Editorial: o que aprendemos com as indicações ao Grammy 2015?

Depois de meses e meses de espera, fandoms em agonia e desespero o ano todo, finalmente descobrimos os indicados a 57ª edição dos prêmios Grammy, e mais uma vez, os nomeados não agradaram muita gente e pegaram tantos outros de surpresa, o que pode nos deixar importantes lições sobre premiações no geral, especialmente sobre o querido Grammy.


Pra começar, tivemos aqueles que a cada ano que passa, dizem "nossa, o Grammy está em total decadência, parece Teen Choice Awards!" Vale lembrar que num passado não muito distante, existia um outro tipo de pessoa, mais ou menos nesse mesmo nível de argumentação, dizendo "nossa, mas o Grammy só indica gente desconhecida e flopada, quando os artistas mainstream terão reconhecimento?"

O Grammy mudou. Isso é um fato. No passado, a premiação era, de fato, muito criticada por não trazer muitos indicados ou ter vencedores que refletiam o que bombava nos charts. Isso não significa que artistas mainstream não tinham espaço, pelo contrário. Na noite de 1984 na qual Michael Jackson levou 8 prêmios pra casa, além de ser o mais indicado da noite, ele vinha com "Thriller", simplesmente o álbum mais vendido de todos os tempos. Mas algumas esnobadas ainda doem no coração de fã como quando Amy Winehouse perdeu o prêmio de "Álbum do Ano" pro Herbie Hancock ou quando Drake, um dos maiores rappers em atividade, deixou o Grammy de "Artista Revelação" ir parar nas mãos da pouco conhecida Speranza Spalding.


Assim como qualquer outra premiação, o Grammy precisa ter uma visão mercadológica pois conta com anunciantes e tempo na TV é dinheiro. É lógico que existe uma preocupação em ter músicas e artistas de sucesso indicados pois isso atrai audiência e consequentemente, lucro. Cada vez mais, essa veia comercial parece ficar mais clara na premiação. Esse ano, para "Gravação" e "Música do Ano", só temos hits que atingiram o top 10 da Billboard. Mas isso significa mesmo que eles são ruins ou menos merecedores? Lá nos anos 2000, todos 5 indicados a "Gravação do Ano" tinham atingido o topo dos charts e nem por isso, estamos questionando a qualidade deles.

De uma maneira geral, preferimos acreditar que sim, o Grammy tenta aliar indicados que tenham sucesso e qualidade. É muito fácil entender porque boa parte dos grandes nomes do último ano estão presentes nas indicações. Eles atraíram e continuam atraindo o público. Mas "Shake It Off" e "All About That Bass" não são ótimas músicas pop? Vamos reclamar da letra das duas por ser muito simples quando até os Beatles já tiveram composições no mesmo nível? Parece que, muitas vezes, se reclama apenas por reclamar.


Outra coisa importante a se aprender com o Grammy é saber lidar com o fator surpresa, a decepção e a manutenção de expectativas. Assim que o álbum visual de Beyoncé foi lançado sem aviso prévio, há quase um ano (sim, já faz todo esse tempo!), a crítica se ajoelhou perante a genialidade da cantora e todos deram como certo o sucesso dela nessa edição dos prêmios. Dito e feito. Beyoncé está indicada em 6 categorias e é a favorita pra levar a estatueta em todas elas. O mesmíssimo aconteceu com o lançamento do "Reflektor" do Arcade Fire. Os fãs adoravam dizer aos quatro ventos como este seria o disco responsável por barrar a vitória de Queen B no Grammy 2015. Resultado? Nem sinal do Arcade nos finalistas, além do choque de ver Beck entre os cinco mais, um cara que nem ao menos tinha sido considerado em qualquer previsão.

Previsões... pra quê previsões? O Grammy sempre pode acabar sendo imprevisível. Gaga, cantora que todos já afirmam estar morta, garantiu uma indicação (com grandes chances de vitória) com um álbum de jazz, Katy Perry nunca esteve tão perto de faturar seu primeiro gramofone dourado e olha que nessa era ela nem teve 6 hits em primeiro lugar! Sobrou indicação até pra Miley Cyrus e Ariana Grande, isso porque todos diziam que Grammy não é lugar pra ex-Disney star... que dirá alguém que era da Nickelodeon?!


Apesar de não curtirmos muito essa ideia de dar palpite no improvável, achamos bem possível que Beyoncé saia com o grande prêmio da noite, além de mais algumas estatuetas, e acreditamos na consagração de Sam Smith no restante das categorias principais. Só vamos saber o desfecho de tudo isso lá no dia 8 de fevereiro, então temos muito tempo para especular. Por enquanto, ficamos só com algumas lições sobre nem sempre acreditar no que todo mundo está falando. Olhar melhor o passado é mais do que necessário para ter uma visão mais clara do presente e do futuro. Bom Grammy a todos!

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