It Pop re-apresenta: Robyn, a rainha do pop sueco, que se apresentará no Brasil pela primeira vez no Rock in Rio 2015

O Rock in Rio desse ano tem anunciado uma atração mais interessante que a outra e, depois de confirmar Rihanna, Katy Perry e Sam Smith, o maior festival de música no país confirmou ninguém menos que a cantora sueca Robyn, seguido de um fato que, infelizmente, já era bem esperado por nós: muitos fãs da música pop atual não sabem quem é a cantora ou a quantidade de coisas incríveis que ela já fez.

Diante de tamanha blasfêmia (não tem exagero aqui, a mulher é a rainha do pop da Suécia, tá?), nos sentimos na missão de reverter esse cenário na medida do possível e, como opção, encontramos repetir o que fizemos com a cantora Sia, que ganhou uma edição especial do “It Pop apresenta” logo que começou a anunciar seu novo disco, de onde extraiu singles como “Chandelier” e “Elastic Heart”.



Logo de início, o que você precisa saber é que Robyn está longe de ser uma artista nova. A sueca, geralmente conhecida por músicas como “Call Your Girlfriend” e “Dancing On My Own” (melhores músicas sobre relacionamento lançadas nos últimos dez anos?), lançou seu primeiro CD em 1995 e não foi algo como o “Katy Hudson” da Katy Perry ou “Red and Blue” da Lady Gaga, era um CD dela como Robyn mesmo, chamado “Robyn Is Here”. Só o começo do que viria a ser uma das carreiras mais interessantes da cultura pop moderna.

Daí em diante, muita coisa aconteceu. A cantora, que só conseguiu um contrato com uma grande gravadora após se destacar durante um evento musical em sua escola, conseguiu chamar a atenção da indústria dos EUA cedo (com músicas como “Do You Really Want Me (Show Respect)” e “Do You Know (What It Takes)”) e teve um começo de carreira positivamente atribulado, o que fez com que ela levasse três anos até que lançasse um segundo CD, chamado “My Truth”, e optasse por não lançá-lo no mercado americano. (Chora com essa esnobada, yankees!)



Neste momento, é importante que você saiba outra coisa: ainda que seja ótima para compor bons refrãos, Robyn nunca ficou pilhada em fazer sucesso, sabe? Numa postura bem semelhante à Sia e seu pensamento de “hitmaker que não quer ser famosa”. O negócio dela era fazer música pelo prazer nisso, ideia que ficou bem clara quando, depois de seu terceiro CD, “Don’t Stop The Music”, ela começou a ter problemas com sua gravadora — naquele tempo suas músicas eram distribuídas pela Jive Records e BMG — o que a levou a encerrar seu contrato antes da hora, com o relançamento de sua breve discografia nos EUA e Suécia, e inaugurar seu próprio selo.

O estresse com a Jive Records/BMG começou quando a gravadora, na onda do que os EUA estavam curtindo no começo dos anos 2000, queria moldar Robyn como uma “nova Christina Aguilera”, enquanto a cantora estava com intenções bem diferentes e, contra a vontade do selo, experimentando seu primeiro contato com a música eletrônica. Uma de suas propostas para o selo foi a canção “Who’s That Girl”, que só viu a luz do dia alguns anos depois, quando a sueca, com sua própria gravadora, Konichiwa Records, lançou o CD “Robyn”.



Foi aí que as coisas começaram a mudar de rumo. Robyn já tinha hits na Suécia e EUA, além de estar tocando bastante na Europa, uma série de certificados por recordes de vendas e indicações ao Grammy de sua terra natal, mas com o disco “Robyn” a cantora deu um passo decisivo pra sua liberdade criativa e se permitiu experimentar de vez sua vertente eletrônica, o que rendeu músicas como “With Every Heartbeat”, “Handle Me” AND “BE MINE!”. Todas músicas que, independente do ano em que você a conheceu, são obrigatórias em qualquer playlist de quem se diz fã da sueca.



Não conhece nada do que falamos? Não faz mal. Aliás, faz parte. Mas saiba que o disco garantiu o primeiríssimo lugar na parada de álbuns da Suécia, além de um certificado de platina por lá, e alcançou também a décima primeira posição no Reino Unido, aonde conquistou um disco de ouro por suas 242 mil cópias vendidas. Hitmaker é assim, não é mesmo?

Até aqui, meados de 2007, a carreira de Robyn estava muito bem desenhada. Pra quem deixou uma major para se arriscar a abrir sua própria gravadora, experimentando sonoridades diferentes do que a fizeram famosa, a cantora se saiu muito bem e, felizmente, acompanhada de vários nomes super talentosos. Só pra você ter uma ideia, o disco de estreia dela foi produzido pelo Max Martin, aquele mesmo que hoje faz mágica com Katy Perry, Taylor Swift, Britney Spears e outras, e “Robyn” teve como principal colaborador o Klas Ahlund, que ano passado trabalhou com a Katy Perry em “This Is How We Do”, do CD “Prism”, mas espera que a Katy Perry vai ser mencionada um pouco depois!



De volta há alguns anos, foi em 2008 que ela selou um acordo com a Cherrytree Records/Interscope, com o lançamento do EP “The Rakamonie”, composto por músicas do CD “Robyn” e um cover do Prince, “Jack U Off”. E um pouco depois fez a estreia do inovador “Body Talk”.

Mas por que inovador, It Pop? Com todo esse período de transição entre gravadoras, liberdade criativa e excesso de novas ideias, Robyn produziu MUITA coisa e ao lado de muita gente boa, talentosa, o que rendeu mais músicas do que ela realmente precisava. Sem querer desperdiçar tantas canções e, aparentemente, sem interesse em reaproveitá-las mais tarde, a cantora bolou então uma estratégia de lançamento sensacional, dividindo seu novo álbum numa trilogia visual lançada de surpresa.


Chamado “Body Talk”, o disco teve suas três partes lançadas com o intervalo de alguns meses em 2010 e, ainda que aos poucos, prendeu de jeito a atenção do público, com singles como “Dancing On My Own” (ALERTA DE SMASH HIT!), “Hang With Me”, “Indestructible” e “Call Your Girlfriend”, além de produções de Max Martin, Klas Ahlund, Billboard, Shellback, Patrik Berger e até o cara que todo mundo ama hoje, DIPLO.



Robyn tinha uma carreira linda e ninguém podia negar isso. “Body Talk” foi um dos discos de eletropop mais expressivos da Suécia ao redor do mundo e influência para vários nomes que vieram depois da cantora (hoje você deve escutar Icona Pop, Tove Lo, Kiesza e, de certa forma, até o que Max Martin usa com Katy Perry, Kesha, Britney e Taylor Swift, foi testado antes com ela), além de estreitar a relação dela com vários artistas mais famosos na América, como Madonna e Katy Perry. 

Quer dizer, com Madonna as coisas não foram muito boas. Robyn abriu uma turnê dela, mas saiu chateada porque a Rainha do Pop sequer quis conhecer a Rainha do Pop da Suécia, massss a Katy Perry foi diferente. A californiana chamou a Robyn para abrir alguns shows da California Dreams Tour, deixou ela aparecer por alguns segundos no filme Part of Me, aproveitou os contatos pra levar o Klas Ahlund para o CD “Prism” e também foi graças à ela que teremos a sueca no Rock in Rio desse ano, visto que a própria convidou a cantora de “Dancehall Queen” para ser sua atração de abertura. Finalmente deu uma dentro, hein Katy Perry!


Como não dá pra viver de “Body Talk” pra sempre, ainda que o álbum seja uma verdadeira bíblia atemporal (vale escutar, além dos singles, “Fembot”, “Don’t Fucking Tell Me What To Do”, “Criminal Intent”, “U Should Know Better”, “Love Kills”, “Time Machine”... Gente, escuta o CD todo, sério!), foi em 2014 que Robyn quebrou seu jejum com a indústria atual, lançando um EP colaborativo com a dupla Röyksopp, “Do It Again”, e lá não tinha nada de jazz, tá? Era o bom e velho eletropop da sueca adaptado aos trabalhos do duo norueguês e com um quê de “ahhhhh, como é bom tê-la de volta”, rendendo singles como “Do It Again” e “Monument”. Quem nos acompanha, já deve conhecer:



AÍ QUE CHEGAMOS ENTÃO AOS DIAS ATUAIS. Robyn virá ao Brasil pela primeira vez em setembro, como atração de abertura do show da Katy Perry no Rock in Rio (dói um pouco ver uma artista tão grandiosa, não falando em termos comerciais, sendo atração de abertura, né?), e realmente não acharíamos ruim se ela acompanhasse a cantora pelos outros shows que deverão ser anunciados com a Prismatic Tour no país.

Neste ano, também é esperado que ela anuncie seu novo disco (!!!), álbum que a cantora começou a comentar sobre antes mesmo de lançar seu projeto com o Röyksopp e, obviamente, tem nos causado MUITA ansiedade.



Seria a indústria pop atual digna o suficiente para a presença de Robyn? Seria a cantora sueca a grande salvação para o gênero que está cada vez bebendo de uma água mais morna e genérica? Podemos esperar do seu novo álbum mais uma bíblia atemporal que nos satisfaça pelos próximos cinco anos? Quantas questões. Seja muito bem vinda ao Brasil, Robyn, só não repara a bagunça!

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