Single Review: ‘Bitch Better Have My Money’ repete a formula de Rihanna de maneira bem preguiçosa, mas convence

O que nos aguarda no novo disco de Rihanna? A cantora barbadiana já possui uma carreira relativamente estável, o que possibilita que ela brinque de sair de sua zona de conforto vez ou outra, e ela fez isso muito bem em “FourFiveSeconds”, que foi o tapa na cara da era “R8”, primeiro single do novo CD e parceria com ninguém menos que Kanye West e Paul McCartney, mas todos tínhamos certeza de que não seria essa a linha seguida pela mulher em seu oitavo álbum e a confirmação veio em seu single seguinte.

“Bitch Better Have My Money” abriu os trabalhos de Rihanna na nova plataforma de streaming do Jay Z, o temido e famigerado Tidal, e depois de uma performance no iHeart Music Festival, deixou claro não ter margem para erros com a base de fãs da cantora, é uma música bem característica de Riri, e é tudo tão característico que soa como se saltássemos em queda livre, mas sem paraquedas.

Totalmente direcionada para as rádios urbanas e com uma batida nervosa, que facilmente denuncia o peso de Kanye West neste novo material, “Bitch Better Have My Money” é grande em vários sentidos. A música nos impacta de primeira, o que pode ser algo bom e ruim, e talvez pela expectativa de que algo aconteça em seu refrão, pós refrão ou qualquer outro trecho após ele, faz com que a escutemos até o fim. E de novo. Outra vez. Mas toda a postura marrenta, a boca suja, a necessidade de afirmação e reafirmação, é pretensiosa demais para coisas de menos.

Logo em seus versos iniciais, “BBHMM” nos remete à “Hard”, do hinário “Rated R”, pelos simples “yeah, oh, mulalá” mesmo, trazendo uma breve nostalgia da era que tanto sentimos falta. Ao decorrer da faixa, com uma produção agressiva, ainda que bem boba, temos então a Bad Gal RiRi em tom inquisitivo, enquanto cobra sem pudor, “vadia, é melhor você ter meu dinheiro! Todos vocês deviam me conhecer bem o suficiente (...) melhor ter o meu dinheiro. Me pague o que me deve!”. Sem muitas variações, a letra narra algumas das gastanças de seus devedores, com luxos e bebidas em boates que, quando ela passa, estão sempre tocando suas músicas, e segue no mesmo tom marrento, de quem deixa claro o quão alto está pra não se dar ao trabalho de descer.

Na nossa review anterior, para o single com Paul McCartney, olhamos pra trás para entender o quão clara era a tática de Rihanna em lançar um primeiro single surpreendentemente arriscado, da mesma forma que fez quando investiu numa proposta dance demais para as rádios em “We Found Love” ou calma demais para uma cantora pop em “Diamonds”, e chega a ser desanimador pensar que, nesta altura do campeonato, estávamos sendo apresentados à outras surpresas bem positivas como “Hard”, “What’s My Name”, “You Da One” e “Stay” em anos anteriores.

Não tem como dizer que a música é ruim. Pensando numa linha geral, ela cai como uma luva para o que as rádios estão tocando desde “Fancy” da Iggy Azalea e a própria Rihanna já fez coisas bem parecidas em outros discos, como as canções “Pour It Up” e “Phresh Out The Runway”, mas o resultado entregue é mediano e, o pior, óbvio. “O pior” se incluirmos isso num cenário aonde, depois da sessão acústica com Paul McCartney, seus fãs aguardam ansiosamente por algo que assuma por completo a lacuna que Riri deixou nas rádios desde seu último lançamento para dançar e nos atentarmos também ao mar de expectativas que envolvem esse disco, um dos que levaram mais tempo para a cantora produzir desde o boom que teve com “Umbrella” e que foi descrito por ela mesma como um material composto por “músicas atemporais”. 

Pra algo atemporal, “Bitch Better Have My Money” termina soando bem descartável, óbvia demais para o que a indústria tem consumido à rodo, mas Rihanna está com sorte. Com tanto tempo longe das rádios e tantos fãs sedentos por sua volta, está numa fase Beyoncé, de forma que estarão dispostos a comprar qualquer coisa que ela lançar, então a ideia é tirar da preguiçosa “BBHMM” o primeiro grande hit que tocará até enjoarmos do “R8”. Tê-la assumindo riscos, seja quando investe em algo completamente diferente ou se rende a uma fórmula tão batida, mas não necessariamente certeira, é interessante. No futuro, a gente espera que isso valha a pena e que o disco, tão aguardado até por nós, seja melhor do que ela tem apresentado até aqui. 

Nos pague o que você nos deve, Riri!
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