Single Review: Rihanna se arrisca com Kanye West e Paul McCartney em ‘FourFiveSeconds’ e a surpresa é inevitável

Não é novidade pra ninguém que há muita expectativa em torno da volta de Rihanna com seu oitavo disco de inéditas, sucessor do “Unapologetic”, de onde extraiu singles como a composição da Sia em “Diamonds” e a parceria com Mikky Ekko em “Stay”, mas quando saiu “FourFiveSeconds”, uma colaboração com Kanye West e Paul McCartney, que chega ao público como primeira amostra do que está por vir com a cantora barbadiana e seu novo trabalho, é inevitável se surpreender outra vez.

Antes de qualquer coisa, é importante entender o cenário em que Rihanna se encontra. Desde o início da carreira, ela já passeou por muitas vertentes e, por mais que tenha se firmado em algo mais levado para o urban, ganhou o mainstream com uma canção R&B (“Umbrella”) e, há pouco, conquistou também o título de Melhor Música da Década por uma faixa dance (“We Found Love”), então é de se esperar que ela siga arriscando cada vez mais, principalmente quando a própria promete que seu novo disco soe diferente de absolutamente tudo o que já fez — e sabemos que ela já fez muita coisa.

Promessa cumprida, “FourFiveSeconds” soa diferente de absolutamente tudo o que já ouvimos de Rihanna. Nem Kanye West, que divide os vocais da canção, parece encontrar uma zona de conforto, enquanto o terceiro nome da parceria, Paul McCartney, é o mais característico de toda sua sonoridade predominante, por mais que colabore “por trás” da coisa toda.

“FourFiveSeconds” é uma música que escutaríamos numa viagem em uma longa estrada. Com um arranjo aparentemente simples, a música traz um violão ao fundo, em tempo que é verdadeiramente sustentada pelas vozes de Rihanna e Kanye West. Aliás, que vozes! O rapper, que em suas músicas próprias costuma usar muito auto-tune quando arrisca cantar, mostra que não é apenas Azealia Banks que se dá bem com o título de rapper multifacetada, já Rihanna reforça o que havíamos notado desde as performances de “Diamonds” na divulgação do disco anterior: o seu vocal está evoluindo cada vez mais e reforçando pontos característicos sem desgastar sua voz, como assistimos nomes tipo Jessie J, Demi Lovato e Christina Aguilera fazerem ao longo de suas carreiras.
“Eu acho que já tive o suficiente. Poderia ficar um pouco bêbada. Eu digo o que estou pensando. Era melhor eu dar um tempo, porque toda minha bondade está se tornando uma fraqueza”, canta Rihanna em seus versos iniciais.
Alinhando muito bem sua qualidade sonora com a lírica, “FourFiveSeconds” carrega em sua letra uma narrativa aos mínimos detalhes sobre um casal que se entende aos trancos e barrancos, e é aqui que finalmente encontramos mais de Rihanna e Yeezy na canção, quando cantam sobre estarem perto de explodir (“agora eu estou à quatro ou cinco minutos de pirar”, diz o refrão da faixa), por exemplo, ou quando Rihanna assume dizer o que pensa e Kanye a faz prometer que pagará a fiança caso ele termine na cadeia. Curiosamente, os primeiros versos e gancho de Riri duram exatos quarenta e cinco segundos, o que parece funcionar dentro da proposta “temporal” da música, que limita apenas mais quatro à cinco minutos para pirarem, estando numa terça-feira, à três dias da sexta, quando finalmente poderão se distrair e então recomeçar o ciclo, na segunda.


(Player atualizado após a estreia surpresa do videoclipe para a canção, além da confirmação de uma performance de Rihanna no Grammy Awards 2015, que acontece no dia 8 de fevereiro.)

Com “FourFiveSeconds”, a surpresa não poderia ser mais positiva e há tantos elementos para serem absorvidos que simplesmente não sabemos se chegaremos a um ponto de saturação. Rihanna possui um histórico de reações com seus primeiros singles — a pílula pop com sonoridade de hit eminente de “Only Girl” (do disco “Loud”), a inusitada redenção ao dance do Calvin Harris em “We Found Love” (“Talk That Talk”) e, de repente, a baladinha de Furler em “Diamonds” (“Unapologetic”) — e aqui repete o feito, nos preparando para o que pode vir a ser um dos seus trabalhos mais maduros e consistentes, ainda que experimental. Kanye também chega se distanciando ao máximo do conturbado “Yeezus” e Paul, tranquilão, faz o papel do tio que leva os sobrinhos ao parque e os assiste brincando, só mostrando que continua sendo o mesmo músico admirável de outrora, além de também provar que sua fórmula é bem funcional para os nomes considerados grandes nas rádios atuais.

Não sabemos qual será a direção tomada por Rihanna em seu “R8” e, cá entre nós, duvidamos que ela se limite a apenas uma sonoridade (tem que ter música pras gays! RS), mas se a intenção com “FourFiveSeconds” era nos deixar ainda mais curiosos por seu novo disco, ela conseguiu. E nós sabíamos que conseguiria. É fantástico quando temos uma artista tão disposta a fugir da sua zona de conforto, ainda que consiga deixar clara a sua marca aonde quer que esteja, e Riri só segue nos mostrando que se há uma cantora nos dias de hoje com talento e inteligência o suficiente para sobreviver em meio às reviravoltas da indústria, só pode ser a própria.
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