Album Review: a volta de Madonna ao jogo (que sempre foi dela) com o 'Rebel Heart'

É um tanto que assustador quando notamos que Madonna já está chegando na casa dos 60. Nós, filhotes dos anos 90, já pegamos carona com a carruagem real da cantora em pleno vapor, mas parece que foi ontem que ela chocava o mundo ao rolar no chão vestida de noiva, dançar entre cruzes em chamas, beijar Jesus negro, lançar livro erótico e tudo mais. E cá estamos, 32 anos depois da sua estreia musical, com o 13º álbum. Para entender a áurea que o "Rebel Heart" é concebido é necessário olhar para trás um momento.

No começo do novo século Madonna veio mega experimental com o controverso "American Life". Mesmo que não tenha sido recebido com uma recepção tão negativa quando o "Erotica", o primeiro baque na carreira da cantora, o "American Life" caiu de forma morna, principalmente pelas letras politizadas e afiadas. Era mais um baque na discografia de Madonna. Assim como na década de noventa, onde ela ressurgiu com o "Ray of Light", nesse século veio o "Confessions on a Dance Floor" para lembrar a todos quem era a Rainha do Pop. O nome de Madonna estava em alta novamente.

Na sequência veio o subestimado "Hard Candy", um álbum puramente pop e super divertido, mas subutilizado pelo público, noção que só piorou com o próximo, "MDNA". Certo, o "MDNA" de fato é um álbum fraco, sem conceito e com músicas nada menos que ruins, porém lá habita algumas pérolas que não merecem tamanho desprestígio: "Girl Gone Wild", "Gang Bang", "Love Spent", "Best Friend", "Beautiful Killer"... De qualquer forma, o "MDNA" foi o terceiro choque discográfico de Madonna, e nós finalmente pudemos sentir a pressão em cima da cantora. O próximo álbum seria significativo para o status de "declínio" ou "superação", ou qualquer outros adjetivos que você quiser. Era a hora da verdade.

E assim nasceu o "Rebel Heart", mas o parto foi cheio de complicações: TODAS as faixas do material vazaram meses antes em suas versões não finalizadas, o que, querendo ou não, acaba influenciando na percepção final do material. É aqui que abro um parênteses para sair da impessoalidade do texto: eu, o editor que vos escreve, não ouvi as faixas demos do álbum. Toda a análise aqui constada ignora completamente tais demos, pelo simples motivo de: elas são irrelevantes, o que importa é o material final. Certinho? Pois bem, a hora da verdade chegou. Abaixo está a resenha faixa à faixa da versão "super deluxe" do álbum, então esteja confortável para embarcar nas 23 faixas.

1. "Living For Love"
O "Rebel Heart" é aberto com seu carro chefe. Quando lançada "Living For Love" não soou grande coisa, principalmente por vir junto com outras faixas que soavam mais poderosas, porém ela foi crescendo até virar uma escolha eficiente. "Living For Love" é uma animada canção com coral de apoio, lembrando os tempos de "Like A Prayer" involuntariamente. Ao contrário do que o título sugere, não se trata de uma música romântica - pelo contrário: "Você me amou e eu te deixei entrar. Baixei minha guarda e agora estou aqui sozinha no escuro. Você deu um tiro no meu coração", canta Madge nesse hino de superação. "Eu mereço o melhor e o melhor não é você". Sem percebermos, o deep house à la Kiesza estava lifting us up up up up.



2. "Devil Pray"
É aqui a "The Like A Prayer Ball Tour"? Em "Devil Pray" Madonna faz o que sempre adorou: usa a religião para costurar seu conceito. Produzida pelo Avicii e Blood Diamonds (de "Go" da Grimes), a canção é absolutamente perfeita, com uma das melhores letras de todo o álbum e acordes que lembram o melhor de "Ray of Light". Começa com um violão marcado, passa por uma ponte es-pe-ta-cu-lar até os sintetizadores rasgados no final. "O chão embaixo dos meus pés está quente. Lúcifer está por perto", canta Madonna com redenção nesse hino que precisa virar single com um clipe - no mínimo - polêmico. É assim que a gente gosta.

3. "Ghosttown"
O segundo single do "Rebel Heart" (amém) é a obra-prima "Ghosttown". Madonna sempre adorou baladas, mas há muito tempo ela não lançava uma tão avassaladoramente espetacular, e olha que de baladas ela entende ("Masterpiece" do "MDNA", "Devil Wouldn't Recognize You" do "Hard Candy" e "Love Profusion" do "American Life" são só alguns exemplos recentes). Talvez a canção de amor definitiva de 2015 (até agora), "Ghosttown" tem aquelas letras tão certeiras que pensamos "como ninguém fez isso antes?". No refrão destruidor temos apenas um "Quando tudo desmoronar eu serei o seu fogo quando as luzes se apagarem. Quando o mundo ficar frio eu serei seu cobertor e vamos apenas nos abraçar um ao outro". Precisa dizer mais alguma coisa?



4. "Unapologetic Bitch"
É hora de aceitarmos Diplo nas nossas vidas mais uma vez. Em "Unapologetic Bitch" temos um reggae que Rihanna nenhuma colocaria defeito, com mais uma vez Madonna fazendo a linha "terminamos, mas saí por cima". O comecinho insinuoso é só aperitivo para o explosivo refrão que traz tudo o que Diplo fez de melhor com o Major Lazer - o quebra-chão é garantido. "Isso pode soar como se eu fosse uma vadia sem remorso, mas às vezes eu preciso falar como é que as coisas são. Você nunca soube o quanto me amava até que me perdeu, não é?". Poderia tranquilamente terminar com "parece que o jogo virou, não é mesmo?". Daquelas para mandar pro ex sem dó, afinal, somos todos um bando de vadias sem remorsos.

5. "Illuminati"
Segure os triângulos. "Illuminati" é uma canção que debocha da ideia geral sobre os Iluminados, sempre associados ao controle, poder e supremacia, como se eles fossem uma seita secreta que quer governar o mundo, e Madonna seria parte da coisa toda, assim com vários exemplos famosos que ela faz questão de citar, como Jay Z, Beyoncé, Rihanna, Lady Gaga, Bill Gates e até o Google. Apesar de os versos onde ela cita todo esse pessoal ser estranho e robótico, quase que deslocados do resto da canção, o batidão pesado produzido pelo Kanye West (só podia) é uma boa reviravolta de estilo para a cantora, além de soar fresca e divertida, principalmente pela letra: "É como se todos nessa festa estivessem brilhando como Illuminati". Risos.

6. "Bitch I'm Madonna (feat. Nicki Minaj)"
Aqui está a canção "ame E odeie" do "Rebel Heart". "Bitch I'm Madonna" é a terceira parceria da Rainha com Nicki Minaj ("Give Me All Your Luvin'" e "I Don't Give A" foram as primeiras), que funcionam muito bem como dupla, porém a faixa é uma bagunça. Os versos são entupidos de autotune e remetem ao que o "MDNA" tem de pior, com uma letra oca, besta e óbvia ("Nós vamos beber e ninguém vai nos parar e vamos beijar todo mundo ao nosso redor"), PORÉM o refrão é para rolar no chão. Mais um milagre produzido por Diplo, dá para sentir a pista de dança rachando ao meio com o twerk à base da batida insana. Funciona numa festa, principalmente num momento trash para perder a dignidade (quem nunca?), mas como canção sólida e edificante, é vazia.



7. "Hold Tight"
Diminuindo o ritmo do álbum, "Hold Tight" traz de volta as letras espetaculares e um instrumental que quase cai numa balada, mas possui elementos eletrônicos o suficientes para não chocar com a descida alucinante de "Bitch I'm Madonna". Quase que uma versão "final feliz" de "Miles Away", "Hold Tight" é mais uma canção de amor bela e verdadeira que, excluindo o instrumental, caberia num álbum da Lana Del Rey: "Não quero respirar o ar que você não está respirando. Se você está ferido, quero ser a única a sangrar". Esse amor sem fronteiras combina perfeitamente com as batidas fortes que atingem o êxtase no ótimo refrão.

8. "Joan of Arc"
Agora aterrissamos numa balada de verdade. "Joan of Arc" começa beeeem lenta, quase que timidamente, numa letra puramente humana: "Eu não posso ser uma super heroína agora, até corações feitos de aço podem quebrar. Eu não sou sou Joana D'Arc, não ainda, eu sou apenas um humana". Joana D'Arc é uma santa da Igreja Católica que foi morta queimada no século XV na França como mártir, uma associação forte e feminina perfeita para Madonna, em mais uma faixa sensacional do álbum, tanto liricamente quanto musicalmente. "Palavras são como armas. Elas traem".

9. "Iconic (feat. Chance The Rapper & Mike Tyson)"
Quando a traklist do "Rebel Heart" foi anunciada e vimos o nome de Mike Tyson ficamos com cara de "is this real life?". Não era só real como funcionou muito bem: Tyson abre a canção com um pequeno e nada modesto discurso: "Eu sou o melhor que o mundo já viu. O melhor da história. Eu nunca cairei novamente, e se cair, eu vou voltar". Com batidas de tambores militares, Madonna canta sobre a construção de ícones, que de toda forma acaba caindo em cima dela mesma, e como eles possuem o poder de mudar o mundo: "Se você não fazer a escolha e não usar a sua voz alguém vai falar para você". Os versos de Chance The Rapper são a cereja do bolo, inspiradíssimos.

10. "HeartBreakCity"
Voltando para as baladas, dessa vez Madonna não conseguiu segurar a pose forte e sem remorsos. "HeartBreakCity" é o estágio mais recente do término, quando ainda estamos expurgando toda a dor - no caso aqui - da traição. "Você conseguiu o que queria, um pouco de fama e fortuna, e eu não sou mais necessária. Você tem alguns segredos que nunca me contou. Agora todo mundo está falando e eu sou a última a saber". Verdadeira, emocional e retumbante, "HeartBreakCity" é daquelas canções que remetem ao efeito Adele, com piano lacrimoso que se funde no refrão gigante. A cidade do desgosto pode não ser bonita para quem está nela, mas rendeu uma faixa lindíssima.

11. "Body Shop"
Uma cítara bem gostosinha abre a canção e já causa um impacto. "Body Shop" é singela e agradável, com Madonna cantando quase que aos sussurros nos versos com palminhas ao fundo, criando um clima interessante, mas que não cresce para algo realmente memorável. Bem longe de ser ruim, "Body Shop" é uma canção que poderia ter ficado na versão deluxe sem grandes transtornos por não ter brilho significativo perto das outras faixas.

12. "Holy Water"
Co-composta pela nossa amanda Natalia Kills, "Holy Water" é uma música sobre Madonna convencendo um cara (ou uma moça, por que não?) a fazer sexo oral nela: "Baby, você deveria descer e beber meu precioso álcool. Você parece estar com tanta sede, eu acho que precisa disso. Não tem gosto de água benta", MARAVILHOSO HAHAHA. Bem safadinha, tem gemidos (que lembram "Rabbit Hole" da Kills), duplos sentidos e até um "Yeezus ama a minha b***** melhor". Kim Kardashian não curtiu. Ainda encontra tempo para um sample escancarado de "Vogue" só para lembrar que ela é uma "moça com atitude". Música feita para lapdance. "Se você gostar, por favor confesse".

13. "Inside Out"
ALERTA DE OBRA-PRIMA. Disputando com "Ghosttown" o título de "melhor balada da vida", "Inside Out" tem uns dos mais incríveis momentos de todo o "Rebel Heart": seu refrão. Os arrastados violinos exalam uma profundidade intoxicante que só com a letra que tem poderia orquestrar algo inesquecível: "Cada cicatriz que você tenta esconder, todos os cantos escuros da sua mente. Me mostre os seus e eu mostro os meus, me deixe te amar de dentro pra fora". Para ouvir de joelhos, linda de morrer.

14. "Wash All Over Me"
"Em um mundo que está mudando eu sou uma estranha em uma terra estranha. Há uma contradição e eu estou presa aqui no meio", abre Madonna em "Wash All Over Me", mais uma balada impressionante do álbum que fala sobre a falta de controle que temos sobre o mundo. É uma aceitação óbvia de que tudo pode desandar sem que possamos fazer algo, afinal, administrar tudo é algo grande demais, e Madonna aqui para de soar forte para ser humana: "Quem sou eu pra decidir o que deve ser feito? Se esse é o fim, então deixe-o vir. Deixa chover, deixa transbordar sobre mim". Co-composta por Miley Cyrus, "Wash All Over Me" fecha a versão standard do álbum brilhantemente.

15. "Best Night"
Abrindo a versão deluxe do "Rebel Heart" temos "Best Night". Com uma produção digna, com elementos indianos no refrão - lembram "Isaac", é exatamente ele o que não faz a faixa ser maior por repetir "Eu vou fazer desta a melhor noite da sua vida" exaustivamente. Os versos são marcantes com suas paradinhas e o instrumental é bonito do começo ao fim, todavia merecia um refrão mais bem trabalhado para que fosse uma canção realmente grande. As brincadeiras que Madonna faz com sua voz são o melhor.

16. "Veni Vidi Vici (feat. Nas)"
Madonna já chegou num patamar que pode referenciar a si própria - como ela fez em "Holy Water". Em "Veni Vidi Vici" ela constrói a letra com o título e trechos de vários dos seus clássicos, cantados num rap sussurrante: "I expressed myself, came like a virgin down erotic / I justified my love, I made you say a little prayer / I opened up my heart, I learned the power of good-bye". Os vocais arrasadores de Nas completam e dão mais força à faixa que falam o óbvio: Madonna veio, viu e venceu.

17. "S.E.X."
Tirem as crianças da sala! Disparadamente uma das melhores canções de todo o álbum, "S.E.X." já começa com "É queeeeente!", e é isso mesmo que ela é. Bem descarada Madonna canta "OH MEU DEUS, você é tão gostoso! Segure meu cabelo, deixe eu ficar por cima. Oh meu deus, estão tão molhada. Para frente e para trás até quebrar a cama". AI QUE LOUCURA! Madge sempre falou escancaradamente sobre sexo (vide "Erotica", "Justified My Love" e tantas outras), mas há tempos não vinha algo tão aberto assim. A letra é, sem exageros, imprópria, safada, descarada e deliciosa. Aos 56 anos a Material Girl mostra que ainda tem muito apetite quando lista todas as brincadeiras que gosta de fazer: algemas, chicotes, vendas, roupas de couro, cinta-liga e até golden shower. No fim ainda temos gemidos até que Madonna feche a porta na nossa cara. Só para repetirmos tudo de novo e de novo e de novo...

18. "Messiah"
Classudérrima, "Messiah" é o combo religão + amor que Madonna sabe trabalhar como ninguém. Tem um piano bem forte que casa com sintetizadores ritmados, numa áurea complacente e harmônica, digna das melhores trilhas sonoras. Cheia de emoção e simbolismos, "Messiah" é mais uma balada sem defeitos do álbum. "Eu vou lançar um feitiço que você não pode desfazer até você acordar e descobrir que também me ama".

19. "Rebel Heart"
Completamente auto-biográfica, "Rebel Heart" carrega o conceito do álbum inteiro quando Madonna conta sua própria história, desde o momento em que se via uma estranha insatisfeita até encontrar sua própria verdade: "Eu vivi minha vida como uma masoquista ouvindo o meu pai dizer, 'Te avisei. Porque você não pode ser como as outras garotas?'. Eu disse 'Ah, não, isso não sou eu e eu acho que jamais seria'". Não é uma das maiores canções do álbum, mas possui um violão bacanudo e um refrão eficiente.

20. "Beautiful Scars"
Mais uma faixa a entrar no hall "Por que diabos é só uma faixa bônus???". Com pezinho no disco, "Beautiful Scars" é uma das melhores coisas de todo o álbum, com seu instrumental serving "Confessions" realness até a letra manhosamente fofa - percebam a forma esperta que ela foi construída em "I'll never be as perfect as you want me to be-lieve me". Daquelas para sair dançando na rua, tamanho fervor da sinceridade humana de "Me leve com todas as minhas belas cicatrizes. Eu te amo do jeito que você é". Se pudéssemos casar com uma música, casaríamos com essa. Linda, linda, linda.

21. "Borrowed Time"
Chegamos na faixa de número 21 e é impressionante como esbarramos com nenhuma música ruim até agora. Até agora. "Borrowed Time" é a primeira filler do "Rebel Heart", completamente apática e sem graça, mesmo com toda sua mensagem de paz e amor e blá blá blá. O instrumental é fraco, os vocais estranhos, a letra soa ingênua e o todo nada chega perto do hino de igualdade que deveria ser. O que faz aqui mesmo?

22.  "Addicted"
Ainda há salvação, e salvação das grandes. "Addicted" começa com uma guitarra meio "Ray of Light" e vai crescendo com sintetizadores até nos jogar sem piedade num refrão quebra chão para fazer qualquer balada ir à loucura. Mesmo sendo farofão, não vem com letra oca ou fútil - Madonna aqui canta sobre amar um cara assumidamente errado e que vai partir seu coração, mas ela não pode controlar. É ir para o inferno e dançar com o capeta. "Eu não sei o que é, mas eu me sinto atraída pelo escuro, e era fácil de prever que você ia ser aquele que me rasgou em pedaços". O título poderia ser outro, afinal, ela já possui "I'm Addicted" no "MDNA" - antes ela era chamada de "Addicted (The One That Got Away)", e, mesmo soando muito Katy Perry, é um título melhor. De qualquer forma "Addicted" é Madonna cutucando e mostrando quem é a rainha da pista.

23.  "Graffiti Heart"
Você pode (deve) encerrar o álbum em "Addicted". Depois do porre que é "Borrowed Time", Madonna traz essa coisa chamada "Graffiti Heart" e até agora achamos que é alguma piada. A faixa é patética, chega a ser ridícula com esse refrão amador, instrumental clichê e letra esquecível. É aqui que entra o meme "Cê num tinha nem que tá aqui, linda". Não causa um real estrago por estar na versão super deluxe, mas é constrangedora.

...
RESUMINDO: Por ser um álbum robusto, a digestão do "Rebel Heart" não é fácil, contudo, com a familiarização de suas faixas e seus conceitos, conseguimos ver um todo concreto e certeiro. Certeiro porque podemos contar na palma de uma mão quantas faixas poderiam ter ficado de fora, e estamos falando de um álbum com mais de 20 canções. Poderíamos também dizer que o "Rebel Heart" é a volta de Madonna ao jogo, mas ela já o deixou? Mesmo com quedas, ela é a dona do jogo.

Todo mundo já ouviu falar que ela não precisa mais "provar algo", o que é verdade, ela não precisa. Certo que essa falta de pressão ideológica não justifica erros como vimos no "MDNA", e, em contrapartida, são suplantados com a pressão absurda em cima da pessoa que Madonna é: mulher de quase 60 anos que nunca seguiu as regras e, segundo a própria, não começará a seguir agora. Madonna é inteiramente aberta à sua própria verdade, e prefere falhar nela que acertar na verdade de outra pessoa. Madonna canta sobre amor, dor, religião, sexo e o que for pilar de sustentação da sua própria existência porque é isso que a faz ser quem é.

Madonna lançando um álbum é um evento - estamos falando da maior artista pop da história, uma lenda vida, um mito inigualável que continua trabalhando quase 40 anos depois do início, o que se torna ainda mais louvável por todas as dificuldades que ela enfrenta para mostrar seu valor - é só ver as reações misóginas e ageístas quando ela caiu na apresentação no Brit Awards. O prazer se torna ainda maior quando esse evento vem repleto de qualidade artística que há tempos não vimos, com canções à altura dos seus maiores clássicos - "Rebel Heart" é o melhor álbum da cantora desde a obra-prima "Confessions" e já desponta como um dos melhores álbuns pop de 2015.

Depois do tropeço com o "MDNA", ao expor seu coração rebelde, Madonna faz exatamente o que canta em "Living For Love": "Eu peguei a minha coroa e coloquei-a de volta na minha cabeça".

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