Album Review: Em 'Listen', David Guetta une as vozes mais certas com as batidas mais erradas

O DJ David Guetta explorou seu último disco até o último gosto da saturação, numa era que durou cerca de três anos com ele e sua filosofia “Nothing But The Beat”, mas quando chegou o momento de trabalhar em um material totalmente novo, o francês se viu diante do desafio de reinventar a sua fórmula, provavelmente se igualando aos nomes que hoje só alcançaram o mainstream graças aos discos divisores da água da EDM lançado há alguns anos pelo próprio, como “Pop Life” e “One Love”.

Com tanto tempo de carreira, Guetta já está num momento em que raramente conseguirá encontrar algo que realmente se diferencie das coisas que já lançou, pelo menos se permanecer com o foco em seu dance tradicional, e em seu novo CD, “Listen”, começa então uma competição contra ele mesmo, na esperança de que, em algum momento, consiga sair na frente e, de fato, impressionar, mas a missão não é fácil. Antes de opinar, entretanto, o que temos a fazer é escutar.

1) "Dangerous (feat. Sam Martin)" 

Na faixa que abre o sucessor de "Nothing But The Beat", o DJ conta com os vocais do até então desconhecido Sam Martin. Primeiro single de seu novo trabalho, "Dangerous" é uma daquelas músicas que você demora a gostar, mas que vai te conquistando de pouquinho em pouquinho. Sem as batidas eletrônicas, Guetta resolve unir a voz sexy e atraente de Martin com sons de violinos e guitarras e o mais importante, difere da maioria das coisas que ele já nos mostrou. Um ponto para Guetta.



2) "What I Did For Love (feat. Emeli Sandé)" 

Com participação de Emeli Sandé, a canção se inicia como uma das baladinhas já características da cantora, no qual já começamos a preparar os lenços pra enxugar as lágrimas. Infelizmente, ela evolui para algo que sentimos ter ouvido há alguns anos atrás quando todo esse lance de música eletrônica estava crescendo em algo forte. Ouvindo atualmente, soa como algo bastante datado. Só se salva mesmo por conta de sua maravilhosa letra, com composição de Alicia Keys e que poderia ter facilmente saído do último CD do Sam Smith. Não sabemos se foi uma boa escolha como próximo single.



3) "No Money, No Love (feat. Elliphant, Ms. Dynamite & Showtek)"

A terceira música do disco conta com vocais de Elliphant e Ms. Dynamite, além da participação do também DJ, Showtek. A faixa é uma das que se salvam do currículo do hitmaker de "Crank It Up" justamente por não parecer mais do mesmo (apesar de que o toque de dubstep usado no refrão pareça muito com o de "Bad"). Um verdadeiro "reggaestep" ("dubsreggae?") que foi feito com a simples finalidade de levar o seu bumbum ao chão. Delicie-se com esta preciosidade por que daqui pra frente não melhora muito.

4) "Lovers On The Sun (feat. Sam Martin)"

No single promocional do disco, o produtor se joga no eletro-country que dominou as rádios há dois anos atrás, com a música do DJ Avicii, "Wake Me Up". Temos aqui dois pontos, um bom e um ruim. Vamos ao ruim: em "Lovers On The Sun", Guetta não se diferenciou de nenhuma outra música de eletro-country, trazendo uma batida que já cansamos de ouvir, como em "Now That I Found You", da Britney Bitch. O ponto bom é que: conta com os vocais de Sam Martin, que como já ditos acima, é a coisa mais sexy que você já possa ter ouvido. Estamos partido ao meio com esta música



5) "Goodbye Friend (feat. The Script)"

A parceria com a banda de rock alternativo, The Script, é mais uma filler do disco do que qualquer outra coisa. Com uma letra bastante razoável ("Adeus amigo / não, isso não é o fim / Levante sua cabeça / Em algum lugar nos encontraremos de novo"), a música enjoa rápida por conta de suas batidas repetitivas, que poderiam ter saído facilmente do último disco de Guetta. É aquela música pra agradar aqueles que ainda são saudosistas da fase "Nothing But The Beat" (tem como ainda, gente?).

6) "Lift Me Up (feat. Nico & Vinz & Ladysmith Black Mambazo)"

Temos aqui outra filler desnecessária, que ainda continua trazendo a mesma sonoridade que o produtor veio nos mostrando nos últimos anos de sua carreira. Com participações de Ladysmith Black Mambazo e da dupla Nico & Vinz, esta parece muito com single de sucesso da dupla, "Am I Wrong". Letra chata acompanhada de um toque chato. Por favor, passemos para a próxima.

7) "Listen (feat. John Legend)"

A faixa-título do álbum é mais uma das grandes decepções por aqui. Contando com os vocais do lindo do John Legend, o DJ ainda poderia ter aproveitado tanto a potência do cantor, em vez de ficar só nos "all we gotta do is, listen" do refrão. Chata e enjoativa.

8) "Bang My Head (feat. Sia)"

Parece que nem a Sia conseguiu salvar as batidas já conhecidas, apesar de que depois das últimas quatro, essa é a que se sai melhor. Com os acordes de uma guitarra como fundo, Sia conseguiu trazer mais uma composição linda. Por favor, "I have broken wings / I keep trying, keep trying" já é nossa frase pra vida. Apesar de tudo, "Bang My Head" soa muito como uma "She Wolf 2.0" (ou "Titanium 3.0", como quiserem).

9) "Yesterday (feat. (Bebe Rexha)"

Depois dessa fila imensa de músicas que parecem a mesma coisa, mudando apenas os featurings, chegamos em um dos melhores pontos de todo o disco, a parceria com a novata Bebe Rexha. Meu deus, os vocais dessa menina são uma coisa de fazer você se apaixonar logo de primeira. É quase a versão feminina da voz do Sam Martin, uma coisa bem sensual e atraente. A gente até esquece do toque pós-refrão, que como de costume...



10) "Hey Mama (feat. Nicki Minaj & Afrojack)"

Uma das outras pérolas deste trabalho é essa colaboração maravilhosa com Nicki Minaj e Afrojack. Aqui sim Guetta conclui o seu dever de casa com maestria, nos mostrando uma sonoridade totalmente diferente do que já fez ao longo de sua carreira, que não soa nada como uma "Turn Me On 2.0". O dubstep que ele usa na parte final da canção é uma coisa que ninguém pode botar defeito. Até os refrãos — que são cantados pela Bebe Rexha, a mesma da música anterior, tá? — são uma maravilha. A gente até consegue perdoar as últimas negações que fomos submetidos a ouvir.

11) "Sun Goes Down (feat. MAGIC! & Sonny Wilson)" 

Temos que dizer que ficamos muito divididos ao meio com esta música. Se por um lado o DJ acertou em trazer a banda MAGIC! e o grupo de reggae, Sonny Wilson, para essa faixa maravilinda, não sabemos se conseguimos considerar a batida trazida aqui como algo repetitivo, mas se for, foi uma das que mais se encaixaram no sentindo do conjunto da canção. Enfim, é algo para se ficar de olho.

12) "S.T.O.P. (feat. Ryan Tedder)"

A gente realmente precisa comentar sobre o mesmo erro de novo?

13) "I'll Keep Loving You (feat. Jaymes Young & Birdy)"

Outra faixa bastante peculiar. Esse dueto lindo de quebrar o coração, mesmo soando um pouco com qualquer outra música deste CD, traz uma combinação tão linda de vocais, letra ("Eu sabia desde o começo / que você quebraria meu coração / Você é cruel, sim, você é / Mas eu continuarei te amando") e sonoridade, que nem ligamos se por ora soa piegas. O ritmo ora meio frenético, ora meio calminho, casa perfeitamente com tudo.

14) "The Whisperer (feat. Sia)"

Agora aqui sim está uma coisa que nunca achamos que Guetta fosse fazer: uma baladinha bem nos moldes Sia de cortar os pulsos. A canção é uma belezinha tão grande que facilmente estaria no último disco da cantora. Sério gente, se vocês não chorarem ouvindo isto, parabéns, nada mais irá fazer vocês chorarem.

15) "Bad (feat. Vassy & Showtek)"

O segundo promo single do álbum, antes mesmo de sabermos que o álbum existia, é a incrível "Bad". Com vocais da Vassy e ajuda do também DJ, Showtek, temos aqui apenas uma pergunta a fazer: POR QUE NÃO ENTROU NA TRACKLIST DA VERSÃO BÁSICA??? Sério gente, um desperdício de música. A voz cheia de sintetizadores de Vassy com o dubstep foderoso formam uma das melhores canções de Guetta. Que morte terrível.



16) "Rise (feat. Skylar Grey)"

Mais uma que nos deixa loucos pra saber o por que de tanto desperdício de músicas boas na versão deluxe. Sério gente, os vocais da Skylar Grey estão lindos e a batida é outra que foge dos padrões Guetta de serem. Só o que temos a fazer é chorar calados.

17) "Shot Me Down (feat. Skylar Grey)"

A última faixa do "Listen" é na verdade uma releitura do clássico da Cher, que ficou famoso na voz de Nancy Sinatra e que já ganhou outro cover da cantora Lady Gaga, "Shot Me Down". Até aqui nós percebemos que Guetta não tem muito dom de escolher músicas pra tracklist de disco, então a gente só aceita mesmo. Mais uma vez o DJ se joga no dubstep e acerta em cheio. Talvez ele deva considerar mudar o estilo de música eletrônica da House para o Dubstep. #ficaadica.



RESUMINDO:

Em "Listen", David Guetta fez o que muitos outros DJ's deveriam pensar em fazer: reunir vários nomes que fogem do mainstream de sempre e chamar uns que são relativamente menos conhecidos. Apesar disso, temos que destacar um grande erro. O hitmaker de "Toyfriend" juntou todos os vocais certos com as batidas mais erradas possíveis, o que dá a sensação de que ao passar uma música, caímos em outra absolutamente igual. Com diversos toques datados, Guetta nos entrega um álbum que talvez pudesse nos convencer se tivesse lançado a 5 anos atrás e que só consegue nos entreter depois de algumas doses das melhores bebidas que você consiga encontrar em uma balada qualquer.

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