Oscar Review: um dos favoritos da noite, 'O Grande Hotel Budapeste' é mais que um milagre para os olhos

Filme: “O Grande Hotel Budapeste” (The Grand Budapest Hotel)
Direção: Wes Anderson
País: Reino Unido/Alemanha
Indicações ao Oscar:
- Melhor Filme
- Melhor Diretor
- Melhor Roteiro Original
- Melhor Trilha Sonora
- Melhor Design de Produção
- Melhor Fotografia
- Melhor Maquiagem
- Melhor Figurino
- Melhor Montagem

Wes Anderson é um dos cineastas autorais mais incríveis da atualidade. Dono de um estilo único de filmagem, seus filmes sempre atraíram olhares pela sua forma de conduzi-los, como “Os Excêntricos Tenenbaums” (The Royal Tenenbaums) e “Moonrise Kingdom” (idem). Em 2014 ele lançou a epopeia de sua própria estética: “O Grande Hotel Budapeste”.

O filme conta os momentos de glória e declínio do hotel do título a partir da visão de Zero Moustafa (interpretado por Tony Revolori no passado e F. Murray Abraham no presente), o lobby boy do Grande Budapeste em 1932, que cultivou uma grande amizade com o devoto concierge Monsieur Gustave H. (Ralph Fiennes). Mesmo sendo sob a óptica dos personagens, o protagonista do filme é o hotel.

O Grande Budapeste é um espetáculo. Todo em rosa, Anderson construiu uma “miniatura” de três metros para as filmagens em plano aberto, usando como modelo o Palace Bristol Hotel. Cada micro detalhe foi amplamente cuidado para preencher a tela de riqueza: os figurinos coloridos, a direção de arte cuidadosa, os enquadramentos milimétricos, os efeitos especiais charmosíssimos e a fotografia gritante e imaculada fazem de “O Grande Hotel Budapeste” um prato cheio e doce para os olhos – todas as cenas são verdadeiras pinturas.

Mas não são só os olhos que saem com o apetite saciado. Anderson cria uma história plana e cheia de camadas: Monsieur Gustave era amante da idosa e frequentemente hóspede do Grande Hotel, Madame D (interpretada pela deusa Tilda Swinton sob maquiagem incrível). Madame D vem a falecer misteriosamente e deixa como herança o valioso quadro "Garoto com Maçã" para Gustave. Sua família acha isso um absurdo, principalmente o filho da dondoca, Dmitri Desgoffe (Adrien Brody), mas Gustave, com a ajuda de Zero, pega o quadro escondido e volta para o Grande Hotel, iniciando uma corrida de gato e rato entre ele e Dmitri.

Pode parecer simplório esse pontapé, mas Anderson joga váaaarios personagens secundários interpretados por famosos atores e amigos do diretor: Willem Dafoe, Edward Norton, Jude Law, Bill Murray, Léa Seydoux, Jason Schwartzman, Saoirse Ronan e Owen Wilson, a maioria destes recorrentes na filmografia de Anderson. Todos possuem alguma significância e micro universos dentro da história, deixando tudo ainda melhor, e conseguir dar liga a todos eles sem que soem gratuitos é trabalho de grande competência.

“O Grande Hotel Budapeste” vem como um tsunami nas premiações mundo afora. A lista de indicações é gigantesca e já conseguiu levar Grande Juri no Festival de Berlin; entrar para inúmeras listas de melhores do ano (inclusive na nossa); concorrer em 11 categorias no BAFTA (o Oscar britânico), o maior indicado de toda a premiação; derrotar o favoritíssimo “Birdman Ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)” em “Melhor Filme – Comédia” no último Globo de Ouro e ser o líder de indicações (junto com “Birdman”) no Oscar, ambos com nove.

O Oscar de “Melhor Filme” esse ano está entre quatro filmes: “O Grande Hotel Budapeste”, “Birdman”, “O Jogo da Imitação” e “Boyhood: Da Infância à Juventude”. Wes Anderson desponta como um grande favorito pelos motivos: é o maior indicado da noite, venceu o favorito no Globo de Ouro (um dos principais termômetros do Oscar) de "Melhor Filme Comédia", é o líder de indicações do BAFTA (outro grande termômetro), ganhando "Melhor Roteiro Original", "Melhor Trilha Sonora", "Melhor Direção de Arte", "Melhor Figurino" e "Melhor Maquiagem", e concorre nas três categorias principais para um filme levar o principal Oscar da noite: “Melhor Roteiro”, “Melhor Diretor” e “Melhor Montagem”. Mas a vitoria não está dada com certa, tendo em vista a força dos concorrentes (como “Boyhood”, que ganhou o Globo de Ouro de “Melhor Filme – Drama”).

Independente de prêmios, “O Grande Hotel Budapeste” é a consolidação da estética de Wes Anderson, que já merecia tanto reconhecimento há mais tempo. Extrapolando os seus próprios limites, a concepção deste filme é o desenvolvimento do seu próprio mundo interior, cheio de cores, excentricidade e, claro, delicadeza, mesmo que uma chuva de tiros apareça aqui ou acolá. Ao terminar o filme, você vai querer morar no Grande Hotel Budapeste.


Próxima Oscar Review: "O Jogo da Imitação" (The Imitation Game), quarta, 11 de fevereiro. Para ler todas as reviews publicadas é só clicar na tag "ESPECIAL OSCAR" abaixo.
Tecnologia do Blogger.