Oscar Review: a vida de Stephen Hawking é belamente explanada em 'A Teoria de Tudo'

Filme: “A Teoria de Tudo” (The Theory of Everything)
Direção: James Marsh
País: Reino Unido
Indicações ao Oscar:
- Melhor Filme
- Melhor Ator (Eddie Redmayne)
- Melhor Atriz (Felicity Jones)
- Melhor Roteiro Adaptado
- Melhor Trilha Sonora

Todos os anos o Oscar coloca sob holofotes filmes biográficos sobre grandes nomes mundiais. Em 2014 tivemos, por exemplo, a vida de Solomon Northup em “12 Anos de Escravidão” (12 Years A Slave) vencendo “Melhor Filme”. Na 87ª edição temos quatro cinebiografias concorrendo ao principal prêmio da noite, e, a mais passível de curiosidade é, de longe, a de Stephen Hawking em “A Teoria de Tudo”.

Hawking é o físico mais famoso da atualidade, seja pelas suas teorias geniais ou pela sua condição física – ele possui a doença do neurônio motor que o deixou na cadeira de rodas e modulador de voz que todos nós conhecemos. Como será a vida por trás daquela máquina? É isso que o filme busca desvendar.

Dirigido por James Marsh (que já ganhou o Oscar pelo documentário “O Equilibrista”), "A Teoria de Tudo" é baseado na obra "Viajando para o Infinito: Minha Vida com Stephen" escrito por Jane Hawking, ex-esposa do físico. Mais que uma história de superação física, o filme é uma história de amor, como revela a tagline do mesmo, que consegue encapsular com perfeição todo o imo do filme: "A mente dele mudou o nosso mundo. O amor dela mudou o mundo dele".



Felicity Jones é Jane, a jovem estudante de Literatura que se apaixona por aquele estranho jovem de óculos tortos. Hawking é vivido por Eddie Redmayne, ator que você deve conhecer de outros trabalhos, como a última adaptação de “Os Miseráveis”. Eddie sempre se mostrou um bom ator (ele já ganhou um Tony Award, o Oscar do teatro), mas é assustadora a evolução do rapaz que, acredite ou não, tem 33 anos recém-completados (carinha de bebê). O Hawking de Redmayne é magnífico, numa caracterização física e psicológica sem igual, tanto que rendeu ao ator sua primeira indicação ao Oscar, de “Melhor Ator”, já tendo levado para casa o Globo de Ouro de “Melhor Ator – Drama” pela interpretação.
 
Felicity Jones, Dr. Stephen Hawking e Eddie Redmayne

O filme é assumidamente e inteiramente feito dentro da forma de bolo do Oscar: história redonda, direção sóbria e técnica clássica sem grandes inovações, porém "A Teoria de Tudo" consegue deixar de ser só mais uma bolo decorado da premiação (cof cof "O Discurso do Rei" cof) quando alia uma história verdadeiramente inspiradora que, mesmo tendo uma infinidade de filmes similares, não conta com um fator determinante: a já comentada atuação assombrosa de Redmayne, que é capaz de dar uma abismante estatueta para o rapaz como a do ano passado indo para as merecedoras mãos de Matthew McConaughey – mas a briga está duríssima, tendo na sua cola um assombroso Steve Carell de “Foxcacther: Uma História que Chocou o Mundo” e o tresloucado Michael Keaton de “Birdman Ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”.

Conduzido com leveza e harmonia, é belo assistir aos fatos da vida do recluso Hawking. Ver como ele começou na universidade, seu ápice acadêmico, a descoberta da doença, seu romance, casamento, filhos, o declínio da condição física e a força de uma mente brilhante que conseguiu burlar os limites do corpo. Mesmo com suas limitações para caber na forma de bolo da Academia, o encaixe de Redmayne com a suave Felicity Jones garante um casamento na tela que pode arrancar algumas lágrimas durante a sessão. Lágrimas do próprio Hawking “A Teoria de Tudo” já arrancou: o físico chorou ao assistir ao filme e disse apenas duas palavras ao final: “extremamente realista”. Bem, a aprovação da principal pessoa eles já conseguiram.


Próxima Oscar Review: "Whiplash: Em Busca da Perfeição" (Whiplash), sexta, 06 de fevereiro. Para ler todas as reviews publicadas é só clicar na tag "ESPECIAL OSCAR" abaixo.
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