Crítica: ‘Jogos Vorazes: A Esperança (Parte 1)’ é um banho de água fria para os que esperavam ‘o filme mais quente do ano’

Foi nesta quarta-feira (19) que, antes de todo o mundo, o Brasil pode conferir a estreia de “Jogos Vorazes: A Esperança (Parte 1)”, terceiro filme da saga baseada no livro de mesmo nome da escritora Suzanne Collins. No novo filme, acompanhamos o desenrolar do feito de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), que nos dois últimos se tornou uma inimiga direta da Capital e, consequentemente, símbolo de uma revolução barra levante contra o governo.

Na cola de sagas como “Harry Potter” e “Crepúsculo”, “Jogos Vorazes” repete então a proposta de dividir o último filme em duas partes e, agora que já pudemos assistir ao resultado, nos perguntando até aonde a divisão se fazia mesmo necessária, sendo uma estratégia de capitalizar ainda mais a febre do momento ou uma saída pra que o final conseguisse ser o mais fiel possível ao último livro.

Vai com calma aí, esta resenha contém spoilers!

Pra quem leu “A Esperança”, não é novidade que esse é um dos livros mais “frios” e decisivos da saga. Sem atrapalhar o acompanhamento dos que não o conhecem, o livro narra o resgate de Katniss pelo até então dado como extinto Distrito 13 e esforços dos rebeldes do subsolo para torná-la impactante o suficiente para ser o “tordo” que tanto precisavam. Em contrapartida, ela exige que resgatem os vitoriosos feitos de reféns pela Capital, incluindo seu par romântico dos jogos, Peeta (Josh Hutcherson), mas é surpreendida quando o tem de volta e, TCHARÃN!, quase é assassinada, uma vez que ele sofreu um telessequestro e teve suas memórias envolvendo Catnip “deformadas”, vendo nela a imagem de um perigoso inimigo. É aqui que o filme termina.

Daí em diante, no livro, Katniss está envolvida em pelo menos quatro reviravoltas SUPER importantes, incluindo uma que, no fim das contas, torna inúteis todos seus esforços desde o primeiro filme, mas nenhuma delas aparece nesta metade. A divisão, de fato, cumpre com a tão desejada fidelidade na adaptação de livros para as telonas, cuidando de criar cenas para os menores detalhes já escritos, mas falha ao tentar conquistar telespectadores que não conhecem o livro e, consequentemente, precisam lidar com um filme fraco, sem grandes acontecimentos. É um verdadeiro banho de água fria para os que esperavam o prometido “filme mais quente do ano”, se é que aceitam o trocadilho.


Em termos de ação, “Jogos Vorazes: A Esperança (Parte 1)” ainda tem algum crédito. É fantástico ver Katniss agindo por impulso ou quando, assim como disse Haymitch (Woody Harrelson), emociona por atos simplesmente naturais, mas a produção perde ao ser comparada com o ritmo e excitação dos filmes anteriores, que até terminavam meio “corridos”, mas cumpriam com a proposta da história e, talvez pelas reviravoltas deixadas para o fim, terminavam por criar alguma ansiedade quanto aos acontecimentos seguintes.

A chegada de personagens como a Presidente Coin e Cressida também somam pontos à franquia, cumprindo com aquele fator de poder e sarcasmo presente nos outros filmes em cenas com o Haymitch e Johanna, essa última, inclusive, faz uma aparição bem rápida, em tempo que Haymitch, ainda que chegue um pouco tarde para a festa, não perde a postura e, por mais sóbrio que esteja, mantém o mesmo tom icônico, fazendo valer cada uma de suas cenas.

Josh Hutcherson atua durante boa parte do filme longe de JLaw, mas também cumpre com a sua parte como “porta voz” de ações marcantes, indo desde o pedido de cessar fogo da Capital ao importante aviso para os rebeldes. Ao decorrer de suas rápidas cenas, também conseguimos acompanhar toda a exploração física e emocional e não tem como não morrer de dó do menino padeiro, que termina com uma imagem doentia bem distante do doce garoto bobinho dos outros dois filmes. Vai ser um personagem interessante de se acompanhar no filme seguinte.

Conhecendo a saga, é óbvio que manteremos nossos olhos nos filmes até a sua sequência, e esperamos, inclusive, que o mesmo perfeccionismo que terminou nesta divisão seja a chave para um desfecho triunfante. Essa separação não pareceu a coisa mais inteligente a se fazer, principalmente se eles tinham em planos manter positivo o saldo de telespectadores não herdados dos livros, mas “A Esperança (Parte 1)” nada mais é do que um prelúdio em prol de detalhes que, se passados em branco, talvez atrapalhassem o entendimento dos acontecimentos a seguir e agora tudo o que queremos é a parte final entre nós o quanto antes, até porque os melhores momentos ficaram mesmo para o último longa.


PONTOS POSITIVOS:
- Os novos personagens, que dão um pouco de gás ao filme
- Toda a cenografia. Amamos o refeitório e macacões à la “1984”. Sensacional MESMO!
- O Haymitch. Não sabemos não idolatrar esse personagem.
- A atenção aos mínimos detalhe.
- O Peeta, tadinho.
PONTOS NEGATIVOS:
- É tudo muuuito arrastado.
- A falta de grandes acontecimentos ou decisões.
- O Gale. Por que ele não morreu na mina no primeiro filme?
- O corte é num ponto meio “nossssa” da história, mas nada memorável.
- As mudanças de ambiente entre os bombardeios nos distritos e diálogos no 13 são muito ~bruscas~, quebrando o clima inúmera vezes.
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