O que nós aprendemos com o especial ‘Comedy Central Roast of Justin Bieber’?

Muito foi falado sobre isso pelas últimas semanas e realmente aconteceu. Foi exibido nesta terça-feira (14) na MTV Brasil o especial “Comedy Central Roast of Justin Bieber”, que reuniu num só palco nomes como Kevin Hart, Snoop Dogg, Ludacris, entre outros, para darem uma “trollada” (?) falando umas verdades para o cantor Justin Bieber.



O canadense, que no final deste ano deve revelar a primeira amostra do seu novo disco, sucessor do arriscado “Journals”, topou a brincadeira como parte da sua “limpeza de imagem” na mídia e fez disso uma das suas melhores participações em um programa de TV nos últimos meses.

A realidade é que o Bieber de hoje está longe de possuir o mesmo apelo de outrora, mas o cara tem o seu valor na indústria pop atual e, em seu novo trabalho, depois de experimentar um outro lado de sua música no álbum anterior, deve reafirmá-lo como um dos artistas pop mais interessantes dos últimos anos, ainda que bem insuportável como pessoa na maioria das vezes.



Aliás, nem insuportável ele conseguiu ser no especial da MTV! Depois de ser massacrado pelos nomes mencionados e outros menos importantes ou conhecidos, pelo menos nos dias de hoje, Justin Bieber foi convidado para dar o seu direito de resposta, num formato que funciona na TV americana há anos, ainda que com uma forte presença de piadas preconceituosas e ~politicamente incorretas~, e entrou muito bem na brincadeira, assumindo alguns erros que foram motivos de piada durante o programa (como ter sido preso, urinado em público, batido carros, abandonado o macaquinho Mally num zoológico da Alemanha, entre outras coisas), ressaltando a irrelevância de muitos nomes que estavam zombando dele no palco (precisamos jogar no Google uns três nomes que nunca tínhamos ouvido falar) e, no fim da apresentação, fazendo um discurso em que se desculpa por seus últimos atos e diz esperar ser uma pessoa melhor.

O Bieber do discurso bonitinho chegou a soar um tanto sarcástico, ainda que num tom bem inocente, mas nos alarmou para o que deve ser o primeiro passo do cantor pra sua nova fase. Passada todas as turbulências dos seus últimos meses, Justin concordou que não fez muitas coisas boas e, numa confissão mais que sincera, lembrou, “eu não fui preparado pra nada disso”, uma vez que, aos seus doze anos, foi chamado aos estúdios para as gravações do que viria a ser o disco “My World” e, como sabemos, pontapé inicial para uma das maiores febres adolescentes que vimos na década passada. Foi tudo rápido demais para ele que só era um garoto. Ele tinha a atenção de meio mundo e, certo, quantos milhões na conta bancária de um responsável maior de idade? Merdas acontecem e é claro que a fama subiria a cabeça. E ele reconhece isso e diz que quer fazer diferente, o que é um bom começo.


"Vamos falar sério um pouquinho. Nada me preparou para essa vida que tenho. Eu entrei nisso tudo aos 12 anos e eu não tinha ideia no que estava me metendo. Tem alguns momentos que me orgulho muito, mas tem outros que eu olho para trás e me decepciono comigo mesmo. Mas as coisas que fiz não definem quem eu sou, sou uma pessoa gentil e amável, que ama as pessoas, e durante esse processo eu perdi minhas melhores qualidades. Peço desculpas por isto. Obrigado por não desistirem de mim", disse o cantor.
Outra coisa que nos impressionou bastante foi a maturidade do cantor ao saber levar tudo aquilo como a grande brincadeira que era. Por mais que fossem apenas comediantes com humor um tanto “maldoso”, teve gente pegando pesado de verdade, tipo quando Ron Burgundy conseguiu fazer com que ele não escondesse a insatisfação na sequência de três piadas sobre sua ex-namorada, Selena Gomez, mais tarde relembrada no discurso que parecia ser sobre ela, mas falava do antigo macaco de Justin. Numa entrevista antes da exibição do programa nos EUA, que aconteceu no fim de março, o rapper Ludacris contou que Bieber esteve perto de chorar várias vezes, mas se manteve “inteiro” em frente as câmeras.


Não há a necessidade de ser um fã do cantor ou, melhor dizendo, Belieber, pra compreender que, se não fosse ele, dificilmente teríamos nas rádios espaço para tendências adolescentes que chegaram mais tarde, como One Direction, Austin Mahone, Fifth Harmony, entre outras coisas, e se não fosse ele, o empresário Scooter Braun sequer teria credibilidade pra fazer acontecer artistas como The Wanted e Ariana Grande, que foram as apostas que sucederam Justin em seu catálogo. Sem contar que, olhando pra trás, também não podemos deixar de lembrar de outros artistas que começaram nesse meio cedo e, consequentemente, deram uma pirada em algum momento de suas vidas, como Britney Spears, Lindsay Lohan e Amanda Bynes. Perto delas, Bieber “causou” tão pouco — e nem agrediu nenhuma ex-namorada, outro ponto ao seu favor.

Com o álbum “My World”, mais tarde relançado como “My Wolrd 2.0”, Justin Bieber foi, de fato, um dos maiores acontecimentos da cultura pop moderna, goste você ou não, e com o álbum seguinte, “Believe”, reforçou sua febre com alguns graus a menos, só cambaleando com a atenção pública mesmo no CD “Journals” que, ainda assim, foi arriscado em todos os sentidos, contando com um formato de lançamento diferente (todas suas músicas foram lançadas como singles semanais, até que formassem o disco completo, o que afetou significativamente às vendas do álbum, que não possuía mais nada inédito quando saiu no iTunes, Amazon, etc) e uma tentativa dele fazer R&B, o que nos rendeu ótimas músicas, como “Confident” e “All That Matters”.



Ainda não sabemos quais serão os próximos passos do cantor, mas estamos apostando que serão grandes e, acredite em nós, estamos bem ansiosos por isso. A “febre Bieber” estará em sua cidade muito em breve.
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