. É absolutamente entendível e válido, porém, ao conceber algo que fico no máximo "na média", com os macetes engraçadinhos - que Katy Perry já comprovou ser certeiro, "Pretty Girls" é só "mais um" clipe no grande acervo da música pop. Não ser memorável é uma questão de escolha.
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