Single Review: o nosso veredito sobre ‘Pretty Girls’ é que Britney Spears e Iggy Azalea se merecem

É um pouco estranho ver o mundo por essa perspectiva, mas desde que “Pretty Girls”, parceria da Britney Spears com a Iggy Azalea, caiu na internet, só conseguimos pensar em uma coisa: as duas se merecem. Nesta altura do campeonato, tanto Britney quanto Iggy Azalea precisavam de um single forte o suficiente para reerguê-las nas rádios e a música nova, ainda que muito previsível e até mesmo genérica, parece ser justamente o que elas precisavam. Amém.

Iggy Azalea sempre pareceu ser a mais interessada nesta música, tanto que começou a falar sobre ela bem antes de Britney mencionar qualquer coisa sobre essa parceria, mas é algo compreensível. Nos EUA, a australiana tem enfrentado uma onda irritantemente forte de ódio, seja por ser uma branca fazendo hip-hop ou por suas participações cada vez mais genérica nas músicas alheias (seu último feito ruim foi aquela aparição em “All Hands On Deck”, da Tinashe), o que faz com que uma parceria com a Miss American Dream, Britney Spears, caia como uma luva.



Parcerias, inclusive, têm sido algo frequente na carreira de Azalea, porém, nunca com um nome tão grande e relevante quanto da “eterna princesinha do pop”. O mais perto que ela chegou de colaborar com alguém realmente importante foi quando esteve ao lado da Jennifer Lopez no remix de “Booty”, de qualquer forma, quase todos concordam que a melhor versão dessa música não é com essa rapper, então não é algo que realmente valha a pena relembrar ou levar em conta.

De volta à “Pretty Girls”, Britney Spears nunca esteve tão por dentro do que as rádios estão tocando, não é mesmo? Nem quando ela se enfiou nas pistas com a mesmice de “Work Bitch” ou se rendeu à Sia em “Perfume” ela soou tão atual. O único problema aqui é tê-la soando tão, mas tão atual, que sequer soa como ela. Encarnando “Robotney” outra vez, a cantora que apostou em vocais mais “puros” no seu último disco voltou com tudo para os filtros de auto-tune, sintetizadores e quaisquer outros botões que deixem sua voz mais robotizada, o que fez com que ela soasse mais como a Charli XCX do que a própria Charli XCX. E isso, por sua vez, faz com que a gente tenha Iggy Azalea em sua zona de conforto, principalmente com essa batidinha “Mustard on the beat” que todos ficaram bem dispostos à apostar desde o sucesso de “Fancy”. Que ciclo vicioso.


Entre outras referências, “Pretty Girls” muito nos remete à parceria do Ty Dollar $ign com a Charli XCX e Tinashe em “Drop That Kitty”, como dissemos que esperávamos neste outro post, além de trazer um sininho ao fundo que nos lembrou de “Spark the Fire”, o smash hit que não foi da Gwen Stefani com o Pharrell Williams. A música ainda é carregada de estalinhos, gritos de líderes de torcida, aos moldes de “Hollaback Girl” (outra vez, Gwen Stefani com Pharrell Williams), e um refrão que não significa muita coisa, mas é extremamente chiclete. Até os versos de Iggy Azalea não são de se jogar fora. Uma verdadeira jogada de mestre.

No mais, um ponto a favor de Britney Spears é tê-la numa postura tão descompromissada, divertida, o que contrasta muito bem com um mercado em que a maioria das cantoras pop estão bem inspiradas em serem levadas a sério, apresentarem materiais com bastante conceito, sabe? Quando todos concordam que, de vez em quando, a única coisa que queremos é dançar ao som de um bom refrão. E isso “Pretty Girls” nos garante.

A gente duvidou que “Fancy” seria o sucesso que foi, da mesma forma que também desconfiamos de “Scream and Shout”, do will.i.am com a Britney Spears, mas estamos bem certos da força de “Pretty Girls”, só esperamos não estarmos errados outra vez.
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