Review: Ke$ha vem armada até os dentes em "Warrior"

By | sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Atualmente, o cenário pop tem promovido artistas para todos os tipos de pessoas, tem a Katy Perry para os que curtem sensualidade sem vulgaridade, Lady Gaga para os rejeitados pela sociedade — que "nasceram assim" —, a veterana Madonna que sempre esteve à favor dos gays e também foi influência para as duas artistas citadas anteriormente, Britney Spears pra quem aprova aquele pop redondinho e digno de perder a dignidade na pista e outros, incluindo Ke$ha, que carrega consigo seus selvagens animais.


Quando se lançou nas rádios, em 2009 com a auto-tunada "Tik Tok", poucos viam um grande futuro para a até então novata, mas as paradas responderam de uma forma extremamente positiva e assim muitos mudaram de opinião com os singles que sucederam seu primeiro hit, "Blah Blah Blah", "Your Love Is My Drug" e "Take It Off", todos extraídos do álbum "Animal" — que estreou no topo da Billboard Hot 200. Com o tremendo sucesso de seu primeiro CD, a RCA Records não hesitou em pensar em um relançamento e assim Ke$ha lançou o EP "Cannibal", com outras quatro músicas inéditas — entre elas, os singles "We R Who We R" e "Blow".


Como números não são e nunca serão sinônimos de qualidade, Ke$ha ainda tinha seu talento colocado em dúvida, pelo excessivo uso do auto-tune, mas a cantora vem disposta a acabar com essa e outras ideias equivocadas sobre seu trabalho em "Warrior", segundo CD de inéditas da loira, que já foi apresentado aos seus fãs via um stream do iTunes e é oficialmente lançado nesta sexta-feira (30) em alguns países. Vamos dar uma conferida faixa-à-faixa neste novo material? 

01) "Warrior"
Pra começar, nada melhor que prosseguir com uma tradição. Sei que isso parte do gosto pessoal, mas sempre tive uma relação em especial com as faixas-títulos de Ke$ha e com "Warrior" não foi diferente. Produzida pelo Dr. Luke em parceria com o Cirkut, a música é um dos dances mais potentes do álbum e carrega o peso de todo o conceito do CD. É hora de uma revolução, esse é o tempo da nossa geração, temos que derrubar as barreiras e lutar até o fim, pois sempre fomos guerreiros. Essa é a mensagem, pessoal!

02) "Die Young"
Depois de todo o discurso batalhador da faixa inicial, chegamos ao lead-single do álbum, "Die Young". Assim como rolou com "Your Body" da Christina Aguilera, "Die Young" não parece mais tão incrível com o resto do álbum, mesmo sendo muito boa. Acreditamos que lançá-la como single tenha sido uma forma de testar a sonoridade do disco sem entregar todo o jogo e, pensando desta forma, funcionou bem. Essa conta com um time de produtores por trás, indo do Dr. Luke ao Benny Blanco, e nos motiva a aproveitar a noite como se fosse a última, como se fôssemos morrer jovens.


03) "C'Mon"
Ainda é cedo pra dizer que essa é uma das músicas mais legais que a Ke$ha já lançou em toda sua carreira? Dos mesmos produtores de "Die Young", a faixa mantém o clima festivo. Ke$ha quer ficar acordada a noite toda, não está nem aí para o que acontecerá depois disso e só quer viver o agora, o melhor disso é que ela te convida para a coisa toda. Vamos lá? Sonoramente falando, a faixa parece uma junção da baladinha "Animal" com a animada "We R Who We R", se ficasse melhor estragava.

04) "Thinking of You"
É inevitável, quando olhamos o nome desta música logo nos lembramos de Katy Perry e o amor que ela perdeu na guerra e não consegue esquecer, porém, aqui com Ke$ha a história é completamente diferente. Um pouco menos dançante, mas não menos radiofônica, a música é a "Baba Baby" da cantora, onde ela joga na cara de seu ex-futuro pretendente o que ele perdeu. "Escutei uma música na rádio e vi seu rosto em todos os lugares que ia, acho que deveria ter ligado pra dizer que estava pensando em você. Agora as minhas músicas estão nas rádios e você vê meu rosto em todos os lugares que vai, acho que deveria ter ligado pra dizer que estava pensando em você", canta Ke$ha no refrão. O agudo da cantora no "you" do refrão é muito amor, diga-se de passagem.

05) "Crazy Kids"
"Whistle" do Flo Rida num mashup com "Sleazy" do EP Cannibal? Não, pera! Produzida pelo Luke com o Cirkut, "Crazy Kids" é uma das que mais chamam a atenção no álbum, por contar com Ke$ha mandando algumas rimas no lugar de algo mais melódico. Assim como "Patience" do Guns 'N Roses ou "Whistle" do Flo Rida (risos), a música começa com um assobio e na letra temos Ke$ha dizendo que nós somos crianças loucas. Segundo a cantora, essa seria a "We R Who We R" desta nova era. Temos que discordar.

06) "Wherever You Are"
Tá pensando que Ke$ha não sofre de amor? Se engana! Agora numa semi-baladinha, "Wherever You Are" manda aquela mensagem para aquele seu amor distante, amor de verão. A cantora fala sobre a forma com que o beijo do rapaz deixou seu corpo elétrico, a maneira com que ele a libertou, e faz a bonitinha dizendo "onde quer que você esteja, saiba que sempre estará em meu pensamento. Onde quer que você esteja, saiba que nosso amor nunca morrerá". Pra pedir para o DJ na balada e se acabar dançando e lembrando da(o) ex, né? <3


07) "Dirty Love (part. Iggy Pop)"
Até sair os prímeiros detalhes sobre o CD, ninguém poderia esperar que um dia Ke$ha fosse dividir estúdio com o rockeiro Iggy Pop, mas a cantora conseguiu realizar tal feito e assim nasceu "Dirty Love". Ao contrário da faixa anterior, a música é toda safada e suja, assim como sugere seu título. Desta vez Ke$ha não quer ser namorada, muito menos esposa, tudo o que ela quer está entre os lençóis do Iggy Pop, ela quer o seu amor sujo! E o rapaz ainda subestima a cantora, dizendo que "baratas fazem isso em latas de lixo e comerciantes do Afeganistão em tapetes", fazendo referências à filmes pornôs, "mas até jovens selvagens fazem isso melhor". "Dirty Love" é um rock dançante, que nos remete à nomes como Aerosmith e o próprio Iggy Pop, a canção também lembra "Party At A Rich's Dude House", do álbum de estreia da cantora.

08) "Wonderland (part. Patrick Corney)"
Como disse na introdução desta resenha, Ke$ha tinha algumas contas a acertar com aqueles que diziam que ela não cantava e "Wonderland" é uma boa prova disso. Deixando de lado os sintetizadores e as batidas que pertencem à quase todo o CD, a canção é uma baladinha que flerta com o country, onde Ke$ha lamenta por não encontrar o caminho de volta para o País das Maravilhas, onde as coisas eram bem mais simples e o tempo parecia não passar. A música conta com a participação do Patrick Corney, que é metadinha do Black Keys, e deverá ser 8 ou 80 quanto aos fãs da cantora, agradando por completo alguns e sendo extremamente odiada por outros. Cadê o auto-tune, gente?! Aprovadíssima.


09) "Only Wanna Dance With You (part. Julian Casablancas e Fab Moretti, dos Strokes)
De volta ao rock, que fez sua primeira aparição significativa em "Dirty Love", a nona faixa é uma velha canção da Ke$ha, que ganhou uma nova roupagem e uma participação pra lá de especial para integrar este novo disco. A faixa nos remete aos grandes hits dos Strokes, como "You Only Live Once" e "Under Cover of Darkness", e para a versão final Ke$ha conseguiu nada mais que a participação da própria banda — pra ser exato, de parte dela. A bateria da música foi toda gravada pelo Fabrizio Moretti e, em seus versos finais, quem dá o ar de sua graça é o cantor Julian Casablancas. É muito amor pra uma faixa só, meu Deus!

10) "Supernatural"
Na fase de pré-divulgação do "Warrior", nossa ex-$uja havia revelado que teve algumas viagens espirituais após a tour Get $leazy e num desses passeios pelo outro lado da vida (sdds "Ghost"), a moça teria feito sexo com um fantasma. Não sabemos ao certo como isso aconteceu, mas Ke$ha não só sentiu a coisa toda como gostou e é sobre isso que ela canta em "Supernatural". A música é agressiva, eufórica e extremamente dançante. Alguém duvida que temos aqui um grande hit? Até os fantasmas concordam.

11) "All That Matters (The Beautiful Life)"
Essa traz de volta a ideia de viver o agora e fugir de todo o resto, por que "tudo o que importa é a vida linda". Numa produção do Max Martin com o Shellback, a faixa é tão animada quanto qualquer outra do CD e traz uma pegada dançante entregue em parcelas, começando devagar até o explosivo fim, onde acontece o ápice da coisa toda. Minha parte favorita, tanto na letra quanto nos vocais, é quando Ke$ha canta: "it's raining gold, been up all night, there's no excuses, we kiss the sky. Don't wanna come down, don't wanna come down. Is anyone out there?".

12) "Love Into the Light"
Retornando às baladinhas, a décima-segunda faixa do "Warrior" é uma canção introspesctiva que nos remete facilmente ao que Katy Perry nos apresentou em seu álbum de estreia — o início também lembra "Who Am I Living For", do "Teenage Dream". Começando com alguns sintetizadores, "Love Into the Light" nos mostra uma Ke$ha que reconhece seus defeitos e, ainda assim, mostra que não há problemas em conviver com eles. Ela não é perfeita, não é santa, tem seus problemas e até algumas tatuagens ruins, mas não espere que ela peça perdão por isso.

Versão deluxe:

13) "Last Goodbye"
Só eu senti uma pontada no coração ao escutar essa? Ke$ha está sofrendo de amor mais uma vez e, ao som da semi-baladinha, pede para que seu amado prometa que não vai chorar e diz que esse é seu último adeus. A faixa tem uma das letras mais bonitas do álbum e, pra minha surpresa, também é produzida pelo time Dr. Luke, Benny Blanco e Cirkut. Linda!

14) "Gold Trans Am"
Antes de começar a comentar sobre essa música, queria mandar um beijão para a Lady Gaga e seu alter-ego masculino, Jo Calderone. Com sample de "We Will Rock You", do Queen, a canção é uma das maiores investidas de Ke$ha no rock, fazendo diversas referências ao gênero e ainda pesando no sexualismo. "Encosta aí, otário! Agora levante os braços. Deixe eu ver o que você guarda dentro desse jeans", diz a cantora em um dos trechos. É daquelas pra se escutar enquanto está indo trabalhar numa segunda de manhã, só pra aliviar o estresse — aviso: caso seus parentes sejam alfabetizados em inglês (sdds Sasha), evite escutar no volume máximo em casa.

15) "Out Alive"
Chegando perto de dar adeus ao "Warrior", Ke$ha reforça toda a temática de exaltação às batalhas e ao pouco tempo que nos resta para viver. Com produção do Billboard (co-produziu "Hold It Against Me" da Britney, "Call Your Girlfriend" da Robyn e "Take It Off" da Ke$ha) em parceria com o Ammo ("E.T." da Katy Perry e "We R Who We R" da Ke$ha), a penúltima faixa do CD é uma das mais dançantes e, com vocais agressivos, traz Ke$ha afirmando que nem todo o ouro da Terra poderá nos dar mais tempo e que ninguém sairá disso vivo.

16) "Past Lives (part. Wayne Coyne do Flaming Lips)"
Dividindo espaço em nossos corações com a letra de "Last Goodbye", a última música do "Warrior" é a baladinha "Past Lives", que conta com vocais do Wayne Coyne, da banda Flaming Lips. Não só pela participação e produção do Wayne, a música apresenta uma vertente pra lá de indie de Ke$ha, e na letra a cantora fala sobre o homem ser seu amor de vidas passadas, alguém que esteve com ela há séculos atrás numa possível tribo perdida no tempo. Confiante de seu pensamento e diante de uma aura melancólica, Ke$ha ainda afirma que de tempos em tempos seu amor das antigas estará de volta aos seus braços, sendo cada vez mais seu.


Resumindo: assumindo aos poucos tudo o que prometeu enquanto produzia esse novo álbum, Ke$ha não deixa mais dúvidas sobre realmente saber cantar, compôr e ser fã de rock. Em "Warrior" Ke$ha não quer se tornar a voz da geração ou atacar de estrela do heavy metal e sim mostrar que já perdemos tempo demais com coisas que não valem a pena, aproveitando para fazer aquela homenagem aos seus ídolos. O álbum é animado, rude e experimental na medida certa, também sendo útil para aqueles momentos em que queremos apenas esquecer do resto do mundo e curtir a vida. Todos nós morreremos um dia e o objetivo de Ke$ha aqui é nos convencer a concluir todas nossas metas antes que esse dia chegue, mesmo que nossa meta para a vida seja apenas transar em automóveis velhos ou trocar sentimentos com seres de outro mundo. That's it!

Outras resenhas: