Editorial: como Lady Gaga conseguiu virar o jogo e voltar aos holofotes como a grande artista que sempre foi

Todo mundo já está cansado de saber o quanto a era "ARTPOP" pesou na imagem de Lady Gaga. Os diversos erros (direta e indiretamente da parte da cantora) acabaram por encerrar o álbum cedo demais e com uma imagem pesada e negativa - nós fizemos um editorial dissecando sobre no aniversário de um ano do álbum. Pois bem, tudo isso é passado e Gaga embarcou numa verdadeira reviravolta em sua imagem nos últimos meses, e estamos aqui para analisar o que a levou ao atual patamar do amado meme "parece que o jogo virou, não é mesmo?".

Essa imagem negativada de Lady Gaga teve uma catapulta: a mídia. Sua falência midiática começou pesadamente na luta de jardim de infância entre "Applause" e "Roar", com todos elegendo o single de Gaga como flop (sendo que ele foi um smash hit). A partir daí foi só ladeira abaixo, principalmente com os erros já citados, que foram um prato cheio para que a cantora fosse sempre associada com fracassos e perdas. Temos que aceitar a fatalidade: a mídia pode sim construir e destruir uma pessoa.

O primeiro grande (enorme, gigante) passo foi aquilo que todos torceram o nariz: "Cheek To Cheek". O famigerado álbum de jazz da cantora (desde os 13 anos) e Tony Bennett foi recebido por seus fãs e simpatizantes de música pop de uma forma bem ruim. Também pudera, sejamos francos. Ver Gaga, um dos maiores ícones pop do mundo, indo para um ritmo tão diferente - e logo depois do sepultamento da era "ARTPOP" - era pra desanimar qualquer um. Porém o material foi essencial para um grupo super importante: aqueles que NÃO são fãs de Lady Gaga.

Se você perguntar para qualquer pessoa que se enquadre nessa categoria "O que você acha de Lady Gaga?" ela provavelmente responderá "É aquela com as roupas estranhas" ou algo do tipo. Para aqueles que vivem fora do castelo medieval móvel da cantora, sua imagem é basicamente voltada para seu visual. Ao despir-se de toda a parafernália, saltos vertiginosos e vestidos de carne, Gaga pode ter como pilar de atenção o que ela sempre teve: seu talento, sua voz. Sim, a cantora de "G.U.Y." sempre foi uma artista extraordinária, mas para quem não a seguia, que é, inevitavelmente, a maioria das pessoas, todo o exagero era o "cartão de visita".
"Cheek To Cheek" então começou a fazer com que Gaga soltasse o vozeirão, e melhor: com clássicos dum ritmo "elitizado". Foi a oportunidade perfeita para que ela mostrasse que é uma das melhores cantoras do mainstream, mesmo que isso significasse um abandono do estilo que a fez ser quem é. Comentários como "Nossa, ela canta mesmo, hein", vindos do grupo em maioria, começaram a surgir, provando que o jazz foi certeiro. A prova máxima é que ela levou mais um Grammy para casa, não sem terminar a premiação fazendo uma das melhores performances da noite. Foi a coroação absoluta.



Poucos dias depois veio a segunda virada: Lady Gaga anuncia seu noivado com Taylor Kinney. A mídia cai fervorosa de amores pelo casal, que se conheceu lá em 2011 durante as gravações do clipe de "Yoü And I", onde os dois protagonizam o romance da canção. Estava escrito, hein? A foto do anel de noivado dado por Taylor já ultrapassou a marca de dois milhões de curtidas, uma das fotos com mais "likes" da história do Facebook. Gaga vive então sucesso na vida profissional e pessoal.



Já está perfeito, não? Está, mas ainda teve mais. Gaga então é confirmada como atração no Oscar, a maior premiação do mundo. Numa performance avassaladoramente impecável, ela cantou um tributo ao filme "A Noviça Rebelde", que completa 50 anos em 2015, com os clássicos "The Sound of Music", "My Favorite Things", "Edelweiss" e "Climb Ev'ry Mountain". Aplaudida de pé, todos ficaram boquiabertos com sua potência vocal, que segurou todas as dificílimas notas do início ao fim. "Desculpem, haters, mas América amou Lady Gaga", dizia a manchete da Time, só pegando um exemplo. Lady Gaga conseguiu provar sem retórica que sua voz vale ouro para todo o planeta.



Todos esses acontecimentos ocorrem no mês de fevereiro, mas que tal soltar mais um antes de ele acabar? Foi então que Gaga pegou todo mundo de surpresa ao anunciar não só o título da quinta temporada de "American Horror Story" ("Hotel"), mas também que estaria nela! Num teaser 100% "The Fame Monster", foi uma injeção de animação sem igual vermos mais um grande plano de sua carreira, afinal, Lady Gaga e "American Horror Story" combinam perfeitamente, certo? Mesmo com todos os "poréns", "American Horror Story" é uma das séries de maior sucesso da tevê americana, com fãs espalhados por todo o mundo, o que já garante visibilidade extrema, tanto para a mesma quanto para a cantora. Mais um bocado de pessoas que não são seus fãs vendo seu trabalho.



Além de tuuuudo isso, Gaga confirmou que já está produzindo seu quinto álbum (pop mesmo) ao lado do lendário  Giorgio Moroder e do seu fiel escudeiro RedOne (é dele "Poker Face", "Bad Romance", "Judas" e muito mais). Tentamos não colocar expectativas, mas é meio difícil com tudo isso acontecendo. É válido pontuar que ela agora está de empresário novo,  Bobby Campbell, que parece apoiar a cantora em suas empreitadas futuras, o que é mega importante.

Cada detalhinho acima fez com que a imagem pesada pós-"ARTPOP" sumisse rapidamente (dentro de um mês, para ser mais exato). Certo que esse não é, de fato, um retorno triunfal de Lady Gaga, afinal, ela não está retornando. Seu novo álbum sairá apenas ano que vem, mas todos os rumos de sua vida parecem favorecer para que ela consiga seu renascimento. Seja na música, na vida e - principalmente - na mídia, todos parecem amar Lady Gaga novamente, e essa foi a maior "limpeza" de imagem que ela poderia ter feito, inserindo-a de novo no mainstream de forma "saudável" - reinvenção que ela precisava com urgência. Não estava escrito isso em algum lugar da bíblia? Lady Vanish Multiuso. Agora sim podemos soltar um retumbante:

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