Album Review: em ‘American Beauty/American Psycho’, Fall Out Boy quer ser lembrado, mas se mostra genérico e desgastado

Passado um hiato que muitos acreditavam ser o fim da Fall Out Boy, foi em 2013 que a banda retornou com o disco “Save Rock and Roll”, apresentando um trabalho consistente e que, facilmente, passeava do rock ao pop, com leves flertes com o hip-hop e um poder lírico que não conseguiríamos imaginar com outra banda, tanto impressionando nas narrativas quanto se mostrando “chiclete” o suficiente para as rádios.



Felizmente, a recepção do público foi excepcional e o álbum, que contou com singles como “My Songs Know What You Did In The Dark” e “The Phoenix”, além de colaborações com Courtney Love, Elton John, Foxes e Big Sean, alcançou o primeiro lugar de listas como a Billboard Hot 200 e UK Album Charts, mas, aparentemente, eles estão em busca de mais.

“American Beauty/American Psycho” é o novo disco do Fall Out Boy e logo em suas primeiras faixas reveladas, “Immortals” (para a trilha sonora de “Big Hero 6”), “Centuries” e “The Kids Aren’t Alright”, pudemos notar o quão longe eles planejavam ir, mas praticamente sem chegar a lugar algum.



O fato é que o refrão de “Centuries” não os deixa mentir, eles querem ser lembrados, e passada a tendência que os lançou, em meio a uma enxurrada de bandas durante o auge do emo e pop punk, a banda se desdobra na tentativa de acompanhar as tendências das rádios atuais, se reinventar, e em vários momentos faz isso de uma maneira muito característica ao que conhecemos de seu trabalho, só que ao contrário do “Save Rock and Roll”, que cumpria com essa tentativa se mantendo como um material sólido, instigante, “AB/AP” é descartável, genérico.

A força dos refrãos é inegável. Quantas dessas músicas não sairão da nossa cabeça tão cedo? Mas o disco não vai muito além, enquanto só ascende de verdade quando se apoia em samples, como o primeiro single, “Centuries”, que sampleia “Tom’s Dinner” da banda Suzanne Vegas, a cômica “Uma Thurman”, que faz referência ao clássico cult farofa “Pulp Fiction” com trecho da música-tema de “Munsters”, e “Fourth Of July”, que desta vez pega para eles algo menos conhecido, sendo o sample de “No Crimes”, do produtor Son Lux (conhecido pela parceria com a Lorde em “Easy”).



A faixa-título de “American Beauty/American Psycho” é uma das pílulas pop mais fáceis de engolir, nos remetendo aos trabalhos mais agressivos da banda e com cara das flertadas mais radiofônicas do Green Day, enquanto o vocal de Patrick Stump só consegue se sobressair em músicas como “Jet Pack Blues”, “The Kids Aren’t Alright” e “Favorite Record”, as mais “limpas” de todo o material.



A barulhenta “Novocaine” passeia entre uma herança do “Yeezus” do Kanye West e as músicas mais pesadas do “Save Rock and Roll”, sendo uma das poucas em que eles realmente testam algo novo, em tempo que outras como “Immortals” e “Irresistible” nos fazem engolir goela abaixo disfarçadas tentativas “fora da caixa” que, na verdade, soam mais preguiçosas do que nunca.



“American Beauty/American Psycho” comprova que a banda Fall Out Boy pode sim transcender ao tempo e se segurar por mais um tempo nas rádios, afinal, grandes refrãos são facilmente compráveis e eles estão bem dispostos a se adaptarem seja lá ao que quiserem ouvir, mas peca se a intenção da banda for se manter estável a longa data, principalmente quando se perdem tanto entre referências e influências, o que fecha ainda mais o cerco da sua zona de conforto. Isso pra não falar do ar tediosamente “épico” de algumas faixas e todos seus “whoa-oh-oh”, que tornam o disco bem propício para shows em grandes arenas, mas abre um vazio ainda maior dentro de suas letras.
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