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Connection Gaga

09/12/2012

Review: Bruno Mars se garante na nossa jukebox com seu "Unorthodox".

em 09/12/2012

Quando um rei morre, a nação fica apenas a espera de um príncipe que continue um legado deixado para trás. O dono do trono se foi e apareceram vários cantores wannabe Michael querendo o posto de soberano do pop. Quando Justin Timberlake voltou os olhos do mundo para sua música... BANG! Desistiu da carreira de cantor (pelo menos por enquanto). Aí pintou um tal de Justin Bieber. Bom, prefiro não analisar porque... tenho respeito ao Michael. Quando as esperanças de algum homem realmente bom na arte de fazer pop estavam por um fio, eis que aparece o nome de Bruno Mars.

Nascido no Havaí, o cantor de 27 anos mostrava desde cedo em shows de calouros interpretando o lendário Elvis Presley que tinha um talento bem evidente pra mostrar ao mundo. E foi isto que aconteceu. Veio o primeiro hit, "Nothin' On You". A romântica faixa em parceria com B.o.B rendeu o primeiro de alguns #1 que o cantor na sua curta carreira já coleciona. O álbum de estreia de Mars, o "Doo-Woops & Hooligans" surpreendeu positivamente a crítica, que classificou Bruno como "o pop que veio pra ficar". E realmente ficou. Do álbum, extraiu os hits "Grenade", "Just The Way You Are", "The Lazy Song", "Talking to the Moon", entre outros. Assim que finalizou a divulgação do primeiro álbum de estúdio, lançou "It Will Rain", single pertencente a trilha sonora de um dos filmes da saga Crepúsculo que também caiu nas graças do povo.


Depois de quase um ano produzindo novos materiais, Mars anunciou "Unorthodox Jukebox" como o título do seu segundo álbum da carreira. Com produtores renomados como Mark Ronson, Benny Blanco e até Diplo, o cara prometia um trabalho de qualidade, e vamos te provar a partir de agora no faixa-a-faixa que Bruno conseguiu.

01) "Young Girls"

Mars decidiu começar o álbum apostando em uma receita bem tradicional. Definitivamente, "Grenade" ainda é o single mais conhecido do cantor e ele resolveu repetir a dose na romântica "Young Girls". A música deixa evidente a facilidade de Bruno em fazer músicas com refrões fortes em tempos que "nananas" e "tchetchetche's" são a tendência. Tem cara de hit, deve ser um dos singles do álbum.

02) "Locked Out Of Heaven"

Primeiro single oficial do "Unorthodox", a faixa é certamente um "tiro no escuro" que Bruno deu. "Locked Out Of Heaven" remete às batidas de músicas conhecidas nas décadas de 80 e 90, o que pôs em dúvida se a canção cairia no gosto popular, porém, foi mais do que uma cartada certeira. A música é deliciosa, cheia de "oh yeah yeah's", os vocais de Bruno ficaram divinos, merece ficar no repeat e já rende um atual #2 pro cantor na parada de singles americana.


03) "Gorilla"

Chegamos a terceira faixa do "Jukebox". Talvez a sonoridade da canção não se adeque perfeitamente ao conteúdo que ela apresenta. "Gorilla" entoa em seus versos que Bruno é um homem forte, selvagem, livre como um gorilla. E pra finalizar, ele ainda canta que é "peludo... especialmente lá embaixo". Bruno querido, nos poupe dos detalhes, né amigo?! Pra mim é uma das faixas mais fracas do ótimo álbum.

04) "Treasure"

Já ouviu o ditado que depois da tempestade vem a calmaria? Pois é. De uma das piores para a melhor faixa do CD. "Treasure" é com toda a certeza uma das melhores músicas que Bruno já lançou em sua curta carreira. Trazendo novamente aquele feeling anos 90, a música lembra muito o que artistas como Beyoncé em "Love on Top" e Rihanna em "Nobody's Business" fizeram retomando um ritmo facilmente acompanhado por palmas e estalo de dedos. Achei Michael Jackson puro. Leitores, se "Treasure" não for single, adeus vida.


05) "Moonshine"

Todo o romantismo apresentado na maioria das faixas do trabalho podem ser resumidos em uma única canção. "Moonshine" serviu como um dos singles promocionais do álbum e é uma das melhores baladas que Mars produziu para o "Unorthodox". "Luar, leve-nos até as estrelas esta noite, você sabe que está mais bonita que da última vez?". É romance demais, gente. Tô até apaixonando.

06) "When I Was Your Man"

A sexta faixa do álbum inicia com um piano que me fez pensar que a qualquer segundo Bruno ia começar a cantar "Sunday morning, rain is falling", mas... fato é que "When I Was Your Man", outro single promocional do álbum, mostra o real potencial vocal de Mars, já que sua voz é acompanhada apenas pelo tal piano a faixa toda. Mais uma balada de qualidade para os amantes de músicas cruas e profundas.

07) "Natalie"

Daí nos deparamos novamente com uma das melhores escolhas do álbum. Aos gritos de "Natalie!", Bruno Mars mistura sons de pianos aos de tambores na medida certa. A faixa conta a história da mulher que ele amou e simplesmente roubou todo o dinheiro e fugiu pra nunca mais voltar. Isso é triste ou o Mars que é um trouxa? Olha, não queria opinar, mas sou Team Natalie, hein?! Calma, tô brincando.

08) "Show Me"

Demorou, mas tinha que ter, né?! Quem ouviu o primeiro álbum de Bruno, viu que o cantor tem raízes fortes também no reggae e, pra não deixar o ritmo do tio Bob de fora, ele incluiu a faixa "Show Me" no repertório do "Jukebox". Eu particularmente não gosto dele cantando reggae, mas ainda assim, acho importante o cara manter diferentes estilos em um mesmo trabalho. Nada surpreendente. 4 em 10 pra "Show Me" tá ótimo.

09) "Money Make Her Smile"

E quem não ri com dinheiro no bolso, gente?! "Money Make Her Smile" é a música mais inesperada de todo o álbum. E toda essa surpresa já era esperada. Sabe porque? É a única faixa que conta com a participação do famoso produtor Diplo. Como sempre, o cara decidiu mesclar os vocais de Mars com o seu famoso funk e com batidas derivadas de um modern rock. A partir do 2º minuto de música o break preparado por Diplo traz um tom misterioso com sirenes e uns toques bem leves de dubstep. Deliciosa. Só tenho que dizer: obrigado, meninos.

10) "If I Knew"

Uma faixa não muito interessante de 2 minutos pra fechar o álbum, sr. Bruno Mars? Não pode. "If I Knew" é gostosinha, porém, bem mediana e não merecia encerrar um trabalho tão grandioso como o "Unorthodox Jukebox". Maaas, vamos a uma análise crua e objetiva sobre o álbum como um todo.

Resumindo: Depois de analisar o "Unorthodox Jukebox", queria deixar claro que não ousei ao comparar Bruno Mars e Michael Jackson no começo desse post, até porque o rei é insubstituível. Só quis mostrar o quão evidente é a aproximação da sonoridade de ambos, o que faz os fãs de Jackson e todos nós ficarmos menos órfãos de música pop de qualidade. Ele não é lindo e muito menos sexy. A questão é: cansou de farofa? Não quer mais ouvir voz das divas? Quer talento? Afim de ouvir um bom álbum? Ladies and gentlemen, chamem o Bruno "Marte" e seu Jukebox heterodoxo.