Review: as várias formas de amar presente no "DNA" das Little Mix

By | sábado, 8 de dezembro de 2012
Pussycat Dolls, Girls Aloud, Spice Girls, The Saturdays, Rouge... todos adoramos uma girlband, ou ao menos uma integrante de cada uma delas, e neste ano tivemos o prazer de incluir mais uma em nossa pequena lista: Little Mix. O grupo vencedor da mais recente edição do X-Factor britânico, formado por Perrie, Jesy, Leigh-Anne & Jade, começou muito bem nas paradas, alcançando boas posições com os singles "Cannonball", "Wings" e "DNA", mas agora passa pela dificil tarefa de impressionar com o primeiro álbum.


"DNA", álbum de estreia das moças, foi oficialmente lançado em novembro desse ano com o selo do Simon Cowell, e nós vamos agora analisar cada átomo do corpo ao qual esse ácido desoxirribonucleico pertence. Alguém viu meu bisturí por aí? Não?! Tudo bem, tudo bem, eu improviso. Confiram o que achamos sobre o primeiro CD das Little Mix, "DNA", na nossa resenha faixa-à-faixa abaixo: 

01) "Wings"
Fanfarra, comecinho que nos remete àqueles comerciais de produtos para casa dos anos 2000 e uma mensagem de auto-ajuda na letra. Muita informação para uma só música? Sim. Funcionou? Com certeza. Essa é a "Born This Way" das Little Mix, só que trabalhada pra soar menos pesada que a música da Lady Gaga e concluindo isso com sucesso. "Minha mãe disse pra que eu não desperdice minha vida, ela disse 'abra suas asas, pequena borboleta'".


02) "DNA"
Quebrando o clima de felicidade + vontade de voar da primeira faixa, "DNA" dá o primeiro toque obscuro ao álbum. Na canção, temos uma visão mais obsessiva das garotas quanto aos seus amados, enquanto elas cantam sobre isso estar no DNA dele e bla bla bla. Skrillex ficaria orgulhoso pelo dubstep e Beyoncé choraria pela perfeição nos vocais, mas quem deve ter curtido mesmo foi a Katy Perry. "Kiss me, k-k-kiss me. Infect me with your love, and fill me with your poison".

03) "Change Your Life"
Chegando na terceira faixa do álbum, já é possível notar que não somos os únicos afim de explorar cada detalhe de cada átomo do corpo que possui esse "DNA", já tivemos a fanfarra com auto-ajuda abrindo o álbum, seguida pela obscuridade do dubstep e agora conhecemos o harmônico R&B de "Change Your Life". A música é uma baladinha pra lá de genérica, que passeia entre Demi Lovato e Keri Hilson, mas consegue te conquistar logo nos primeiros segundos com o tímido rap na voz da Leigh-Anne.


04) "Always Be Together"
Mantendo o clima da faixa anterior, "Always Be Together" é mais um R&B bonitinho à la Demi Lovato. Não é a melhor baladinha do CD e é bem clichê, mas funcionaria bem nas rádios. "Não se preocupe, nós ficaremos juntos para sempre".

05) "Stereo Soldier"
Por mais que seja catchly logo de início, "Stereo Soldier" é um tanto previsível. A fanfarra de "Wings" está de volta, só que somada à todo um clima militar — claramente anunciado por seu título. A letra está muito bem distribuída e todas acabam por fazer uma participação significativa, mas os melhores versos são, sem dúvidas, aqueles em que Jesy pede "Você pode me salvar? Você pode me libertar? Por que eu preciso me sentir viva, precisamos sobreviver".

06) "Pretend It's OK"
Essa dá um banho em todas as outras baladinhas (que escutamos até agora) do CD. Contando com quase que uma orquestra em seu instrumental, "Pretend It's OK" é uma romântica que não se encaixa em amores adolescentes que "duram para sempre" durante algumas semanas e essa maturidade é algo que devemos valorizar na canção.

07) "Turn Your Face"
Calmaria, falsetes e mais dores por amor. Aqui temos um pouco de Beyoncé e Kelly Clarkson. Ela é profunda e os vocais nos seduzem outra vez, enquanto a letra faz questão de te convidar para sofrer junto. "Vire seu rosto até que eu não possa te ver mais, caminhe até que não esteja mais na frente da minha porta".


08) "We Are Who We Are"
Já estávamos prontos pra pegar alguns objetos cortantes ali (brincadeira ruim, sabemos), mas elas trataram de colocar algo animado pra tocar outra vez. Por mais que o título lembre o hit de mesmo nome da Ke$ha, a faixa é algo mais próximo do que conhecemos de Cher Lloyd e Katy Perry, outro ponto válido aqui é que a mamãe de "Wings" também dá o ar de sua graça: "Mamãe me fez do jeitinho que eu sou. Ela disse que devo encarar o mundo com a cabeça erguida e que tenho perdido tempo olhando para o espelho e me odiando, mas agora gosto do que eu vejo". Auto-aceitação é o novo preto.

09) "How Ya Doin'?"
Tuu.... tuu.... hello, is it's emergency. Ainda numa proposta animada, "How Ya Doin'?" pega emprestado um pouco do que os Jackson 5 levaram às rádios há alguns muitos anos atrás, nos remetendo também aos grandes sucessos das Spice Girls.

10) "Red Planet (feat. T-Boz)"
Sabe o que a Rihanna lançou no "Rated R"? Então. Elas tão amando, trazendo de volta a obsessão que conhecemos em "DNA" e investindo mais uma vez numa dose de obscuridade, aqui proposta com riffs de guitarras e vocais ~nervosos~. "No seu coração, eu me encontrei. Me preencha com todo seu amor. Garoto você torna isso quente no seu planeta vermelho".

11) "Going Nowhere"
Sofrendo de amor outra vez, aqui as garotas cantam sobre o rapaz não estar colaborando para que o relacionamento caminhe para algum lugar. Com guitarras que imitam a música espanhola, semelhante a "La Isla Bonita" da Madonna ou "Americano" da Lady Gaga, a música é mais uma dessas que te conquistam logo de início e, caso esse efeito não aconteça com você, recomendo que aguarde até os 2 minutos e 35 segundos, onde Leigh-Anne arrisca algumas rimas e manda super bem. Melhor verso: "[Estou] Cansada de você brincando com esse tal Xbox, assim você nunca vai me pegar com um anel de brilhante".

12) "Madhouse"
Depois de declarar o amor por garotos e por elas mesmas, "Madhouse" é a declaração das Little Mix para a música. Na faixa, as britânicas tem um momento "disturbia", enquanto fogem "deles" em um hospício, lutando para não serem pegas e dopadas. Em sua batida a música nos guia por toda a história, indo de risadas macabras após o "they are coming for me" à pegada mais forte nos momentos de determinação, como no "does not matter if I shout or if I scream" e tudo isso levando a música como combustível para não deixar de lutar. Genial!

VERSÃO DELUXE:

13) "Love Drunk"
Gente, só eu morreria pra ver isso sendo lançada como single? Com um batidão à base de sintetizadores, semelhante com o que a Nicola Roberts fez no fantástico "Cinderella's Eyes", as Little Mix vem cantando sobre estarem bêbadas de amor. Conforme se aproxima do refrão, "Love Drunk" ganha batidas crescentes, até ficar algo tão agitado quanto algumas faixas que ouvimos no "Warrior" da Ke$ha. Aqui, mais uma vez, temos algumas rimas e, mais uma vez², elas funcionam muito bem.

14) "Make You Believe"
Por algum motivo, alguém acreditou que ainda faltava um pouco mais de amor próprio no CD, aí incluíram essa décima-quarta faixa. Do grupo da auto-ajuda, essa aparenta ser a música mais potente e achamos uma pena tê-la apenas na versão deluxe, mas não acredito que seria uma boa ideia trocar qualquer outra da edição standard por ela. "Worthless", "believe", "stronger", "pain" e "faith" são algumas das palavras cantadas nesta música — enquanto "Wings" é a "Born This Way" delas, essa é a "Fighter" [Christina Aguilera].

15) "Case Closed"
A gente não sabe se, futuramente, alguma das Little Mix irá apostar numa carreira solo e se sair tão bem quanto Beyoncé se saiu após as Destiny's Child, mas essa música lembra muito a girlband que lançou a mulher do Jay-Z. Pensando no álbum em geral, ela soa um tanto filler, mas deverá agradar quem é fã dessa vertente do R&B — spoiler: ela nunca será lançada como single.

16) "DNA (Acoustic)"
Menos filler que a canção acima. Uma versão alternativa de "DNA" pra quando você cansar de todo o dubstep da original. Interessante.


Resumindo: se quatro cabeças pensam melhor que uma, o que quatro potentes vozes não conseguem fazer? "DNA" é um álbum fantástico e o que mais impressiona na produção são suas mil e uma utilidades. Tá sofrendo de amor? Escute Little Mix. Acordou se achando feia? Escute Little Mix. Quer dançar e curtir a vida? Conheço uma girlband chamada Little Mix e elas são super legais. Não escuta Girls Aloud por não ir com a cara da Cheryl? Pô, escuta Little Mix! 

No fim, o disco acaba sendo quase que um "little mix" de coisas e mais coisas que já amamos nas vozes de outras artistas, contando ainda com o fator x que garantiu com que elas vencessem o tal reality.