Throwback Review: P!nk te convida para seu circo dos amores no intimista e sensacional 'Funhouse'!

Desde que despontou como uma das principais cantoras da atualidade, P!nk nunca foi a diva preferida de 10 em 11 amantes do bom e velho pop. Aliás, muitos acham que a cantora sequer tem a atitude de uma diva. Mas será que isso em algum momento realmente importou pra carreira da americana? Se você ainda tem dúvidas disso, a resposta é não. P!nk sempre remou contra a maré dos rótulos e, em diversas oportunidades, chegou a zombar e renegar tais títulos. Numa visão de "anti-Cristo" do pop glamouroso, a cantora surge em 2008 com aquele que se tornaria o trabalho mais sóbrio e conciso de toda sua carreira.

Reafirmando a imagem de bad girl que coloca todos os homens cafajestes pra correrem, P!nk tenta imprimir em "Funhouse" a mistura de uma nova aposta no puro pop, sem deixar pra trás o flerte com pop rock de trabalhos antecessores. Com um conteúdo politicamente incorreto produzido por nomes como Shellback e Max Martin, o quinto disco de estúdio de P!nk vendeu mais de seis milhões de cópias, mostrando que a exclamação no nome da cantora não é mera formalidade. E será que todo esse sucesso eleva o "Funhouse" ao status daqueles álbuns pop memoráveis? É o que passamos a analisar  na nova Throwback Review desta semana.

1) "So What"

De cara, já nos deparamos com o maior hit da carreira de P!nk (com méritos). Escolhida como carro-chefe do "Funhouse",  "So What" conta a história de uma desilusão amorosa de uma forma um tanto quanto engraçada, mas ao mesmo tempo, agressiva. Entoando versos de forma descompromissada intercalados pelo "Na na na na na na", P!nk se diverte com a própria desgraça na letra da música, o que pode ter rendido todo o sucesso do single. Além disso, o refrão é daqueles bem radiofônicos que grudam e nunca mais querem sair da sua cabeça. O resultado? Mais de 5 milhões de cópias vendidas e mais de dez #1 nos charts mundiais.


2) "Sober"

Apostando em toques mais sombrios, P!nk inclui como segunda faixa do trabalho a instrospectiva "Sober". Convocada para ser segundo single do disco, o grande desafio era manter o nível do smash hit "So What". Pelo menos na qualidade, conseguiu! Em tom de drama, a cantora narra sobre estar perdida em seus próprios vícios: "Eu não quero ser a garota que tem de preencher o silêncio / O silêncio me assusta porque ele grita a verdade / Por favor, não me diga que tivemos aquela conversa  / Eu não vou lembrar, guarde o seu fôlego, de que adianta?". Remoendo sentimentos negativos, a faixa mais um acerto intimista na carreira da cantora, que nos proporcionou momentos únicos com os lives épicos suspensa no ar por um cabo de aço. Ótima!


3) "I Don't Believe You"

Dando continuidade às poderosas baladas do disco, nos deparamos com "I Don't Believe You". Em uma faixa mais crua em que os vocais se submetem a um instrumental sem firulas, P!nk revive seus tormentos conjugais como forma de afastar os medos e sofrimentos do rompimento traumático. "Não, eu não acredito em você / Quando você diz que não vem mais / Eu não vou lembrar você / Você disse que não iríamos nos separar". Estamos extremamente abalados com essa letra maravilhosa e ainda mais com o clipe tocante, tá bom?! Podemos passar a faixa (com o lencinho na mão)? Obrigado.


4) "One Foot Wrong"

Não tão sensacional quanto as antecessoras do disco, mas mantendo o alto nível do trabalho, "One Foot Wrong" é uma boa opção para compor a tracklist do álbum. Permanecendo no viés sentimentalista do trabalho, a faixa mostra uma P!nk com um pé no jazz/soul/o que seja, escancarando ao mundo a facilidade da cantora em pular de um ritmo para outro sem perder a sua essência. Produzida juntamente a Francis White, a cantora descreveu a música como "o limite entre manter o controle e viver à beira do abismo". Aliás, essa é uma marca de P!nk em todo o "Funhouse": letras profundas e significativas que mantém o trabalho numa proposta retilínea muito inteligente.

5) "Please Don't Leave Me"

O perigoso e doentio lado passional vivenciado na primeira faixa do disco retorna quatro músicas depois, em "Please Don't Leave Me", outro hit dos mais conhecidos da carreira de Rosa. Em um clipe que retrata exatamente o que a música diz, P!nk implora ao seu amado que não a deixe, sob pena de estar arriscando sua própria vida ao contrariá-la: "Eu posso ser tão má quando eu quero ser / Eu sou mesmo capaz de qualquer coisa / Eu posso te cortar em pedaços / Quando o meu coração está partido". Tá bom, querido?! Eu corria logo pra evitar qualquer dano.


6) "Bad Influence"

Tratando de afagar os amantes da antiga P!nk, a sexta faixa do disco intitulada "Bad Influence" nos remete ao que de melhor já ouvimos em alguns trabalhos passados da cantora, resgatando um som puxado pro bom e pontual pop rock. Dando vida à cada verso de um modo bem extrovertido, a faixa é um íntimo deboche aos que sempre lhe acharam uma má-influência, no qual brinca com o fato de seu relacionamento antigo ter acabado por sua sogra lhe achar um estorvo na vida do filho. E o melhor: a música finaliza com um "You're too tired / You're not too tired!" do jeito mais sarcástico possível. Isso sim é humor inteligente, meu povo!

7) "Funhouse"

Chegamos à faixa-título de todo o álbum. Trazendo novamente aquele feeling de que o importante é se divertir e o resto que vá pro inferno, P!nk faz nascer uma das melhores e mais radiofônicas faixas do álbum, sustentada por um chorus fácil de decorar e um instrumental perfeitamente encaixado. "Aqui costumava ser uma casa de diversão / Mas agora está cheio de palhaços do mal / É hora de começar a contagem regressiva / Eu vou queimar tudo / 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... diversão!". Em poucos minutos, a cantora busca demonstrar que nem sempre o que é rebuscado, é bom.

8) "Crystal Ball"

P!nk resolve abrir seu coração na oitava faixa do disco, a quase acústica "Crystral Ball". Em meio a lamentações, a cantora revela que apostou todas as fichas durante a sua vida amorosa pra acabar na amarga solidão, espatifada no chão como uma bola destruidora de cristal. Explorando uma letra forte, Rosa suplica por uma única chance de sentir um amor verdadeiro: "O amor precisa de testemunhos e de um pouco de perdão / Muita paciência e um ritmo menos espaçado / Estou aprendendo a ser forte com meus próprios erros", sem medo de viver o presente e olhar o futuro.

9) "Mean"

De volta ao pop/rock saudosista, Alecia Moore (a P!nk rs) continua apostando numa veia mais sentimentalista em "Mean", faixa cheia de dúvidas e incertezas aos rumos que levaram o relacionamento de um casal a uma frieza difícil de suportar. Engasgada com tanta indiferença, "Mean" é um grito de socorro para uma convivência agora insustentável. "Tudo vai mal atualmente, então ficamos juntos por que temos medo de ficar sozinhos?". Quem nunca se perguntou isso?!

10) "It's All Your Fault"

Entre a cruz e a espada, o medo de partir e a vontade de se libertar, P!nk tem somente uma certeza: a culpa é toda dele. Claro, ninguém vai achar que tem alguma parcela de responsabilidade no rompimento de um relacionamento, certo?! E é nesse sofrimento todo que a cantora busca a solução de seus problemas amorosos em meio a tantas indecisões, expressadas numa faixa na qual o instrumental e a interpretação vocal de P!nk (principalmente no refrão épico) trazem toda a dramaticidade posta na letra. Mais um acerto!

11) "Ave Mary A"

Brincando com as palavras, a cantora propõe um trocadilho com o título da faixa onze do disco. "Ave Mary A" insinua propositadamente toda a problematização enfrentada por P!nk na canção, fazendo sempre um paralelo entre os desastres externos e suas decepções amorosas, interrompidas pela famosa frase "Houston, acho que nós temos um problema!", que recebe as variações das cidades de Londres, Tóquio e Cidade do Cabo (?). Com uma letra divertida ao ponto de zombar das suas próprias dificuldades (como forma de mandar um grande 'vão se f*oderem' ao mundo), "Ave Mary A" é o ato final do pop/rock leve proposto no "Funhouse".

12) "Glitter in the Air"

Em uma das faixas mais majestosas da carreira de P!nk, "Glitter in the Air" emociona e arrepia do começo ao fim. Conduzida em forma de narrativa, a canção traz as sensações inesquecíveis que já tivemos alguma vez na vida, interpeladas por um "Alguma vez você já sentiu isso?". Apresentada com maestria pela intérprete no Grammy de 2010, "Glitter in the Air" fecha o ciclo de um dos álbuns mais respeitados na última década.


CONCLUSÃO:

Em um álbum recheado de hits e potenciais desperdiçados, P!nk tratou de se confirmar como um dos nomes de mais sucesso da atualidade, deixando evidente sua facilidade em migrar de estilos num mesmo trabalho, sem que isso torne o disco despersonalizado. E mais do que isso, a cantora alcançou com o "Funhouse" aquilo que muitos cantores pecam nos dias atuais: um álbum em que as músicas se completem e comuniquem, dando um conceito concreto e coerente à proposta que se dispôs desde o início. Por isso, em resposta à pergunta feita neste mesmo post: SIM. Por manter um alto nível impecável em toda sua duração, ainda que não seja tão reconhecido (injustamente) pelo seu conjunto, P!nk e seu circo de amores impresso no "Funhouse" entram pra história, como um dos melhores trabalhos lançados nos últimos tempos.

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