09/02/2013

Review: O amadurecimento de Olly Murs sem perder a essência em "Right Place Right Time"!




Todo ano somos abarrotados de competições musicais mundo afora, com candidatos formidáveis, outros nem tanto. Uns vingam, outros não. Uns ganham, outros perdem e assim vida que segue. Porém, esse "perder", pode muitas vezes significar uma vitória moral após a competição. Vários casos de candidatos assim ao redor do mundo confirmam essa tese: Adam Lambert, Jennifer Hudson, One Direction e Olly Murs são ótimos exemplos. Este último, inclusive, é o nosso personagem da review de hoje.

Lá em 2009, um então carismático cantor amador chamado Olly Murs decidiu tentar, pela terceira vez, a sorte num dos programas de maior repercussão no Reino Unido, o The X Factor UK. Mentorado por Simon Cowell, semana após semana, ele foi conquistando a simpatia do público britânico e dos jurados com performances fantásticas, que deixavam claro o seu potencial na competição e o famoso "Fator X" que eles tanto procuravam. Porém, na noite do dia 13 de dezembro de 2009, Olly mesmo sendo de longe o participante com maior potencial mainstream da temporada, não venceu. Mas isso não era problema. Afinal, o tempo se encarregaria de mostrar a todos, quem era o verdadeiro campeão daquela temporada (who is Joe McElderry?!)

No início de 2010, foi confirmado que Olly havia sido contratado por uma grande gravadora, a Epic Records e assessorado pela Syco Music, de Simon Cowell, entraria em estúdio para a produção de seu álbum de estreia. Em agosto daquele ano, ele lançou seu debut single, a ótima faixa "Please, Don't Let Me Go", que rapidamente ganhou as paradas, sendo lançada diretamente no topo da UK Charts. No mesmo ano, mas em novembro, ele lançou seu debut "Olly Murs", que já chegou causando um buzz enorme no mercado britânico vendendo 110 mil cópias na semana de estreia e estreando em #2 nas paradas e consequentemente outro hit single, "Thinking Of Me", se tornando queridinho e um fenômeno de popularidade, tanto de público, quanto de crítica por lá. Desde então, não parou mais!

Seu segundo álbum, intitulado "In Case You Didn't Know", lançado em 2011, já nos apresentou um Olly Murs com uma sonoridade um pouco mais diferente, repleto de influências pop e tomado por uma vibe oitentista, que casavam lindamente com sua voz soulful. Neste álbum, vemos um Olly com um pop mais classudo e amadurecido. Destaques para "Dance With Me Tonight" e o smash hit "Heart Skips A Beat".



Dando continuidade na sua curta, porém, muito estável carreira, Olly lançou em novembro do ano passado, seu terceiro álbum, o "Right Place Right Time", que inclusive , foi lançado também nos EUA, afinal, Olly agora quer se tornar um popstar de nível mundial.


Então, sem perder mais tempo, vamos ao grande objeto de desejo dessa review, o "Right Place Right Time", o qual irei dissecá-lo agora. Lembrando que, para esta revisão, vou usar a versão padrão do Reino Unido. Afinal, o álbum nos EUA é um pouco diferente, com menos faixas e algumas de álbuns anteriores do Olly.

1) "Army of Two"

A faixa que abre os trabalhos de "Right Place Right Time" (e atual single), é uma ótima maneira de começar o álbum. Com uma letra bem trabalhada e apesar da música não agradar tanto na primeira vez que a ouvimos, tem seu mérito, afinal, a canção é uma homenagem de Olly a seus fãs, tratada com tanto carinho, que dão a ela um tom atraente e grandioso. Olly em entrevista ao Daily Sun, falou mais sobre ela: "É prazeroso escrever  e interpretar uma canção sobre essa relação com meus fãs, que cresceram junto comigo ao longo dessa viagem para um futuro que estaremos juntos. É um agradecimento por tudo que tem feito por mim."




2) "Troublemaker" (feat. Flo Rida)

Esta divertida e dançante faixa em parceria com o rapper Flo Rida, foi a escolhida para ser o carro-chefe do álbum e não decepcionou, indo direto para a #1 nas paradas britânicas e, dando a Olly, seu quarto número 1. Aqui, vemos ele flertando com uma sonoridade mais funk e bem próxima à "Misery" do Maroon 5, é uma música mais agitada e um tanto quanto interessante. Nem a participação do arroz de festa Flo Rida foi capaz de estragá-la, tornando-a uma das que mais agrada no álbum.



3) "Loud & Clear"

A primeira baladinha do álbum soa como uma mistura de um som do Coldplay + a pegada de um Frank Sinatra nos primeiros 15 segundos, porém com o Olly nos vocais haha. E fica muito boa! Com um som mais orgânico, cercado de uma orquestra inicialmente, é uma faixa que agrada quem a escuta e também, é um tanto quanto confortante ao coração.

4) "Dear Darlin'"

Esta bela baladinha muito bem escrita e composta inteiramente por Olly, possui um arranjo legal de piano combinado a uma leve batida house, que dá até para arriscar uns passinhos no final de uma festa por exemplo. Bem bonitinha!



5) Right Place Right Time

A faixa-título do álbum é a minha preferida. Aqui temos um Olly muito bem, numa música pop que conta com um arranjo crescente de piano, só que diferente de "Dear Darlin'", aqui, a combinação é com uma bateria progressiva, dando-a cara de um uptempo cativante. Isso sem contar a ótima letra, que te fará cantar o ótimo refrão "“So this is what it feels like be in the right place the right time“.

6) "Hand On Heart"

Última canção a entrar na tracklist final do álbum e a favorita de Olly, "Hand On Heart" é uma faixa de ótima melodia e refrão cativante sobre uma história de amor, uma verdadeira declaração de amor, com direito a mão no peito e tudo para uma mulher, que não fica explícita quem é.

7) "Hey You Beautiful"

Acredito facilmente que se não fosse o feat de "Troublemaker", essa canção teria sido o primeiro single, pois cumpre muitíssimo bem a proposta que o debut single deste álbum conseguiu. É uma ótima faixa contemporânea, bem radiofônica, além de ser cativante, tendo o dedo de Olly para transformá-la em outra bem interessante no álbum.

8) "Heard To Toe"

Cantando sobre fazer o que for necessário para chegar até você, não se importando com o que os outros pensam, "Heard To Toe" é outra ótima canção que agrada em cheio aos fãs já acostumados com suas batidas e toda a vibe oitentista que consagrou Olly nos dois álbuns anteriores e no X Factor, porém estava em falta por aqui.

9) "Personal"

Seguindo os passos da anterior, "Personal" também põe ele de volta às origens oitentistas, porém de forma mais explícita. Aqui, há um Olly sofrendo por não ser capaz de perdoar e levar as coisas para o pessoal. Outra boa composição!

10) "What A Buzz"

Com assobios durante a canção, Olly consegue surpreender com uma melodia divertida e despreocupada e ao investir num tom diferente do que está acostumado a cantar. É uma música que se encaixaria bem como trilha sonora para o fim do dia na praia olhando o pôr do sol.

11) "Cry Your Heart Out"

Outra faixa ao melhor estilo Olly Murs. "Cry Your Heart Out" é um faixa pop classuda e viciante e assim como "What A Buzz", também combina com o clima praiano.

12) "One Of These Days"

A faixa que encerra os trabalhos do álbum, não poderia ser melhor. Doce, calminha e emocionalmente linda, "One Of These Days", é uma música que aquece o coração apenas com voz e piano revestida por uma batida oitentista graciosa.

Gente, desculpa pelo testamento escrito, mas era necessário, para poder dissecar bem a carreira do Olly e esse excelente álbum que é o "Right Place Right Time", mas enfim...

Resumindo: nem sempre vencer um reality show musical é a melhor alternativa para se ter uma carreira de sucesso. Como tantos outros, Olly Murs comprovou isso. Um ótimo cantor, excelente compositor, uma figura carismática e que equilibra bem sua carreira entre música mais dançantes e baladinhas, porém, todas igualmente qualitativas. E como o mesmo afirmou, "Right Place Right Time" como o título do álbum, resume minha carreira a esse ponto. Eu tenho trabalhado duro em tudo que fiz, fazendo o que sentia certo, e tudo se encaixou no lugar e cá estou."

Por último, em "Right Place Right Time", pode-se dizer que Murs está amadurecendo.  Felizmente, isso não significa que ele está ficando chato e muito menos que sua qualidade está caindo, muito pelo contrário. O que vemos e ouvimos, são músicas pop divertidas, cativantes, sempre com propósitos e encaixadas bem, dando ao álbum o seu tempo certo e o lugar certo, mantendo a identidade que o consagrou na Terra da Rainha e que tem tudo para dar certo nos EUA também. E nós torcemos muito por isso!