Album Review: o nosso veredito sobre ‘The Pinkprint’, a marca que Nicki Minaj quer deixar em sua música

Nicki Minaj é uma das maiores rappers da atualidade e com seu último disco, “Pink Friday: Roman Reloaded: The Re-Up”, comprovou ser uma das poucas que sabem bem como mesclar música pop com o legítimo hip-hop, sem deixar a desejar em nenhum dos polos, mas passados lançamentos como “Starships” e “Pound The Alarm”, tão radiofônicos quanto muitas coisas lançadas por artistas como Rihanna, por exemplo, Minaj se viu num momento em que queria ser reconhecida sem que precisasse apelar para fórmulas prontas e tentou fazer isso acontecer em seu terceiro álbum de inéditas, “The Pinkprint”.



Inicialmente promovido pela baladinha “Pills and Potions”, “The Pinkprint” quase falhou em sua missão de tê-la levada mais a sério quando precisou de “Anaconda” como uma escapatória para o eminente flop, mas basta ouvir o disco, incomparavelmente mais sério que seus álbuns anteriores, para entender que Nicki Minaj sempre teve mais o que dizer e que, entre trancos e barrancos, seu objetivo ainda não está perdido.

“All Things Go” é o prato de entrada do “The Pinkprint” e a coisa já começa séria, com a rapper falando sobre alguns problemas que enfrentou, tanto em seus relacionamentos quanto com a família, além de falar sobre o aborto que fez aos dezesseis, quando diz que seu filho nunca chegará nesta idade — que ele teria atualmente, se viesse a nascer. A produção é bem minimalista e pesa bastante para o urbano, em tempo que o refrão ganha um quê levemente mais melódico. Segundo a própria Nicki, é a música mais emocional do disco e, em seu último verso, vem o anúncio de que seu novo disco está aqui para ser uma marca: “essa é The Pinkprint”.

Tão pessoal quanto a música anterior, “I Lied” mantém o ritmo devagar, enquanto Nicki fala sobre seus medos em investir pesado numa relação. Ela fala sobre sua vulnerabilidade no amor e o medo que tem de se entregar, enquanto não baixa a guarda, dizendo que cara nenhum deve esperar que ela abandone sua carreira para focar nele, mas garante que, sobre as outras coisas, ela mentiu. “Mesmo quando eu mandei você se ferrar, eu menti. Eu menti. Eu pensei que talvez você me deixaria. Isso por conta de minhas inseguranças e meu ego”.

O primeiro suspiro comercial do “The Pinkprint”, entretanto, acontece em “The Crying Game”, parceria da rapper com a cantora Jessie Ware, que quebra o climão das músicas anteriores, mas sem perder o tom de intimidade dessa conversa dela com seu público. Nessa canção, ela conta sobre um relacionamento que deu errado inúmeras vezes, sendo que ela sequer esteve atenta o suficiente pra saber aonde erravam tanto. Jessie Ware dá o toque necessário pra torná-la mais emocional, enquanto entoa a ponte e refrão: “aonde fomos parar? Eu mal pude ver. Estive ocupada demais. Talvez devesse apenas ter recusado. Aonde fomos parar? Eu acho que eu sei, oh, nós estamos voltando a jogar o jogo das lágrimas”.



Mas como nem tudo é choradeira, Ariana Grande, que já cantou com Iggy Azalea sobre ter um problema a menos ao se livrar de um relacionamento, se une à Nicki Minaj para fazer o cara mendigar por seu corpo. “Get On Your Knees” usa uma fórmula bem semelhante ao que escutamos nas rádios com Katy Perry e sua “Dark Horse” e justamente porque a cantora californiana é um dos nomes por trás de sua composição, mas pode-se dizer que Katy Perry mandou tão bem na composição dessa, que deixou sua música um passo para trás. A menção ao seu nome durante os versos de Nicki Minaj nos faz acreditar que essa deveria ser uma parceria com a própria, mas estamos satisfeitos com o trabalho de Ariana.

Na sequência, Minaj comete dois gloriosos erros. “Feeling Myself” e “Only” são duas das principais parcerias do disco e podem ser músicas de Beyoncé, Chris Brown, Drake, Lil Wayne, o caralho à quatro, menos de Nicki Minaj. É claro que a rapper dá o ar de sua graça em ambas as canções, mas é como se fosse ela a colaboração e não o contrário, o que é um tanto controverso. Não se pode diminuir você mesma em algo que é seu, Nicki. Seja como for, as duas canções são hits em potencial e a segunda foi, inclusive, o segundo single oficial do CD, YASSS!



Desde o sucesso de “Don’t Tell’Em”, o rapper e cantor Jeremih ficou bem cotado entre os artistas de hip-hop da atualidade e falou em feat, logo pensamos em Nicki Minaj, que tratou de recrutá-lo para seu “Pinkprint”. A primeira participação do cara acontece na irritante “Want Some More”, aonde a rapper deixa de lado toda a conversa emocional para cutucar seus odiadores, enquanto conta boa parte dos feitos de sua carreira até aqui e traz Jeremih para perguntar se eles ainda querem mais. A irritação se dá por conta das repetições nos versos do cantor, que diz o título da canção em moderados gritinhos. Não estamos aqui para isso. 

O ego da rapper continua cada vez mais alto em “Four Door Aventador”, música que nos remete aos seus tempos de mixtape, com ela dizendo que não tempo para esses caras que dizem ter o céu e o mundo, quando tudo o que conseguem é fazê-la rir. Mas shit happens, né? E aí acontece da Nicki ficar caidinha por outro rapaz em “Favorite”, mais uma parceria com o Jeremih. Nesta faixa, os dois não estão necessariamente em sintonia, mais ou menos como se cada um contasse uma história diferente, só que o fim é o mesmo: eles querem ser os favoritos de seus parceiros. 

“Buy A Heart” é uma música que divide nossa opinião até agora. Tem momentos que escutamos e achamos a melhor coisa do mundo, daí acontece de escutarmos de novo e, ARRRGH, alguém tira essa música daqui, por favor! Uma coisa é certa, a letra dessa parceria com Meek Mill é uma das coisas mais legais do disco, ainda que repita o erro de “Feeling Myself” e “Only” em mais soar como uma parceria com a Nicki Minaj do que dela mesmo. Na faixa, Mill se diz cansado dessas aventuras amorosas, estando em busca de alguém que compre seu coração, mas Onika não está tão certa de suas intenções e toda a música segue em meio desses questionamentos. Nos poucos versos cantados, os vocais da rapper estão mais sensuais do que nunca. Alguém quer comprar um coração? “Rebel Heart”, o novo CD da Madonna, já está disponível no iTunes.

E é na décima primeira música que o “The Pinkprint” ganha sua primeira uptempo. “Trini Dem Girls”, em parceria com Lunchmoney Lewis, é toda frenética e dançante, com Nicki Minaj levantando a bandeira de suas conterrâneas de Trinidad e Tobago, e toda a animação é mais que justificada quando vemos quem são os produtores da música, numa lista que inclui ninguém menos que Cirkut e Dr. Luke. Só que como pouca animação é bobagem, as coisas ficam ainda mais frenéticas e quentes na música seguinte, introduzida por versos que já estamos bem familiarizados:
MY

ANACONDA

DON’T.

Com um marcante sample de “Baby’s Got Back”, clássico dos anos 90 nas mãos do Sir Mix-A-Lot, “Anaconda” é um completo acerto, ainda que soe bem tosqueira, tendo Nicki Minaj investindo em uma das produções mais grudentas de toda sua carreira e, ainda assim, pra lá de inusitada, além de contar com o acréscimo da associação para garantir que a música não passe despercebida por ninguém. Sua letra é sobre ~anacondas~ que não aceitam quaisquer bumbuns. RS.



Dr. Luke e Cirkut voltam a assumirem seus postos na música seguinte, acalmando os nervos de uma maneira bem pop. “The Night Is Still Young” é a música mais redonda de todo o disco e amadurece uma fórmula eletrônica que Nicki Minaj vem testando há alguns álbuns. Com referência aos versos de “All Things Go”, a música fala sobre aproveitar a noite como se ela não tivesse fim e, ainda que tenha uma letra bem rasa, acerta em cheio quanto a alcançar os fãs do lado mais radiofônico da rapper, produção fantástica. Só resta aceitarem.



Com os nervos acalmados, “The Pinkprint” é encerrado então por um trio pesado, composto pelas canções “Pills and Potions”, “Bed of Lies” e “Grand Piano”. Com exceção da parceria com Skylar Grey na segunda citada, as outras contam com vocais de Nicki Minaj, que vez ou outra se arrisca cantando, pelo menos quando não empresta vocais de Ester Dean ou cantoras menos conhecidas, e reascendem a proposta séria e intimista do disco, mais ou menos como aquela ressaca moral desde a animação que se permitiu curtir nas músicas anteriores.



Por fim, se a missão de “The Pinkprint” era provar que Nicki Minaj deve ser levada a sério como uma artista, ela é sim cumprida. Dona de uma carreira divisora de águas e que abriu as portas para nomes como Iggy Azalea, Angel Haze, Azealia Banks, etc, Minaj é a melhor mulher neste jogo atualmente e isso sequer é questionável. Seja em palco ou em estúdio, ela sempre cumpriu bem com uma versatilidade que só tem a somar à autenticidade de seus trabalhos e, neste novo álbum, mostra que ainda tem muito a nos dizer, acertando em cheio até quando seu objetivo não vai muito além de nos divertir ou fazer dançar. Essa é sua marca deixada na música ou, como a mesma disse na faixa que abriu o disco, esse é The Pinkprint.
Tecnologia do Blogger.